SEXTA-FEIRA I SEMANA DO ADVENTO - 7 DEZEMBRO 2018

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03Dez2018
| Escrito por Assis

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SEXTA-FEIRA I SEMANA DO ADVENTO - 7 DEZEMBRO 2018

Primeira leitura: Is. 29, 17-24

Esp√≠ritos desencaminhados compreender√£o, e os que protestavam, aprender√£o a li√ß√£o.¬Ľ
A locu√ß√£o ¬ęnesse di~> (v. 18) introduz o an√ļncio de uma mudan√ßa profunda realizada pelo Senhor no seu povo que se tinha deixado perverter, caindo numa situa√ß√£o de cegueira e de incompreens√£o. Isa√≠as canta essa mudan√ßa, essa passagem das trevas √† luz, provocada pelas maravilhas que o Senhor realiza, destruindo os projectos escondidos em que o povo incr√©dulo baseava a sua sabedoria (cf. Is 29, 15). A ac√ß√£o de Deus realiza-se na natureza (v. 17), nas enfermidades f√≠sicas (v. 18) e no campo moral e religioso, onde reina a injusti√ßa (vv. 19-21).
A salva√ß√£o provoca o j√ļbilo dos ¬ęhum√≠ldes¬Ľ (v. 19), isto ~ daqueles que confiam no Senhor e perseveram na espera da salva√ß√£o que vem dele. Com a alegria dos carenciados e dos √ļltimos, e com o desaparecimento dos violentos, dos c√≠nicos e dos enganadores, a obra do Senhor atinge o v√©rtice, porque nela os crentes reconhecem¬¨no como o redentor de Abra√£o e de Jacob: ¬ęlivres da obscuridade e das trevas, os olhos dos cegos ver√£o¬Ľ (v. 18).

Evangelho: Mt. 9, 27-31

A narrativa da cura dos dois cegos revela a tend√™ncia de Mateus para reduzir os elementos descritivos e dar relevo ao tema da autoridade de Jesus e da f√© do disc√≠pulo ou do miraculado. A f√© daquele que procura a cura junto de Jesus manifesta-se, em primeiro lugar, no seguimento (v. 27) e torna-se s√ļplica insistente, confiante.
Os dois cegos devem entrar em casa para se aproximarem de Jesus, quase a sugerir que, para chegar à luz da fé, é preciso entrar na comunidade dos crentes. Aproximar-se de Jesus é necessariamente entrar em comunhão com a sua Pessoa e escutar a sua Palavra. Jesus faz como que um exame à fé dos cegos, isto é, à confiança que têm no seu poder salvador (v. 28).

A palavra de cura que Jesus dirige aos cegos √© semelhante √† que dirigiu ao centuri√£o (Mt 8, 13) e parece estabelecer uma certa proporcionalidade entre a f√© e a cura. Mas oferece sobretudo um ensinamento √† comunidade para que ultrapasse a necess√°ria prova da f√© na ora√ß√£o, reconhecendo que a ajuda concedida √© resultado da escuta da s√ļplica de um cora√ß√£o sincero.

Isa√≠as anunciou para os tempos messi√Ęnicos que, ¬ęlivres da obscuridade e das trevas, os olhos dos cegos ver√£o: Jesus realiza a palavra do profeta curando v√°rios cegos, tamb√©m os dois de que nos fala o evangelho de hoje. Ao recuperaram a vista, podem contemplar o mundo criado por Deus e as suas belezas. Mas aconteceu neles algo de mais profundo, uma verdadeira transforma√ß√£o, realizada pelo acolhimento da Boa Nova na f√©: passaram a ver toda a realidade, e a si mesmos, com olhos novos.

Antes de chegarem à fé, tinham uma visão distorcida do mundo, de si mesmos, dos outros e da história. A Boa Nova fê-los darem-se conta da sua cegueira e da necessidade que tinham de ser curados.
Quem julga ver, permanece cego, permanece no pecado, como lembra Jo√£o (9, 41). O Evangelho abre-me os olhos, faz-me tomar consci√™ncia de que n√£o vejo. Mas, se tenho a dita de me encontrar com o Senhor, se acreditar n ' Ele e invocar a sua miseric√≥rdia para a minha cegueira, recebo d ' Ele o dom da vista. √Č a f√© que me abre os olhos, e √© a miseric√≥rdia de Cristo, isto √©, o movimento do seu cora√ß√£o em direc√ß√£o aos miser√°veis, que O leva a fazer o milagre. A liturgia de hoje mostra-nos a rela√ß√£o entre olhos e cora√ß√£o.

Quando chego à fé, começo a ver, inicialmente de modo algo confuso, mas, depois, cada vez mais claramente, a acção do Senhor na minha história e na dos meus irmãos e irmãs. A fé faz-se descobrir os sinais luminosos das visitas de Deus à minha vida, em todos os seus momentos, mesmo naqueles em que, à primeira vista, só vejo trevas e marcas negativas.

Como os cegos do evangelho, vejo-me envolvido na compaixão de Cristo, acolhido na sua casa, tocado pela sua mão misericordiosa. Mas o evangelho também me faz ver, de modo diferente os outros e os acontecimentos, e ensina-me a estimar aquilo que o mundo espontaneamente não aprecia: os humildes, os pobres, os oprimidos.

Fonte: ‚Äúdehonianos.org/portal/liturgia‚ÄĚ