SÁBADO – XXXIII SEMANA – TEMPO COMUM – ANOS PARES – 24.11.2018

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20Nov2018
| Escrito por Assis

 

SÁBADO – XXXIII SEMANA –  TEMPO COMUM – ANOS PARES – 24.11.2018

Primeira leitura: Apocalipse 11, 4-12

As duas testemunhas (v. 4) simbolizam todos os que receberam a missão profética e, por isso, estão disponíveis para anunciar a Boa Nova. Essas testemunhas têm a protecção de Deus e d´Ele recebem poderes extraordinários em ordem à evangelização que o Espírito Santo torna fecunda. São instrumentos nas mãos de Deus, ao serviço da humanidade. Por isso são dignos de veneração e hão-de participar na glória de Deus. A única condição para isso é que sigam o mesmo caminho que o mestre, Jesus, percorreu.
Passarão pela experiência dolorosa da perseguição e da morte: «a Besta que sobe do Abismo» (v. 7) poderá cantar vitória, ainda que provisoriamente. «Sodoma e o Egipto» (v. 7) exultarão pela morte destas duas testemunhas e pelo triunfo provisório das forças do mal contra o Cordeiro.

Mas «depois de três dias e meio» a situação inverter-se-á: as testemunhas hão-de ressuscitar por causa do sopro de vida que Deus fará entrar neles (cf. v. 11) e todos sentirão grande terror. O mistério pascal realiza-se também na sua vida: a vida do Mestre é a sua vida; a sua vitória e participação na vitória de Jesus. Ressuscitarão e «subiram ao céu» (v. 12), onde está Jesus. O triunfo das testemunhas atinge a meta que é a comunhão eterna com o Pai, depois da comunhão terrena com Jesus.

Evangelho: Lucas 20, 27-40

A pergunta dos saduceus manifesta uma mentalidade materialista e fechada à lógica do céu. Não se trata de levar ou não a mulher para a outra vida. A vida depois da morte será algo de completamente novo e inesperado. Jesus fala de imortalidade, coisa que não podemos experimentar desde já e que deve ser considerada um dom preciosos da vontade divina.

As relações interpessoais na vida eterna serão de outra ordem: não nos fecharemos na relação com uma pessoa, mas estaremos abertos a todos e a Deus. Finalmente Jesus afirma que os ressuscitados serão «semelhantes aos anjos». Não se trata de uma expressão de desprezo pelo matrimónio, mas da afirmação de que a vida eterna será diferente da vida deste mundo: mais próxima de Deus a quem louvaremos e serviremos, como fazem os anjos.

Os vv. 39 e 40 mostram-nos que entre os escribas também havia pessoas que apreciavam a doutrina de Jesus, mas não tinham coragem para ser coerentes até às últimas consequências, isto é, até comprometer-se com Ele.

O mundo quer-nos fechados, prisioneiros e escravos da sua finitude. Mas leituras de hoje abrem-nos os horizontes de outro mundo e de outra forma de vida. Levam-nos a meditar na vida eterna.

A resposta de Jesus à objecção dos saduceus é um golpe de asa que nos ergue para o alto: «Nesta vida, os homens e as mulheres casam-se; 35mas, aqueles que forem julgados dignos da vida futura e da ressurreição dos mortos não se casam, sejam homens ou mulheres, 36*porque já não podem morrer: são semelhantes aos anjos e, sendo filhos da ressurreição, são filhos de Deus» (vv. 34-36). Somos chamados a outra forma de existência que começa desde já, na união com Deus, para continuar na eternidade.

Há, pois, que purificar as nossas ideias sobre o modo de vida que nos espera em Deus. Sobre isso, o evangelho sugere-nos mais o silêncio do que o palavreado superficial. É fácil cair em discursos banais sobre o paraíso, tanto em sentido negativo como em sentido positivo. Como os saduceus, corremos o risco de reduzir a vida eterna às proporções da vida terrena, ainda que aumentadas. Deus quer surpreender-nos com «coisas novas», ou melhor, com «novos céus e nova terra». O que sabemos ao certo é que a vida eterna será uma páscoa plena e definitiva, participação na Páscoa de Jesus. Como as «duas testemunhas» do Apocalipse, sabemos que a Páscoa é um acontecimento extraordinário que abre o céu e a terra e marca definitivamente a nossa vida. Chegaremos à vida eterna pela ressurreição; participação na ressurreição de Cristo, participação na sua vitória sobre a morte.
São estes os pensamentos que hão guiar a nossa vida, e não os do mundo. A ressurreição é o nosso horizonte definitivo, uma vez que somos «filhos da ressurreição e filhos de Deus» (v. 36).

Fonte: F. Fonseca em “Dehonianos.org/portal/liturgia/”