SEXTA-FEIRA - XXXII SEMANA - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 16 NOVEMBRO 2018

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14Nov2018
| Escrito por Assis

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SEXTA-FEIRA - XXXII SEMANA - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 16 NOVEMBRO 2018


Primeira leitura: Segunda Carta de Jo√£o 4-9

Nesta breve carta, S. João oferece-nos como que uma síntese do seu evangelho, uma vez que recorda à sua comunidade o essencial para a salvação: "caminhar na verdade" e "acreditar que Jesus é o Filho de Deus". O apóstolo interpreta o mandamento novo que ele mesmo recebeu do Senhor.


As duas condi√ß√Ķes para a salva√ß√£o podem, por sua vez, resumir-se a uma: acreditar em Jesus Cristo e, assim entrar na verdade de Deus. Mas Jo√£o tamb√©m se preocupa com a fidelidade dos seus destinat√°rios, porque h√° muitos ¬ęsedutores¬Ľ (v. 7), que n√£o reconhecem Jesus e pretendem levar os outros a n√£o o reconhecerem tamb√©m. √Č sempre poss√≠vel perder o fruto do nosso trabalho, isto √©, a f√© que pode transformar a nossa vida (cf. v. 8).


Aquele que cr√™ tem a sorte, n√£o s√≥ de conhecer a verdade, mas tamb√©m ter connosco Deus (cf. V. 9), n√£o s√≥ de tender para um futuro incerto, mas de caminhar com Cristo para Deus, n√£o s√≥ de praticar uma qualquer filantropia, mas de amar a Deus no pr√≥ximo, em nome de Cristo. √ā¬†


Evangelho: Lucas 17, 26-37


Jesus quer ensinar aos disc√≠pulos a verdadeira esperan√ßa. Por isso, completa o discurso sobre a sua √ļltima vinda. Para que a esperan√ßa n√£o se torne ut√≥pica e n√£o crie ilus√Ķes f√°ceis, Jesus une-a √† f√©. A f√©, por sua vez, une-nos, desde j√°, ao Senhor e √† sua morte e ressurrei√ß√£o. Unindo a esperan√ßa √† f√©, ficamos a saber quem esperamos, e n√£o nos interessa quando ou como isso acontecer√°.


Jesus ilustra o ensinamento com dois exemplos: o de No√© (vv. 26s.) e o de Lot (vv. 28s.). S√≥ aparentemente estes dois factos hist√≥ricos evidenciam o car√°cter improviso e repentino do dil√ļvio, no caso de No√©, e da chuva de fogo, no caso de Lot. O que Jesus quer acentuar √© a necessidade de estar prontos quando Deus se manifestar no seu poder: prontos a reconhec√™-lo, prontos para ser introduzidos na alegria eterna e na comunh√£o com Ele.
O verdadeiro ensinamento de Jesus √©, pois, este: n√£o devemos considerar apenas No√© e Lot como figuras de crentes, mas tamb√©m os seus contempor√Ęneos, representados pela mulher de Lot (v. 32). Viviam esquecidos de Deus e preocupados com os bens terrenos: foi nessa situa√ß√£o que foram surpreendidos pelo castigo de Deus. √Č a sua indiferen√ßa perante a imprevis√≠vel interven√ß√£o de Deus, e a sua cegueira espiritual, √© a sua incapacidade para se darem conta da dramaticidade dos tempos que atrai a aten√ß√£o de Jesus, do evangelista e a nossa.

Jesus convida os seus disc√≠pulos a fazer bom uso da mem√≥ria. √Č bom revisitarmos a hist√≥ria, para nos darmos conta das visitas de Deus, e adquirirmos sabedoria que nos permita viver adequadamente o presente e preparar o futuro. A hist√≥ria √© mestra de vida, diziam os antigos.
No caso de hoje, somos convidados a revisitar o Antigo Testamento que, para nós cristãos, é uma fonte de ensinamentos sempre válidos e actuais.
A mem√≥ria do crente leva-o a captar nos eventos hist√≥ricos as mensagens que Deus nunca deixa faltar √†queles que O reconhecem. Quem recorda os factos hist√≥ricos do Antigo Testamento, disposto a compreender as motiva√ß√Ķes e os modos como Deus interv√©m, aprende a viver no tempo presente e a orientar-se no futuro, rumo √† meta final.


A mem√≥ria do passado, e a contempla√ß√£o das interven√ß√Ķes de Deus, tornam-se, pois, crit√©rio de diagn√≥stico de quanto acontece aqui e agora, e permite-nos prosseguir a nossa caminhada, rumo ao futuro. Ao mesmo tempo, a mem√≥ria do passado, convida-nos e habilita-nos a ultrapassar perigosas distrac√ß√Ķes, provocadas pelas coisas e pessoas que nos rodeiam, e a realizar aquele desapego e distancia√ß√£o que tornam poss√≠vel uma avalia√ß√£o serena e correcta de tudo e de todos.


A mem√≥ria ensina-nos a perder o que deve ser perdido e a conservar o que deve ser conservado. √Č claro o contraste entre uma vida apenas aparente e uma vida nova adquirida por quem est√° disposto a sacrificar a sua vida terrena. A orienta√ß√£o para o futuro de Deus √© clara.


A nossa vida pessoal, com todos os seus capítulos mais felizes ou menos felizes, com todo o bem que recebemos e fizemos, com todo o mal de que fomos vítimas ou cometemos, é uma pequena história de salvação, porque nela fomos, muitas vezes, visitados por Deus. Há que dar-nos conta dessas visitas e das mensagens semeadas no nosso coração.


Quanta sabedoria podemos adquirir ao revisitar a nossa história pessoal! Quanta oração nos pode inspirar! Quanta serenidade para o presente e para o futuro!
A vida da congrega√ß√£o tamb√©m √© hist√≥ria da salva√ß√£o. O Deus de Abra√£o, Isaac e Jacob, o Pai de Jesus, n√£o s√£o abstrac√ß√Ķes filos√≥ficas, mas revelam-se concretamente actuando na hist√≥ria e na vida, em particular na Igreja, por meio do Esp√≠rito, fonte de todo o carisma.


Jesus convida-nos a entrever a vontade de Deus nos eventos da hist√≥ria, da vida, nos sinais dos tempos: ¬ęQuando vedes uma nuvem levantar-se do poente, dizeis logo: Vem l√° chuva, e assim sucede. E quando sopra o vento sul dizeis: "Vai haver calor", e assim acontece. Hip√≥critas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do c√©u; como √© que n√£o sabeis interpretar o tempo presente?¬Ľ (Lc 12, 54-56).


Fonte: Fernando Fonseca em ‚Äúdehonianos.org/portal/liturgia‚ÄĚ