TERÇA-FEIRA - XXXII SEMANA - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 13 NOVEMBRO 2018

PDFVersão para impressãoEnviar por E-mail
11Nov2018
| Escrito por Assis

 

TERÇA-FEIRA - XXXII SEMANA - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 13 NOVEMBRO 2018

Primeira leitura: Tito 2, 1-8. 11-14

Paulo dirige esta carta ao responsável pela comunidade de Creta. Mas os seus ensinamentos interessam a todos e a todas as comunidades. Para que a mensagem de Cristo ressuscitado ultrapasse os limites da comunidade, é preciso que todos se empenhem no testemunho. Sem isso, o Evangelho pode tornar-se ineficaz.

Na comunidade vivem diversas categorias de pessoas. Paulo dá, a cada uma delas, um conselho oportuno, uma palavra de conforto. Recomenda aos anciãos e anciãs a sobriedade, um estilo de vida digno, perseverança na fé, generosidade no amor fraterno (vv. 2s.).
Assim se podem tornar modelo para os jovens e para as famílias. A palavra de Deus pode espalhar-se, graças à sua colaboração. Aos jovens, o Apóstolo dirige palavras muito exigentes, mas cheias de luz e de graça (vv. 6-8): devem dar o bom exemplo aos da sua idade, por meio «do exemplo das boas obras» e pelo respeito recíproco e pela «palavra sã e irrepreensível».
O seu principal inimigo, lembra Paulo, é Satanás.

A motivação teológica para todos estes comportamentos, ou programa de vida, também é explicitada: «manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens, para nos ensinar a renúncia à impiedade e aos desejos mundanos, a fim de vivermos no século presente com sobriedade, justiça e piedade» (vv. 11b-12). Trata-se do evento salvífico de Jesus Cristo, isto é, do seu mistério de vida, morte e ressurreição.

Evangelho: Lucas 17, 7-10

Jesus, depois de ter falado da fé, dirige-se aos apóstolos e, por meio da parábola do servo (seria mais exacto traduzir «escravo»), recomenda-lhes que se façam servos («escravos») de todos. Mais uma vez, Jesus acentua que, na lógica do Reino, não conta tanto o que se faz quanto a intenção, o estilo, o método com que se faz.

Não recomenda uma humildade genérica, ou protocolar: o que Lhe interessa realmente é o que pensam e pretendem fazer os apóstolos, quando se põem ao seu serviço e ao serviço da sua causa.

Deus não precisa de nós, nem das nossas ajudas; mas quer colaboradores em total sintonia com o seu projecto de salvação, aqui e agora personificado em Jesus de Nazaré.

«Escravos inúteis» (v. 10), isto é, comuns, simples... O que Jesus quer que os apóstolos interiorizem é a atitude que, Ele mesmo, demonstrará na véspera da paixão: depor o manto, servir os irmãos e, no fim, julgar-se e declarar-se «escravos inúteis» (cf. Lc 22, 24-27; Jo 13, 1-17).

O Senhor Jesus põe-nos decididamente no nosso lugar: «quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: 'Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer». Este ensinamento que, em primeiro lugar se destina aos apóstolos, é para todo o cristão, para todos nós. Somos servos inúteis porque, quando demos tudo o que tínhamos a Deus, não fizemos mais do que restituir-Lhe o que antes nos tinha dado. Somos sempre seus devedores, porque tudo recebemos dele.

O Vaticano II lembra a todos o dever de viver como servos na Igreja e no mundo, para bem dos irmãos. É uma tarefa que deriva da graça do Baptismo, que faz nascer em nós o direito e o dever de nos interessarmos pelo bem-estar dos irmãos, em força da graça recebida.

O que Jesus diz aos apóstolos, Lucas também o atribui a Maria. Na Anunciação, Maria responde ao Anjo: «Eis a serva (literalmente «a escrava») do Senhor» (Lc 1, 38). Mais adiante, no Magnificat, oração de louvor e de acção de graças, Maria exclama: «Ele olhou para a sua humilde serva («escrava»)» (Lc 1, 48).

Também Paulo, na carta aos Filipenses, diz de Cristo: «Assumiu a condição de servo (literalmente, «escravo») e humilhou-Se a Si mesmo» (literalmente: «abaixou-se a si mesmo») (2, 7b.6ª). Estamos sempre perante as mesmas expressões que, não por acaso, ocorrem nos escritos de Paulo e de Lucas, seu discípulo.

Não certamente é preciso sublinhar a actualidade desta mensagem. Vemos, hoje, muitas pessoas dispostas a ser úteis aos outros, sem se considerarem «inúteis» diante de Deus. Por vezes encontramos pessoas dispostas a servir os outros, mas sem mostrarem vontade de assumir este comportamento evangélico, cheio de caridade, de absoluta gratuidade e de profunda humildade.

Fonte: F. Fonseca em “Dehonianos.org/portal/liturgia”