QUARTA-FEIRA – XXX SEMANA – TEMPO COMUM – ANOS PARES - 31 OUTUBRO 2018

PDFVersão para impressãoEnviar por E-mail
30Out2018
| Escrito por Assis

 

QUARTA-FEIRA – XXX SEMANA – TEMPO COMUM – ANOS PARES - 31 OUTUBRO 2018

Primeira leitura: Efésios 6, 1-9

Não só os esposos, mas também os pais e os filhos hão-de viver em recíproca submissão na comum obediência a Cristo (cf. 5,21). Os filhos hão-de lembrar-se do mandamento: «Honra pai e mãe» (Ex 20, 12ª). A obediência aos pais está relacionada com a obediência a Deus, que a ela liga a bênção, expressa em termos de fecundidade (v. 3; cf. Ex 20, 12b).
Aos pais é confiada a tarefa da educação dos filhos. Devem realizá-la com suavidade e cuidado, como servidores da obra de Deus (v. 4). É Ele que dá inspiração e orientação a essa educação.

Também as relações entre os escravos e os seus senhores recebem nova luz da mensagem cristã. Trata-se de relações entre pessoas «ambas» submetidas ao mesmo «Senhor» (v. 9b) que, sem qualquer favoritismo, reconhece e aprecia o bem realizado por cada um, e não o estado social que ocupa (v. 8).

Para escravos e senhores vale a palavra do Senhor: «Sempre que o fizestes a um dos meus irmãos mais pequenos, foi a Mim que o fizestes» (Mt 25, 40). Quando o escravo, obedecendo ao dono obedece a Cristo, o seu serviço adquire um valor religioso, que exclui o servilismo ou a busca de ambíguas recompensas (vv. 5-7). O dono, por seu lado, deve tratar o escravo como trataria a Cristo, isto é, com o coração animado pela caridade, sem arrogância nem autoritarismo (v. 9ª).

Evangelho: Lucas 13, 22-30

O sumário lucano do v. 22 introduz uma nova etapa da viagem de Jesus para Jerusalém. Jesus não responde directamente à pergunta com que abre a nova secção (v. 23), indicando o número dos que se salvam. Mas exorta a estar prontos e solícitos para acolher o Reino que vem. É urgente um compromisso total de todo o nosso ser e forças, como faríamos, se tivéssemos de entrar por uma porta estreita (v. 24). «Hoje» é o momento para esse compromisso: a salvação é o dom de Deus a que se adere fazendo o bem, e não simplesmente reclamando laços familiares com Jesus (vv. 25s.).

A imagem do banquete escatológico, em que participam todos os povos da terra (v. 29), manifesta a salvação oferecida a todos os homens e acolhida por muitos pagãos. Estes, os «últimos» a receber o anúncio do Evangelho, serão os «primeiros» a entrar no reino de Deus, enquanto Israel, o primeiro a ouvi-lo, se verá excluído dele, se não o acolher (v. 30).
A salvação não é questão de pertença étnica, mas de fé em Jesus. Não é o ser filhos de Abraão que assegura a salvação, mas o realizar as obras de Abraão (cf. Jo 8, 39) que, na esperança da redenção futura, acreditou e, pela fé foi reconhecido como justo (cf. Tg 2, 23).

No tempo de S. Paulo, a situação social não era melhor que a de hoje: havia escravos e senhores. E não se punha a questão social como se põe hoje, isto é, não se procurava melhorar a condição das classes mais miseráveis e maltratadas, como eram os escravos. De vez em quando, havia revoltas de escravos que eram simplesmente esmagadas. E tudo continuava como dantes. Hoje, pelo contrário, procura-se melhorar a sociedade.

S. Paulo não pensou em novas estruturas sociais, mas procurou transformar as existentes do modo mais profundo. E, se pensarmos bem, o seu método ainda continua a ser o mais decisivo. O papel da Igreja não é criar novas estruturas sociais e económicas, mas introduzir em todos os homens um espírito novo, animado pela consciência da igual dignidade de todos os homens e do amor de Cristo.

Na carta ao Efésios, Paulo prega uma igualdade de fundo. Diz aos escravos: «cada um, escravo ou livre, será recompensado pelo Senhor, conforme o bem que fizer» E diz aos senhores: «Vós, os senhores, fazei o mesmo para com eles… sabendo que para o Senhor…não há acepção de pessoas».

À igualdade fundamental corresponde a igualdade de comportamento. Depois de ter dito aos escravos que sejam obedientes aos senhores como a Cristo, prestando-lhes de boa vontade os serviços, como ao Senhor e não aos homens, Paulo exorta os senhores: «Fazei do mesmo modo para com eles» (v. 9). Esse modo é o «serviço». Os escravos devem servir alegremente os senhores e os senhores devem servir alegremente os escravos. Se assim não for, não terão feito algo de bom e serão julgados e condenados.
É uma verdadeira reviravolta. Paulo não prega a liberdade por meio das reivindicações: quer suscitar em todos a vontade de servir, de prestar um serviço que, no fundo, é serviço de Deus: «servi de boa vontade, como se servísseis ao Senhor» (v. 8). Se assim for, toda a sociedade mudará naturalmente e concretizar-se-á uma igualdade fundamental.

Esta é uma pregação mais difícil do que a da violência e das reivindicações. Mas é esta a perspectiva cristã, a única que corresponde à caridade divina: amar a todos, também aqueles contra quem temos de lutar. É esta a «porta estreita» pela qual Jesus nos convida a entrar: a porta estreita da caridade, que exige renúncia mas se abre à verdadeira vida, onde o coração se dilata até às dimensões de Deus.

Fonte: Adaptação local de um texto de  F. Fonseca em “dehonianos.org/portal/liturgia”