Sábado – XIII Semana –Tempo Comum – Anos Pares – 07.07.2018

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26Jun2018
| Escrito por Assis

 

Sábado – XIII Semana –Tempo Comum – Anos Pares – 07.07.2018

Primeira leitura: Amós 9, 11-15

O Livro de Amós, depois de tantas denúncias e acusações, depois de tão duras e amargas predições, termina com palavras de alento e de esperança. Deus usará graça e misericórdia para com Israel, e há preparar-lhe um futuro de harmonia e de paz. Deus voltará a erguer a esburacada e arruinada tenda de David. A restauração de Israel assume características claramente messiânicas, com imagens do mundo agrícola, da radicação na terra e da permanente residência nela. Comer e beber em paz, na própria terra, é uma imagem do futuro reconciliado de Israel.

Estamos perante um oráculo profético inspirado que reafirma claramente a graça, a fidelidade e a misericórdia infinita de Deus para com o seu antigo povo, mas também com o seu novo povo, e para cada um de nós.

Evangelho: Mateus 9, 14-17

Jesus apresenta-se como o Messias esperado. Na linguagem simbólica oriental, as bodas simbolizavam o tempo da salvação. A imagem de Deus-Esposo, e das bodas como tempo da salvação, é recorrente no Antigo Testamento, particularmente em Oseias e em Isaías. O que havia de realmente novo nas palavras de Jesus era que Ele se apresentasse, realizando na sua pessoa, o conteúdo de um símbolo utilizado por Deus para descrever a sua relação de amor com o povo eleito (cf. Os 2, 18-20; Is 54, 5-6).

A esperança de que Deus se mostraria a Israel como esposo fiel, como verdadeiro marido, estava realizada em Jesus. O que agora importava era fazer parte dos amigos do noivo para se alegrarem nas suas bodas. O acto de comer já não podia ser conotado com renúncia, sacrifício, luto. Passara o que era velho. Chegara a plenitude dos tempos. Na presença de Jesus, o esposo ressuscitado da Igreja, o jejum, como sinal de luto, não é atitude conveniente. Se o cristão jejua, é para manifestar a sua espera confiante no regresso do Senhor. Aliás, a morte do Ressuscitado é celebrada, não no jejum, mas no comer o pão e beber o vinho, até que Ele volte!

A novidade introduzida no mundo por Jesus é ainda significada pelas imagens do pano novo e do vinho novo. A sua mensagem só pode ser recebida por um mundo novo, por homens novos, isentos de preconceitos, que se deixem moldar pelo Espírito.

Passou o que era antigo. Mas isso não queria dizer que tudo o que era antigo não tivesse valor. Por isso, Mateus acrescenta: «Desta maneira, ambas as coisas se conservam» (v. 17).

Alegremo-nos com as esplêndidas promessas de Deus ao seu povo. Graças à sua misericórdia e generosidade infinitas, depois do castigo, vem a festa, vem a alegria. O último versículo do livro de Amós promete essa festa, essa alegria definitiva: «Hei-de plantá-los na sua terra, e nunca mais serão arrancados da terra que lhes dei!» (9, 15). 

A restauração de Israel e as núpcias de Cristo com a Igreja ligam-se intimamente com a eucaristia, como contexto em que é proclamada a leitura. A esperança de Israel realiza-se no mistério pascal do Filho de Deus. O jejum, como tensão para o banquete do fim dos tempos, é já totalmente possível, já autorizado, mas apenas como memória da morte do Senhor. O Crucificado ressuscitou, mas o Ressuscitado continua crucificado, com as suas chagas. O espaço para o jejum cristão já não é o da esperança de um evento absolutamente novo: este evento já está dentro da história. O jejum cristão, pelo contrário, tem a ver com a vigilância, a paciência, a reserva histórica, com o «ainda não» daquele «já» que, na cruz de Cristo, se afirmou de uma vez para sempre.
Fonte: Adaptação local de um texto de F. Fonseca em “dehonianos.org/portal/liturgia”