4ª -FEIRA - VII SEMANA - T C - ANOS ÍMPARES -

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26Fev2019
| Escrito por Assis

 

 

4ª -FEIRA - VII SEMANA - T C - ANOS ÍMPARES -

27 FEVEREIRO 2019

Primeira leitura: Ben Sirá 4, 12-22 (gr 11-19)

«A sabedoria toma sob a sua protecção aqueles que a buscam». O nosso texto fala-nos da sabedoria como de alguém que pode cuidar da nossa formação para uma vida feliz e recta. Mas é preciso procurá-la com afinco, abrir a mente e o coração aos seus preciosos ensinamentos. Se assim fizermos, ela guiar-nos-á para a vida, para a alegria e para a glória. Ensinar-nos-á a julgar com equidade e a viver tranquilos.
Mas a sua influência é particularmente preciosa na vivência da nossa relação com Deus:

«Os que a servem prestam culto ao Santo, e os que a amam são amados pelo Senhor» (v. 14).

Há uma forte aproximação entre a verdadeira sabedoria e a relação com Deus. Ao fim e ao cabo, a sabedoria é uma qualidade de Deus, uma das suas expressões. E só se alcança com esforço pessoal: «Antes de confiar nele, pô-lo-á à prova com os seus preceitos» (v. 17c.). A perseverança nas provações revelam a capacidade de se confiar à sabedoria, de se abandonar a ela, deixando-se conduzir por ela, deixando-se progressivamente "construir" por ela. Só assim será possível entrar na sua intimidade, conhecer-lhe os segredos.

O versículo 19 é um aviso: «Se ele se transviar, ela há-de abandoná-lo, e entregá-lo-á nas mãos da desgraça.» É preciso aceitar a pedagogia da sabedoria, mesmo que seja exigente e nos faça sofrer. Se assim não for, corremos o risco de fracassar e ser abandonados ao nosso destino.

Evangelho: Marcos 9, 38-40

Ao terminarmos a leitura do capítulo 9 de Marcos, podemos fazer um pequeno resumo de alguns temas: a fé dos discípulos é frágil, não é suficiente para expulsar demónios; os próprios discípulos têm a mania das grandezas, orgulhando-se diante daqueles que não pertencem ao grupo dos discípulos. Parece-lhes que só eles têm capacidade para realizar acções correspondentes aos ensinamentos de Jesus.

Mas o Mestre mostra que a sua missão e os seus ensinamentos não podem ser encerrados atrás de portas ou muros. O Espírito Santo sopra onde quer. Fazer prodígios «em nome» de Jesus, é actuar com liberdade, acolhendo o amor, e em total dependência de Deus, que não exclui ninguém. Os discípulos não podem pretender um monopólio absoluto sobre Jesus.

A Igreja deve estar aberta àqueles que não lhe pertencem expressamente, mas demonstram simpatia e benevolência em relação a ela. As exortações finais apresentam exactamente alguns princípios para a boa convivência comunitária.

As leituras de hoje apresentam-nos dois mestres excepcionais: a Sabedoria e Jesus. Estes dois mestres acabam por se identificar, porque a Sabedoria, em última análise, é o Verbo que, na plenitude dos tempos, assume carne humana da Virgem Maria. É Jesus.

Na primeira leitura a Sabedoria promete conduzir às fontes da alegria e do sucesso aqueles que a procuram, avisando que não se trata de uma tarefa fácil. É uma observação interessante para nós que queremos tudo "já" e "sem esforço".

Mas a própria vida nos ensina que, sem esforço, nada se alcança. Pensemos na vida dos atletas de alta competição! Mas a Sabedoria assegura a realização de quem a procura: «Os que amam a Sabedoria são amados pelo Senhor» (v. 14). Estar em sintonia com o Senhor é a máxima realização da existência.

No breve texto evangélico que hoje escutamos, os Apóstolos parecem sentir-se donos de Jesus e dos seus poderes. Por isso, não admitem que outros actuem em nome do Senhor: «Mestre, vimos alguém expulsar demónios em teu nome, alguém que não nos segue, e quisemos impedi-lo porque não nos segue» (v. 38). Para pertencer a Cristo, para seguir a Cristo, e agir em seu nome, é preciso estar com Ele.

Por isso julgam-se no direito de impedir que outros, que não fazem parte do grupo, usem o nome e os poderes de Jesus em vantagem própria. Mas não é isso que Jesus pensa: «Não o impeçais, porque não há ninguém que faça um milagre em meu nome e vá logo dizer mal de mim» (v. 39). Mais tarde pode voltar atrás e dizer mal do Senhor. Mas, no momento em que actua em Seu nome, está no bom caminho, e Deus alegra-se com isso.

Os Apóstolos pertencem a Jesus. Mas não têm monopólio sobre Ele, nem sobre a sua graça. Em vez de se irritarem por outros fazerem o bem em nome de Cristo, devem alegrar-se por Deus se dignar agir por meio dessas pessoas e em lugares que não pertencem ao rebanho do Senhor. É uma tentação em que também nós, os católicos, que sabemos estar na verdade, podemos cair.

Por vezes, temos dificuldade em admitir que Deus possa fazer o bem por meio de pessoas que não pertencem a Igreja e que até nem querem muito com ela. Mas Deus é livre de actuar onde, como e com quem quiser. Mais do que fechar-nos em ciúmes ou ressentimentos, há que abrir-nos à solidariedade: «Quem não é contra nós é por nós» (v. 40).

Havemos de ter por amigos todos os que fazem o bem, ainda que em outras circunstâncias venham a falar mal de nós. Deus derrama a sua graça sobre bons e sobre maus, e cada vez que isso acontece, pode estar a abrir-se um caminho para Cristo. Alegremo-nos com o bem, com todo o bem, venha donde vier, porque, qualquer passo no bem, aproxima de Deus. Peçamos ao Senhor largueza de vistas e... de coração!

Fonte: adaptação local de um texto de F. Fonseca em “dehonianos.org/portal/liturgia”