II ASSEMBLEIA DIOCESANA DA CIRM-CONFEREMO

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01Maio2012
| Escrito por D. Francisco Lerma Martinez

De 30 de Abril a 1 de Maio, no Centro de Espiritualidade de Milevane (Alto Molcue), os religiosos e religiosas da Diocese de Gur reuniram na sua II Assembleia Diocesana.

Eis a agenda de trabalho:

1. Informaes sobre a vida das comunidades e congregaes.

2. Reflexo sobre o tema "Vida Consagrada como entrega fraternidade", apresentado pelo Pe. Onorio Matti, SCJ, Vicrio Episcopal para a Vida Consagrada.

3. Relatrios das vrias comunidades sob o tema comum "Quedade atitude proftica, de um certo esmorecimento seja da vida interna da Igreja, como perante os desafios nos vrios momentos histricos, polticos e sociais".

4.Alm desta avaliao, olhando para a nossa Igreja do Gur, sinalizaram-se os pontos fortes que a caracterizam, mas tambm os pontos fracos e perigos emergentes que eventualmente podem dificultar ou at comprometer a fisionomia ministerial da nossa Igreja Local. A sintese das vrias intervenes ser apresentada brevemente ao Bispo.

5. Escolha da primeira Direco da CIRM-CONFEREMO da Diocese de Gur: Presidente: Irm Isaura Lino Soda, FHIC Vice Presidente: Pe. Renato Comastri, SCJ Secretria: Irm Teresa Suances, RAD

6. Encontro com o Sr. Bispo.

D. Francisco, em primeiro, apresentou uma reflexo sobre a Vida Consagrada, recordando as razes e fundamentos da mesma: enraizados no Mistrio Trinitrio, luz e origem. Na segunda parte da sua interveno, D. Francisco apresentou uma detalhada informao sobre a vida da Diocese e sobre a ltima Plenria da Conferncia Episcopal de Moambique (Maputo, 16 a 22 de Abril de 2021).

Esta II Assembleia Diocesana da CIRM-CONFEREMO da Diocese de Gur concluiu com a celebrao da Eucaristia presidida por D. Francisco Lerma, Bispo da Diocese. No fim, os participantes partilharam um fraterno convvio.

 

Descubrindo talentos

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30Abr2012
Actualizado em 09 Maio 2012 | Escrito por D. Francisco Lerma Martinez

DESCOBRINDO TALENTOS

A Escola Secundria Geral Eduardo Mondlane, situada no bairro Muela- Guru, Provncia da Zambzia em Moambique teve seu incio no ano de 2010 com uma classe nica de 8 com um nmero de 625 estudantes, destes, 16 alunos no sabiam ler e nem escrever, o que fazer?

Para no perde-los criamos uma sala especial onde ficaram o ano todo com um professor aprendendo a l e escrever e hoje, graas ao esforo de cada um, a dedicao do professor e o zelo da direo da escola, j esto fazendo a 9 classe.

Continuar... Descubrindo talentos

   

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29Abr2012
| Escrito por D. Francisco Lerma Martinez


SUBSDIOS PARA A CELEBRAO

I.- Hora Santa Vocacional-

Tema: Propor as vocaes na Igreja local

DIA MUNDIAL DE ORAO PELAS VOCAES. IV DOMINGO DE PSCOA

I. Acolhida

Animador: Amados irmos e amadas irms neste momento nos reunimos em comunho com toda Igreja para celebrar o Dia Mundial de Orao pelas Vocaes. Este o dia propcio para colocarmos em prtica o grande mandato de Jesus: peam ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita (Mt 9, 38). E, para darmos incio a este importante momento de f e comunho, invoquemos a Trindade Santa:

Em nome do Pai, em nome do filho e em nome do Esprito Santo. Amm!

Animador: Que a fora do Pai que nos criou, do Filho que nos salvou e do Esprito que nos congrega no amor, esteja sempre no meio de ns. Todos: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!

II. Canto (pode ser recitado em forma de salmo)

1. No meu corao sinto o chamado/ fico inquieto: preciso responder/ ento pergunto: Mestre onde moras? / e me responde que preciso caminhar/ seguindo teus passos, fazendo a histria construindo o novo no meio do povo.

Refro: Mestre, onde moras, Mestre, onde ests? /: No meio do povo, vem e vers!

Refro: Mestre, onde moras, Mestre, onde ests? /: No meio do povo, vem e vers! 2.Te vejo em cada rosto das pessoas,/ tua imagem que anima e faz viver./ No corao amigo e que se doa,/ no sonho do Reino a acontecer./: Teu Reino de justia; paz e amor;/ a Boa Nova da Libertao.

3. Tua Palavra abre novos horizontes/ convite de servio aos irmos/ a f me d coragem de assumir/ teu projeto nesta vida, neste cho/ meu sim a resposta, meu jeito de amar/ estar com teu povo e contigo morar.

Refro: Mestre, onde moras, Mestre, onde ests? /: No meio do povo, vem e vers!

III. A mensagem do Papa

Animador: Desde o primeiro Dia Mundial de Orao pelas Vocaes, que se realizou em 1964, todo ano o Papa publica uma mensagem que norteia os momentos orantes deste dia.

Leitor 1: A Orao pelas Vocaes uma bela ocasio para coloc-los diante da importncia das vocaes na vida e na misso da Igreja e para intensificarmos nossas oraes para seu crescimento em nmero e em qualidade.

Todos: Ajudai Senhor, a nossa comunidade a trabalhar e rezar mais pelas vocaes.

Leitor 2: O Venervel Papa Pio XII instituiu a Pontifcia Obra para as Vocaes Sacerdotais. Depois, em muitas dioceses, foram fundadas pelos Bispos obras semelhantes, animadas por sacerdotes e leigos, correspondendo ao convite do Bom Pastor, quando, ao ver as multides, encheu-Se de compaixo por elas, por andarem fatigadas e abatidas como ovelhas sem pastor e disse: A messe grande, mas os trabalhadores so poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe (Mt 9, 36-38).

Todos: Ajudai Senhor a nossa comunidade a ser um ambiente propcio para o surgimento de novas vocaes.

Leitor 3: A arte de promover e cuidar das vocaes encontra um luminoso ponto de referncia nas pginas do Evangelho, onde Jesus chama os seus discpulos para O seguir e educa-os com amor e solicitude. Objecto particular da nossa ateno o modo como Jesus chamou os seus mais ntimos colaboradores a anunciar o Reino de Deus (cf. Lc 10, 9).

Todos: Dai-nos Senhor, a coragem de sermos discpulos e missionrios do Vosso Filho.

Leitor 4: Para comear, v-se claramente que o primeiro acto foi a orao por eles: antes de os chamar, Jesus passou a noite sozinho, em orao, escuta da vontade do Pai (cf. Lc 6, 12), numa elevao interior acima das coisas de todos os dias.

Todos: Da Senhor, as nossas comunidades catequistas imbudos na edificao da f de seu membros.

Leitor 5: A vocao dos discpulos nasce, precisamente, no dilogo ntimo de Jesus com o Pai. As vocaes ao ministrio sacerdotal e vida consagrada so fruto, primariamente, de um contacto constante com o Deus vivo e de uma orao insistente que se eleva ao Dono da messe quer nas comunidades paroquiais, quer nas famlias crists, quer nos cenculos vocacionais.

Todos: Da Senhor, as nossas comunidades catequistas imbudos na edificao da f de seu membros.

Leitor 6: O empenho na promoo e cuidado das vocaes adquire plenitude de sentido e de eficcia pastoral, quando se realiza na unidade da Igreja e visa servir a comunho. por isso que todos os momentos da vida da comunidade eclesial a catequese, os encontros de formao, a orao litrgica, as peregrinaes aos santurios so uma ocasio preciosa para suscitar no Povo de Deus, em particular nos mais pequenos e nos jovens, o sentido de pertena Igreja e a responsabilidade em responder, com uma opo livre e consciente, ao chamamento para o sacerdcio e a vida consagrada.

(breve silncio)

IV. Salmo 40

Animador: Com este salmo demos graas ao Senhor que nos chamou a sermos instrumentos dele com Cristo para a Salvao do Mundo. Peamos que

ele venha em auxilio de nossa fraqueza e nos ajude na vivncia de nossa vocao e misso.

Todos o Refro: Eis-me aqui Senhor,/ eis-me aqui Senhor,/ pra fazer tua vontade, pra viver no teu amor. Pra fazer tua vontade, pra viver no teu amor, eis-me aqui Senhor.

1. Esperei ansiosamente por Jav : Ele se inclinou para mim, e ouviu o meu grito . Fez -me subir da cova fatal , do brejo lodoso; colocou meus ps sobre a rocha e firmou os meus passos ;

2. Ele ps em minha boca um cntico novo , um louvor ao nosso Deus . Vendo isso , muitos iro temer , e confiaro em Jav .

1. Feliz o homem que confia em Jav ! Ele no se volta para os soberbos , nem para os seguidores da mentira . Quantas maravilhas realizaste , Jav meu Deus ! Quantos projetos em nosso favor ! Ningum se compara a ti!

Quero anunci -los, falar deles , mas ultrapassam qualquer conta .

2. No queres sacrifcio , nem oferta , mas abriste os meus ouvidos . Tu no pedes holocausto pelo pecado . Ento eu digo : Aqui estou para fazer a tua vontade . Meu Deus , eu quero ter a tua lei dentro de minhas entranhas .

1. Anunciei a tua justia na grande assemblia e no fechei os meus lbios : Jav , tu o sabes . No escondi tua justia dentro do corao , falei da tua fidelidade e da tua salvao ; no ocultei teu amor e tua verdade diante da grande assemblia.

2. Quanto a ti, Jav , no negues tua compaixo por mim; teu amor e tua verdade sempre iro me proteger . Porque me rodeiam desgraas a no mais contar ; minhas culpas me atingem , e no posso fugir ; so mais que os cabelos da minha cabea , e o meu corao me abandona .

1. Jav , vem libertar -me, por favor ! Jav , vem depressa me socorrer ! Que fiquem envergonhados e confundidos aqueles que buscam perder a minha vida ! Recuem e fiquem envergonhados aqueles que tramam a minha desgraa ! Fiquem mudos de vergonha aqueles que se riem de mim!

2. Exultem e alegrem -se contigo , todos aqueles que te buscam ! Os que amam a tua salvao repitam sempre : Jav grande ! Quanto a mim, sou pobre e indigente , mas o Senhor cuida de mim. Tu s o meu auxlio e salvao . Meu Deus , no demores !

Glria ao Pai...

Todos o Refro: Eis-me aqui Senhor,/ eis-me aqui Senhor,/ pra fazer tua vontade, pra viver no teu amor. Pra fazer tua vontade, pra viver no teu amor, eis-me aqui Senhor.

V. Aclamao ao Evangelho

Refro: Fala Senhor, fala da vida, s tu tens palavras eternas queremos ouvir. (Bis)

VI. Evangelho

Mateus 28, 16 -20

VII. Silncio e Meditao

( importante proporcionar um instante de silncio para ajudar na interiorizao da Palavra e na reflexo pessoal de cada um).

VIII. Reflexo e partilha

O Senhor, no incio da sua vida pblica, chamou alguns pescadores, que estavam a trabalhar nas margens do lago da Galileia: Vinde e segui-Me, e farei de vs pescadores de homens (Mt 4, 19). Mostrou-lhes a sua misso messinica com numerosos sinais, que indicavam o seu amor pelos homens e o dom da misericrdia do Pai; educou-os com a palavra e com a vida, de modo a estarem prontos para ser os continuadores da sua obra de salvao; por fim, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai (Jo 13, 1), confiou-lhes o memorial da sua morte e ressurreio e, antes de subir ao Cu, enviou-os por todo o mundo com este mandato: Ide, pois, fazer discpulos de todas as naes (Mt 28, 19).

A proposta, que Jesus faz s pessoas ao dizer-lhes Segue-Me!, exigente e exaltante: convida-as a entrar na sua amizade, a escutar de perto a sua Palavra e a viver com Ele; ensina-lhes a dedicao total a Deus e propagao do seu Reino, segundo a lei do Evangelho: Se o gro de trigo cair na terra e no morrer, fica s ele; mas, se morrer, d muito fruto (Jo 12, 24); convida-as a sair da sua vontade fechada, da sua ideia de auto-realizao, para embrenhar-se noutra vontade, a de Deus, deixando-se guiar por ela; faz-lhes viver em fraternidade, que nasce desta disponibilidade total a Deus (cf. Mt 12, 49-50) e se torna o sinal distintivo da comunidade de Jesus: O sinal por que todos vos ho-de reconhecer como meus discpulos terdes amor uns aos outros (Jo 13, 35).

Tambm hoje, o seguimento de Cristo exigente; significa aprender a ter o olhar fixo em Jesus, a conhec-Lo intimamente, a escut-Lo na Palavra e a encontr-Lo nos Sacramentos; significa aprender a conformar a prpria vontade dEle.

IX. Canto

1 - Tu te abeiraste da praia, no buscaste nem sbios nem ricos. Somente queres que eu te siga.

REF: Senhor, tu me olhaste nos olhos, a sorrir, pronunciaste meu nome, l na praia, eu larguei o meu barco, junto a Ti buscarei outro mar.

2 - Tu sabes bem que em meu barco eu no tenho nem ouro nem prata, somente redes e o meu trabalho.

3 - Tu, minhas mos solicitas, meu cansao que a outros descanse, amor que almeja seguir amando.

4 - Tu, pescador de outros lagos, nsia eterna de almas que esperam, bondoso amigo que assim me chamas.

REF: Senhor, tu me olhaste nos olhos, a sorrir, pronunciaste meu nome, l na praia, eu larguei o meu barco, junto a Ti buscarei outro mar.

X. Preces

Animador: Supliquemos irmos e irms a Trindade Santa que acolha as nossas intenes, anseios e pedidos.

Todos: Ajudai-nos Senhor a viver a nossa vocao a servio da Igreja-misso.

1. Para que todas as pessoas que hoje se encontram em nossas comunidades, possam estar abertas a acolher o chamado da Trindade que convoca constantemente. Rezemos.

Todos: Ajudai-nos Senhor a viver a nossa vocao a servio da Igreja-misso.

2. Para que todas as comunidades, parquias e dioceses assumam com responsabilidade o servio vocacional, tendo em vista que o mesmo um dever de toda a Igreja. Rezemos.

3. Peamos a graa de compreender que, de um modo geral tudo Divina Vocao no mundo: vocao vida, vocao f e vocao santidade. Rezemos.

4. Para que se multiplique em nossas comunidades pessoas que queiram contribuir por meio da orao e do Servio de Animao Vocacional. Rezemos.

5. Aos sacerdotes para que sejam capazes de dar um testemunho de comunho com o Bispo e com os outros irmos no sacerdcio, para garantirem o hmus vital aos novos rebentos de vocaes sacerdotais. Rezemos

6. A capacidade de cultivar as vocaes sinal caracterstico da vitalidade de uma Igreja local. Ajudai-nos Senhor nesse servio em tua Igreja. Rezemos

TODOS: Pai Nosso

XII. Orao Final

Animador: Concluindo esta nossa celebrao do Dia Mundial de Orao pelas Vocaes, e sabendo que o Conclio Vaticano II recordou, explicitamente, que o dever de fomentar as vocaes pertence a toda a comunidade crist, que as deve promover sobretudo mediante uma vida plenamente crist

Rezemos juntos: Senhor da Messe e Pastor do Rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos teu forte e suave convite: "Vem e segue-me". Derrama sobre ns o teu Esprito, que ele nos d sabedoria para ver o caminho e generosidade para seguir tua voz.

Senhor, que a Messe no se perca por falta de Operrios e Operrias. Desperta nossas comunidades para a Misso. Ensina nossa vida a ser servio. Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino, como cristos leigos e leigas, consagrados e ministros ordenados.

Senhor, que o Rebanho no perea por falta de Pastores. Sustenta a fidelidade de nossos bispos, padres, diconos, consagrados, cristos leigos e leigas. D perseverana a nossos seminaristas e aos nossos vocacionados e vocacionadas. Desperta o corao de nossos jovens para o ministrio pastoral em tua Igreja. Senhor da Messe e Pastor do Rebanho, chama-nos para o servio de teu povo. Maria, Me da Igreja, modelo dos servidores do Evangelho, ajuda-nos a responder SIM. Amm.

XIII. Canto Final

REF.: Vai, vai missionrio do Senhor!/ Vai trabalhar na messe com ardor. / Cristo tambm chegou para anunciar, / no tenhas medo de evangelizar. 1. Chegou hora de mostrarmos quem Deus, / Amrica Latina/ e aos sofridos povos seus/ que passam fome, / labutam e se condoem, mas acreditam na libertao. 2. Se s cristo, s tambm comprometido. / Chamado foste tu/ e tambm foste escolhido / pra construo do Reino do Senhor. / Vai, meu irmo, / sem reserva e sem temor.

II.- MENSAGEM DO PAPA

MENSAGEM DO PAPA PARA O 49 DIA MUNDIAL DE ORAO PELAS VOCAES. 29.04. 2012

O 49 Dia Mundial de Orao pelas Vocaes, que ser celebrado no IV domingo de Pscoa convida-nos a reflectir sobre o tema As vocaes, dom do amor de Deus.

A fonte de todo o dom perfeito Deus, e Deus Amor ;quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele (1 Jo 4, 16). A Sagrada Escritura narra a histria deste vnculo primordial de Deus com a humanidade, que antecede a prpria criao. Ao escrever aos cristos da cidade de feso, So Paulo eleva um hino de gratido e louvor ao Pai pela infinita benevolncia com que predispe, ao longo dos sculos, o cumprimento do seu desgnio universal de salvao, que um desgnio de amor. No Filho Jesus, Ele escolheu-nos afirma o Apstolo antes da fundao do mundo, para sermos santos e irrepreensveis em caridade na sua presena(Ef 1, 4). Fomos amados por Deus, ainda antes de comearmos a existir! Movido exclusivamente pelo seu amor incondicional, criou-nos do nada (cf. 2 Mac 7, 28) para nos conduzir plena comunho consigo.

vista da obra realizada por Deus na sua providncia, o salmista exclama maravilhado: Quando contemplo os cus, obra das vossas mos, a Lua e as estrelas que Vs criastes, que o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes?(Sal 8, 4-5). Assim, a verdade profunda da nossa existncia est contida neste mistrio admirvel: cada criatura, e particularmente cada pessoa humana, fruto de um pensamento e de um acto de amor de Deus, amor imenso, fiel e eterno (cf. Jer 31, 3). a descoberta deste facto que muda, verdadeira e profundamente, a nossa vida. Numa conhecida pgina das Confisses, Santo Agostinho exprime, com grande intensidade, a sua descoberta de Deus, beleza suprema e supremo amor, um Deus que sempre estivera com ele e ao qual, finalmente, abria a mente e o corao para ser transformado: Tarde Vos amei, beleza to antiga e to nova, tarde Vos amei! Vs estveis dentro de mim, mas eu estava fora, e fora de mim Vos procurava; com o meu esprito deformado, precipitava-me sobre as coisas formosas que criastes. Estveis comigo e eu no estava convosco. Retinha-me longe de Vs aquilo que no existiria, se no existisse em Vs. Chamastes-me, clamastes e rompestes a minha surdez. Brilhastes, resplandecestes e dissipastes a minha cegueira. Exalastes sobre mim o vosso perfume: aspirei-o profundamente, e agora suspiro por Vs. Saboreei-Vos e agora tenho fome e sede de Vs. Tocastes-me e agora desejo ardentemente a vossa paz(Confisses, X, 27-38). O santo de Hipona procura, atravs destas imagens, descrever o mistrio inefvel do encontro com Deus, com o seu amor que transforma a existncia inteira.

Trata-se de um amor sem reservas que nos precede, sustenta e chama ao longo do caminho da vida e que tem a sua raiz na gratuidade absoluta de Deus. O meu antecessor, o Beato Joo Paulo II, afirmava referindo-se ao ministrio sacerdotal que cada gesto ministerial, enquanto leva a amar e a servir a Igreja, impele a amadurecer cada vez mais no amor e no servio a Jesus Cristo Cabea, Pastor e Esposo da Igreja, um amor que se configura sempre como resposta ao amor prvio, livre e gratuito de Deus em Cristo(Exort. ap. Pastores dabo vobis, 25). De facto, cada vocao especfica nasce da iniciativa de Deus, dom do amor de Deus! Ele que realiza o primeiro passo, e no o faz por uma particular bondade que teria vislumbrado em ns, mas em virtude da presena do seu prprio amor derramado nos nossos coraes pelo Esprito Santo (Rm 5, 5).

Em todo o tempo, na origem do chamamento divino est a iniciativa do amor infinito de Deus, que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. Com efeito como escrevi na minha primeira Encclica, Deus caritas est existe uma mltipla visibilidade de Deus. Na histria de amor que a Bblia nos narra, Ele vem ao nosso encontro, procura conquistar-nos at ltima Ceia, at ao Corao trespassado na cruz, at s aparies do Ressuscitado e s grandes obras pelas quais Ele, atravs da aco dos Apstolos, guiou o caminho da Igreja nascente. Tambm na sucessiva histria da Igreja, o Senhor no esteve ausente: incessantemente vem ao nosso encontro, atravs de pessoas nas quais Ele Se revela; atravs da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia(n. 17).

O amor de Deus permanece para sempre; fiel a si mesmo, promessa que jurou manter por mil geraes (Sal 105, 8). Por isso preciso anunciar de novo, especialmente s novas geraes, a beleza persuasiva deste amor divino, que precede e acompanha: este amor a mola secreta, a causa que no falha, mesmo nas circunstncias mais difceis.

Amados irmos e irms, a este amor que devemos abrir a nossa vida; cada dia, Jesus Cristo chama-nos perfeio do amor do Pai (cf. Mt 5, 48). Na realidade, a medida alta da vida crist consiste em amar como Deus; trata-se de um amor que, no dom total de si, se manifesta fiel e fecundo. prioresa do mosteiro de Segvia, que fizera saber a So Joo da Cruz a pena que sentia pela dramtica situao de suspenso em que ele ento se encontrava, este santo responde convidando-a a agir como Deus: A nica coisa que deve pensar que tudo predisposto por Deus; e onde no h amor, semeie amor e recolher amor (Epistolrio, 26).

Neste terreno de um corao em oblao, na abertura ao amor de Deus e como fruto deste amor, nascem e crescem todas as vocaes. E bebendo nesta fonte durante a orao, atravs duma familiaridade assdua com a Palavra e os Sacramentos, nomeadamente a Eucaristia, que possvel viver o amor ao prximo, em cujo rosto se aprende a vislumbrar o de Cristo Senhor (cf. Mt 25, 31-46). Para exprimir a ligao indivisvel entre estes dois amores o amor a Deus e o amor ao prximo que brotam da mesma fonte divina e para ela se orientam, o Papa So Gregrio Magno usa o exemplo da plantinha: No terreno do nosso corao, [Deus] plantou primeiro a raiz do amor a Ele e depois, como ramagem, desenvolveu-se o amor fraterno (Moralia in Job, VII, 24, 28: PL 75, 780D).

Estas duas expresses do nico amor divino devem ser vividas, com particular vigor e pureza de corao, por aqueles que decidiram empreender um caminho de discernimento vocacional em ordem ao ministrio sacerdotal e vida consagrada; aquelas constituem o seu elemento qualificante. De facto, o amor a Deus, do qual os presbteros e os religiosos se tornam imagens visveis embora sempre imperfeitas , a causa da resposta vocao de especial consagrao ao Senhor atravs da ordenao presbiteral ou da profisso dos conselhos evanglicos. O vigor da resposta de So Pedro ao divino Mestre Tu sabes que Te amo (Jo 21, 15) o segredo duma existncia doada e vivida em plenitude e, por isso, repleta de profunda alegria.

A outra expresso concreta do amor o amor ao prximo, sobretudo s pessoas mais necessitadas e atribuladas o impulso decisivo que faz do sacerdote e da pessoa consagrada um gerador de comunho entre as pessoas e um semeador de esperana. A relao dos consagrados, especialmente do sacerdote, com a comunidade crist vital e torna-se parte fundamental tambm do seu horizonte afectivo. A este propsito, o Santo Cura dArs gostava de repetir: O padre no padre para si mesmo; -o para vs [Le cur dArs. Sa pense Son cur( ed. Foi Vivante - 1966), p. 100].

Venerados Irmos no episcopado, amados presbteros, diconos, consagrados e consagradas, catequistas, agentes pastorais e todos vs que estais empenhados no campo da educao das novas geraes, exorto-vos, com viva solicitude, a uma escuta atenta de quantos, no mbito das comunidades paroquiais, associaes e movimentos, sentem manifestar-se os sinais duma vocao para o sacerdcio ou para uma especial consagrao. importante que se criem, na Igreja, as condies favorveis para poderem desabrochar muitos sins, respostas generosas ao amoroso chamamento de Deus.

tarefa da pastoral vocacional oferecer os pontos de orientao para um percurso frutuoso. Elemento central h-de ser o amor Palavra de Deus, cultivando uma familiaridade crescente com a Sagrada Escritura e uma orao pessoal e comunitria devota e constante, para ser capaz de escutar o chamamento divino no meio de tantas vozes que inundam a vida diria. Mas o centro vital de todo o caminho vocacional seja sobretudo a Eucaristia: aqui no sacrifcio de Cristo, expresso perfeita de amor, que o amor de Deus nos toca; e aqui que aprendemos incessantemente a viver a medida alta do amor de Deus. Palavra, orao e Eucaristia constituem o tesouro precioso para se compreender a beleza duma vida totalmente gasta pelo Reino.

Desejo que as Igrejas locais, nas suas vrias componentes, se tornem lugar de vigilante discernimento e de verificao vocacional profunda, oferecendo aos jovens e s jovens um acompanhamento espiritual sbio e vigoroso. Deste modo, a prpria comunidade crist torna-se manifestao do amor de Deus, que guarda em si mesma cada vocao. Tal dinmica, que corresponde s exigncias do mandamento novo de Jesus, pode encontrar uma expressiva e singular realizao nas famlias crists, cujo amor expresso do amor de Cristo, que Se entregou a Si mesmo pela sua Igreja (cf. Ef 5, 25). Nas famlias, comunidades de vida e de amor (Gaudium et spes, 48), as novas geraes podem fazer uma experincia maravilhosa do amor de oblao. De facto, as famlias so no apenas o lugar privilegiado da formao humana e crist, mas podem constituir tambm o primeiro e o melhor seminrio da vocao vida consagrada pelo Reino de Deus(Exort. ap. Familiaris consortio, 53), fazendo descobrir, mesmo no mbito da famlia, a beleza e a importncia do sacerdcio e da vida consagrada. Que os Pastores e todos os fiis leigos colaborem entre si para que, na Igreja, se multipliquem estas casas e escolas de comunho a exemplo da Sagrada Famlia de Nazar, reflexo harmonioso na terra da vida da Santssima Trindade.

Com estes votos, concedo de todo o corao a Bno Apostlica a vs, venerveis Irmos no episcopado, aos sacerdotes, aos diconos, aos religiosos, s religiosas e a todos os fiis leigos, especialmente aos jovens e s jovens que, de corao dcil, se pem escuta da voz de Deus, prontos a acolh-la com uma adeso generosa e fiel.

PAPA BENTO XVI


 

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24Abr2012
| Escrito por Assis
1 Sesso Plenria da CEM de 2012 A Conferncia Episcopal de Moambique (CEM) reuniu de 16 a 23 de Abril de 2012, no Seminrio Interdiocesano Filosfico de S. Agostinho da Matola, na sua 1 Sesso Plenria de 2012. Entre os assuntos principais da Agenda, destacamos: 1.- A reviso dos Estatutos da Universidade Catlica de Moambique (UCM); 2.- A situao dos Seminrios Maiores e Propeduticos; 3.- O Plano Pastoral da CEM para o prximo trinio. Foram tambm abordados os seguintes temas: a) a participao da CEM no prximo Snodo sobre a Nova Evangelizao, que se realizar no prximo ms de Outubro em Roma. Foi escolhido para este fim D. Adriano Langa, Bispo de Inhambane; b) a recepo da Exortao post-sinodal Africae Munus, marcada para toda frica para o dia 29 de Julho de 2012, Dia das Conferncias Episcopais de frica e de Madagscar; c) propostas para a celebrao do 20 aniversrio do Acordo Geral de Paz; d) realizao de mais um encontro de estudo a nvel da frica Austral sobre O trfico de seres humanos, no Centro das Irms Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceio, MOMEMO (Marracuene), de 14 a 19 de Maio prximo; e) em colaborao com a Conferncia de Religiosos e Religiosas de Moambique (Cirm/Conferemo), a criao de uma comisso de juristas para a aplicao do Acordo assinado recentemente entre a Santa S e o Estado de Moambique. O encerramento desta 1 Sesso Plenria da CEM, teve lugar na Parquia de S. Joo Baptista do Bairro Fomento, da Matola, com a celebrao da Eucaristia a que participou a comunidade local.
   

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