PDFVersão para impressãoEnviar por E-mail
05Jun2014
| Escrito por Assis

V Carta Pastoral de D. Francisco

PARTILHAR, CRESCER, CONSOLIDAR

Carta Pastoral sobre a Partilha de bens e a sustentabilidade econmica

INTRODUO

Os cristos e catecmenos da Diocese de Gur, seguindo os ensinamentos dos apstolos e o exemplo das primeiras comunidades crists (Act 2,44-47), queremos continuar a darmos passos significativos na partilha de bens para que a ningum lhe falte o necessrio para viver, para que ningum sofra sozinho e para consolidarmos a nossa Igreja local. Neste sentido que falmos do ministrio da Caridade, da Partilha (Contribuio Diocesana ou Dzimo) e de autonomia econmica das comunidades, das Parquias e da Diocese. Para a vida da Diocese e das suas Parquias, para organizao e vida das comunidades e para a realizao das suas actividades no podemos continuar a depender das ajudas vindas de fora. A sustentabilidade econmica a partir da nossa realidade local continua a ser uma das prioridades da nossa Igreja local.

No podemos mais ficar presos dependncia econmica do exterior para o sustento da nossa Igreja. A dependncia econmica no forma parte de uma boa administrao. Com a dependncia econmica nunca cresceremos.

Muitos ainda continuam a dizer que no tm dinheiro para entregar a partilha (contribuio diocesana ou dzimo). Muitas dessas desculpas nada mais so do que falta de conscientizao, de responsabilidade, de amor e de para com a prpria Igreja e para com os pobres. Ningum se desinteressa com os problemas da prpria famlia. A partilha (contribuio diocesana) desenvolve em ns o sentido de pertena nossa Igreja. um tema exigente, requer esclarecimento, compreenso, responsabilidade, generosidade, sentido de pertena e amor prpria igreja

Vamos avanar vivendo, crescendo e consolidando a nossa f e o nosso compromisso na partilha daquilo que somos e temos. No se trata de darmos passos gigantes pois no temos muitos recursos. Moambique continua a ser pobre aos nveis da pobreza absoluta e; e apesar de se encontrar entre os Pases que mais esto a crescer (por causa dos grandes projectos do carvo, do gs natural e do petrleo), encontra-se entre os pases mais pobres do mundo. Mesmo assim, pobres, sim que podemos fazer alguma coisa. Ningum to pobre que no tenha nada para partilhar. Jesus louvou a viva que deitou umas pequenas moedas nas ofertas do Templo. Elias tambm elogiou a viva que lhe ofereceu o pouco que tinha. Tambm ns podemos dar da nossa pobreza e partilharmos o pouco que temos, caminhando pouco a pouco rumo a autonomia econmica da nossa Diocese.

Conseguiremos este objectivo com a participao activa de todos os cristos e catecmenos. Para isso necessrio motivar, formar e informar todos os membros das comunidades, pois a Igreja somos todos ns. Trata-se de um assunto que nos pertence a todos. Ningum pode ficar excludo.

Se no estivermos convencidos de que se trata de um assunto da nossa famlia crist, ento no ser possvel a participao consciente, livre e generosa de todos. A Igreja somos ns e ningum de fora h-de vir a resolver os nossos problemas. Hoje mais do que nunca devemos dar sinais credveis de solidariedade entre os irmos e sinais de responsabilidade concreta para com a nossa Igreja.

Na II Assembleia Nacional de Pastoral, Matola 1-11.12.1991, e na II Assembleia Diocesana de Pastoral de Gur (Milevane 4-6.07.2002), nas suas concluses deram-se orientaes sobre a necessidade e urgncia de dar passos significativos nesta caminhada. E nas Concluses da VI Assembleia Diocesana de Pastoral (Gur 11 14.03.2011) decidiu-se que o tema da Sustentabilidade econmica devia ser um tema permanente durante o Trinio Pastoral (2012 2014), dando orientaes concretas para serem implementadas durante estes trs anos. Trata-se do caminho que encontramos nas Orientaes Diocesanas.

Vejamos a seguir alguns pontos mais importantes para a reflexo e a compreenso deste tema. Podem servir-nos como guia para o estudo.

I.- O QUE A ECONOMIA

1. A palavra economia

A palavra economia significa: boa administrao das coisas da casa, isto , administrar bem os bens, pr em ordem e tratar bem tudo o que se possui.

A economia envolve o que diz respeito a administrao dos bens que se possuam: dinheiro, terrenos, casas, trabalho, produo, comercializao (compras e vendas dos produtos), negcios, emprstimos e poupanas, isto , guardar algum dinheiro ou depositar nos Bancos para garantir o futuro e melhorar as condies de vida. A economia se preocupa de como administrar os bens pessoais, familiares, comunitrios, paroquiais, diocesanos, de uma empresa, de um grupo de pessoas e at a administrao dos bens da Nao.

A economia serve para ajudar as pessoas a administrar da melhor maneira o que se possui em ordem a uma boa organizao a prpria vida e a do grupo a que se refere, faz-la funcionar bem consoante a prpria finalidade, e aumentar os prprios recursos, os prprios bens. Desta maneira garanta-se as condies de vida, melhora-se e consolida-se. Facilmente podemos compreender como necessrio e importante ter uma boa economia na vida das pessoas, nas suas famlias e na sociedade e na Igreja.

2. O poder do dinheiro

A Economia tambm tem outra cara.

No nosso tempo o poder do dinheiro que faz mudar o corao das pessoas; o poder do dinheiro que influencia o desenvolvimento dum pas. o poder do dinheiro que determina a vida das pessoas e dos pases. Por isso muito importante a economia a nvel de todo o pas. A este nvel, o dinheiro tambm pode ser bem o mal usado.

Todos devemos participar nos bens destinados a todos, em vez de ser criar grandes distncias num mesmo pas entre cidados muito ricos e cidados muito pobres. Uns cidados que tm tudo e nada lhes faltam; e outros cidados que apenas tm o necessrio para subsistirem. Os pobres ficam cada vez mais pobres e os ricos tornam-se cada vez mais ricos (PAULO VI, O Progresso dos Povos, n 8; JOO PAULO II, A Solicitude Social, nn. 21-22).

3. A boa administrao

Administrar no apenas dar destino aos recursos financeiros (ao dinheiro) mas sobretudo gerenciar da melhor maneira as entradas (as receitas ou todo o dinheiro que se recolhe das ofertas e das actividades) e as sadas, isto , usar o dinheiro recebido segundo as orientaes estabelecidas e programadas.

Administrar justamente tambm prestar contas do que foi feito, das entradas e das sadas realizadas, e, ao mesmo tempo, informar a comunidade sobre o que foi recebido e o que foi feito com o dinheiro recolhido. Todos devem conhecer a situao econmica.

Eis em resumo as actividades principais numa s economia: conduzir e coordenar a administrao dos bens da comunidade; elaborar anualmente o oramento (o que que queremos fazer para ano e onde vamos buscar o dinheiro necessrio para esse objectivo); administrar os recursos existentes (o dinheiro recebido e produzido pelas actividades) de maneira equitativa segundo o estabelecido no oramento anual; Prestar contas ao povo, comunidade: a administrao deve ser transparente, clara e acessvel.

A contabilidade muito importante: manter actualizada a contabilidade (ter um livro prprio e escrever todos os movimentos realizados). Deve-se ter arquivado os comprovantes de recebimento e de entrega da partilha/contribuio diocesana bem como os documentos que justifiquem todas as sadas realizadas na caixa

Como administrar de uma maneira competente a economia (os bens) das comunidades?

Que fazer para que todos se sintam responsveis e participem na partilha/contribuio diocesana?

Como alcanar o corao dos mais endurecidos?

Como manter a comunidade unida tambm neste assunto da partilha/contribuio diocesana?

Alm das ofertas dos cristos, como desenvolver alguns projectos para melhorar a nossa economia?

Em caso de escndalos, desvios ou de outros problemas neste assunto da economia, o que fazer?

Para responder a todas e mais outras perguntas o que intentamos fazer nesta reflexo.

II.- NA SAGRADA ESCRITURA

No Antigo Testamento todos participavam alegremente

A Bblia no um livro de estudos tcnicos sobre o uso do dinheiro, mas ensina-nos os valores que nos devem orientar na administrao dons bens. Eis os ensinamentos mais significativos que encontramos no Antigo Testamento

  • Os bens so um dom de Deus para todos os seus filhos;

  • Toda a pessoa tem direito ao necessrio para viver com dignidade;

  • Acumular riquezas que no beneficiam toda a sociedade um pecado social que brada aos cus;

  • A verdadeira f em Deus leva ao desprendimento e justia em relao aos irmos: socorrer os pobres, para que todos possam ter parte nos bens da terra.

Encontramos todo o povo a participar na organizao do culto, na construo do templo e, depois do exlio, na sua reconstruo, bem como na contribuio do dzimo. O povo oferecia alegremente e com generosidade. No eram s alguns os que contribuam, mas todos: os chefes e os simples, homens e mulheres, todos os que tinham um corao generosos.

Ao mesmo tempo aparecem as injustias, a acumulao de riquezas, como sinal de poder, de prepotncia e, sobretudo, de escravido dos pobres. Por isso que os Profetas levantaram a sua voz para condenar tais abusos e injustias.

Podemos ler e reflectir os ensinamentos que encontramos nos seguintes textos:

Ex 35,20-29; Dt 12,6-7;14,22;1 Cron 29,1-9; Am 5,10-15; 8, 4-7).

Jesus ensina-nos a partilhar

Jesus, com o gesto do milagre dos pes (Jo 6,1-15), prope com este gesto a misso da comunidade: Ser sinal de amor generoso de Deus, assegurando para todos a possibilidade de subsistncia e de dignidade. A segurana da subsistncia no est no muito que poucos possuem e retm para si egoisticamente, mas no pouco de cada um. que repartido entre todos.

A generosidade da viva de Sarepta com o Profeta Elias no Antigo Testamento (1 Reis 17,10-16), e a oferta da viva que deitou apenas umas pequenas moedas no tesouro do templo (Mc 12,41-44), indicam-nos claramente que as ofertas dependem do amor e da generosidade que a pessoa tiver no seu corao.

Jesus tambm ensinou a atitude perante o uso da riqueza, da generosidade para com os pobres, o sentido e o uso dos bens materiais. As relaes econmicas que devem vigorar numa sociedade que acredita em Deus so as relaes de doao total, e no as relaes baseadas no suprfluo.

- O rico e o pobre (Lc 16, 19-31); o jovem rico: o Reino dom e partilha (19,16-30; Lc18,18-30); as bem-aventuranas (Mt 5,1-12); o samaritano (Lc 10,29-37); a oferta da viva (Mc 12,41-44) e o juzo final (Mt 25,31-46) so os textos, entre outros, mais significativos dos ensinamentos de Jesus.

O exemplo e os ensinamentos do Apstolo Paulo

O Apstolo Paulo, evangelizador e fundador de comunidades, nas suas viagens apostlicas deixou-nos ensinamentos e exemplos sobre o tema que estamos tratando. Apesar do tempo passado, tais exemplos e ensinamentos so ainda hoje actuais e sevem-nos como orientao e guia na organizao das nossas comunidades: na unio e comunho entre os cristos, na colaborao de todos nas despesas da comunidade, no uso do dinheiro, na solidariedade e na partilha dos bens.

Perguntemo-nos: de que viviam as primeiras comunidades? O prprio S. Paulo e os outros Apstolos, de que viviam? Como se comportavam e se ajudavam os primeiros cristos? Que faziam com os que passavam alguma necessidade?

Ao lermos as Cartas e os Actos dos Apstolos podemos encontrar as respostas mais adequadas a essas perguntas que tantas vezes nos fazemos. As respostas correspondem sempre a situaes muito concretas deferentes, como lgico, s nossas situaes, mas so sempre respostas de comunho, de amor concreto e de responsabilidade com tudo o que interessa comunidade. Ningum se desinteressa com os problemas da comunidade. Todos colaboram com esprito de famlia.

Normalmente as comunidades se encarregavam pelo sustento dos apstolos. O prprio S. Paulo afirmou, para ele e para Barnab, o direito de viver da ajuda, isto , da partilha de bens da comunidade:

Se semeamos bens espirituais em vs, ser muito colher bens materiais de vs? Se outros exercem sobre vs tal direito, porque no o poderamos ns, e com maior razo? Todavia, no usamos esse direito. Pelo contrrio, tudo suportamos para no criar obstculo ao Evangelho de Cristo. No sabeis que aqueles que desempenham funes sagradas vivem dos rendimentos do templo? E que aqueles que servem ao altar tm parte no que oferecido sobre o altar? Da mesma forma, o Senhor ordenou que aqueles que anunciam o Evangelho vivam do Evangelho (1 Cor. 9, 11-14).

Apesar dessas afirmaes, o Apstolo Paulo comportava-se de modo diferente consoante as situaes concretas em que se encontravam as comunidades. No seu comportamento, vezes no usou nem imps a norma anterior naquelas comunidades que no compreendiam tais ensinamentos. Nesses casos, sem o negar, no usou de tal direito, e preferiu ganhar-se a vida com o prprio trabalho:

Com tudo, no tirei vantagem dos meus direitos. E agora no estou a escrever para reclamar coisa alguma. Antes morrer queNo (1 Cor. 9,15).

Vs sabeis como deveis imitar-nos: ns no ficamos sem fazer nada quando estivemos entre vs, nem pedimos a ningum o po que comemos; pelo contrrio, trabalhamos cm fadiga e esforo, noite e dia, para no sermos de peso para nenhum de vs (2 Tes. 3, 7-8).

Como bem podemos compreender, Paulo no reivindica nenhum direito. No considera o seu ministrio coo profisso da qual poderia tirar proveito e prestgio, mas como misso, na qual o Senhor o empenhou pessoalmente. Ele tornou-se disponvel e solidrio para com todos.

S. Paulo ensina tambm que Deus ama a quem da com alegria e no constrangido:

Cada um d conforme decidir o seu corao, sem pena ou constrangimento, porque Deus ama quem d com alegria (2Cor 9,7). A questo econmica tambm fazia parte do testemunho cristo A partilha e solidariedade em favor dos mais pobres era sinal de unidade entre as diversas comunidades, um autntico vnculo de comunicao do dom extraordinrio de Deus (v. 15) e de obedincia ao Evangelho de Cristo (13).

Ao mesmo tempo ensina a solidariedade entre as comunidades:

Quanto colecta em favor dos irmos, fazei o mesmo que ordenei s Igrejas de Galcia. No primeiro dia da semana, cada um coloque de lado aquilo que conseguiu economizar; deste modo, no precisareis de esperar que eu chegue para fazer a colecta (1 Cor 16, 1-2). Ler tambm os captulos 8 e 9 da 1 Cata aos Corntios que trata da generosidade e da boa vontade dos cristos da Macednio apesar da sua pobreza: Quando existe boa vontade, somos bem aceites com os recursos que temos, pouco importa o que no temos (2 Cor 8,12).

Quais so os ensinamentos que podemos tirar do comportamento do Apstolo Paulo? Como nos podem orientar na vida das nossas comunidades actualmente?

  • S. Paulo apela-se responsabilidade e solidariedade de todos para com a vida e as actividades da comunidade. Entre todos devemos carregar o peso de tudo o que for necessrio fazer.

  • Os que trabalham exclusivamente (a tempo inteiro) evangelizao vivem do Evangelho, isto , vivem da solidariedade dos membros da Igreja, da partilha dos bens das comunidades.

  • Ao mesmo tempo, sempre que for necessrio por causa da situao concreta da prpria comunidade ou por falta de compreenso e responsabilidade, os que exercem ministrios trabalhem com esprito de gratuidade e generosos e vivam do trabalho das prprias mos.

  • Temos que contribuir com sentido de responsabilidade, com amor generoso e com alegria.

O exemplo das primeiras comunidades crists

Os primeiros cristos, fiis aos ensinamentos dos Apstolos, ponham tudo o que tinham em comum, serviam-se segundo as necessidades de cada um e da prpria comunidade. A partilha de bens supera a explorao e a corrupo e o esprito de comunho gera concrdia fraterna e partilha de bens. Meditemos o que os Actos dos Apstolos nos transmitem a este respeito:

Todos os que abraaram a f eram unidos e colocavam em comum todas as coisas; vendiam as suas propriedades e os seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um. Diariamente todos juntos frequentavam o Templo e nas casas partiam o po, tomando o alimento com alegria e simplicidade de corao. Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo (Act 2,44-47).

A multido dos fiis era um s corao e uma s alma. Ningum considerava propriedade particular as coisas que possua, mas tudo era posto em comum entre eles (Act 4,32).

Entre eles ningum passava necessidade, pois aqueles que possuam terras ou casas vendiam-nas, traziam o dinheiro e colocavam-no aos ps dos Apstolos; depois, era distribudo a cada um conforme a sua necessidade (Act 4,34-35).

Podemos j dizer alguma coisa sobre a economia crist das primeiras comunidades partindo da leitura dos textos referidos:

  • O fundamento: os cristos viviam unidos na orao, na celebrao, na partilha de mesma f.

  • As consequncias da unio: Vendiam o que tinham e ponham em comum o que possuam.

  • A partilha de bens: dividiam os bens e partilhavam-nos entre todos de acordo com as necessidades de cada um e da comunidade.

Efectivamente, na Igreja primitiva encontramos o esprito de partilha de bens espirituais, em primeiro lugar, e como consequncia a partilha de bens materiais como maneira prtica e muito concreta de socorrer as necessidades das comunidades e dos seus membros.

Tudo isto ensina-nos que a economia vivida pelas primeiras comunidades a resposta organizada s necessidades de cada pessoa com o respeito e a justia devidos sua dignidade. Os bens so partilhados conforme as necessidades reais da comunidade e no segundo a esperteza de cada um.

Jesus, na multiplicao dos pes (Lc 9, 10-17), indica-nos o caminho que devem seguir os seus discpulos: o caminho da solidariedade e da partilha.

Sobre este tema da solidariedade o Papa S. Joo Paulo II escreveu o seguinte:

A prtica da solidariedade no interior de cada sociedade vlida, quando os seus membros se reconhecem uns aos outros como pessoas. Aqueles que contam mais, dispondo de uma parte maior de bens e de servios comuns, ho-de sentir-se responsveis pelos mais fracos e estar dispostos a compartilhar com eles o que possuem. Por seu lado, os mais fracos, na mesma linha de solidariedade, no devem adoptar uma atitude meramente passiva ou destrutiva do tecido social; mas, embora defendendo os seus direitos legtimos, fazer o que lhes compete para o bem de todos. Os grupos intermdios, por sua vez, no deveriam insistir egoisticamente nos seus prprios interesses, mas respeitar os interesses dos outros (Encclica A Solicitude Social , 39).

III.- A SUSTENTABILIDADE NA TRADIO IGREJA

A Igreja, fiel ao exemplo e aos ensinamentos apostlicos e das primeiras comunidades manteve nas suas leis a dever de cada cristo em contribuir para as despesas necessrias para a vida da Igreja, para as suas actividades e para a ajuda aos mais necessitados.

Na catequese aprendemos que o cristo tem o dever de contribuir para as necessidades da Igreja. Eis o que nos diz o 5 Preceito da Igreja: Contribuir para as necessidades materiais da Igreja segundo as possibilidades.

Tal ensinamento encontramo-lo nas Leis da Igreja (Cdigo de Direito Cannico 222: Os fiis tm a obrigao de prover s necessidades da Igreja, de forma que ela possa dispor do necessrio para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para a honesta sustentao dos seus ministros. Tm ainda a obrigao de promover a justia social e, lembrados do precito do Senhor, de auxiliar os pobres com os seus prprios recursos.

Com tais ensinamentos a Igreja assinala e recorda-nos dois deveres especialmente importantes para os cristos de sempre e de hoje que recebem uma maior fora e urgncia pelo mandato novo de Jesus (Jo 13,34) e pelo exemplo dos primeiros cristos.

Se formos fiis cumpridores desses preceitos e ensinamentos, as comunidades podero dispor do necessrio para construir as suas capelas, realizar os seus encontros de formao, celebrar a liturgia, ter os livros necessrios para a catequese e para as celebraes, ajudar pobres, colaborar nas despesas gerais da Diocese e das Parquias, na formao dos futuros Padres e at organizar as suas festas.

Muitos anos atrs, em 1891, o Papa Leo XIII escreveu o seguinte: , portanto, urgente que as Igrejas particulares de frica se proponham o objectivo de chagar quanto antes a prover s suas necessidades assegurando desse modo a sua auto-suficincia (Papa Leo XIII, Encclica Rerum Novarum, n 43).

Os Bispos, reunidos no Conclio Vaticano II, tambm deram orientaes sobre este assunto afirmando que A comunidade crist deve, desde o seu nascimento, constituir-se de tal maneira que possa providenciar por si mesma s suas necessidades (Decreto Ad Gentes, n 15).

Desde h muitos anos os Bispos de Moambique tm vindo a propor aos cristos a autonomia econmica, pois a Igreja em Moambique no pode continuar a ser criana e a depender absoluta e permanentemente da ajuda dos cristos de outros pases. Mesmo que sejamos pobres, temos que caminhar com as nossas prprias foras, dando pequenos passos que sero sempre nossos passos rumo ao crescimento e consolidao da nossa Igreja, uma Igreja adulta. Chegou o momento de assumirmos com as duas mos esta responsabilidade. Da nossa pobreza sempre podemos partilhar algumas coisas.

Nessa mesma linha de pensamento, encontramos os ensinamentos do Papa So Joo Paulo II: Os Padres Sinodais puseram em relevo a exigncia de que cada comunidade crist seja posta em condies de prover por si s, na medida do possvel, s suas necessidades. Alm de pessoal qualificado, a evangelizao requer tambm meios materiais e financeiros notveis, e as dioceses, no raro, esto bem longe de poder dispor deles em medida suficiente. , portanto, urgente que as Igrejas particulares de frica se proponham o objectivo de chegar quanto antes a prover elas mesmas s suas necessidades, assegurando desse modo a sua auto-suficincia. Por conseguinte, convido encarecidamente as Conferncias Episcopais, as dioceses e todas as comunidades crists das Igrejas do Continente, a empenharem-se, no que for da sua competncia, para que esta auto-suficincia se torne cada vez mais uma realidade. (JOO PAULO II, Exortao Ps-Sinodal Igreja em frica n 104).

IV.- O QUE ACONTECEU E O QUE ACONTECE ENTRE NS?

Na nossa reflexo, chegou o momento de interrogarmo-nos: o que que acontece entre ns que no conseguimos avanar? Continuamos a negar a nossa partilha e a nossas responsabilidades para com as necessidades da Igreja. Dizemos que somos pobres e que no temos dinheiro e mais outras desculpas. Muitos at dizem que a partilha/contribuio diocesana um imposto e que a Igreja no pode obrigar a pagar impostos. s vezes assistimos a escndalos dentro da prpria comunidade e entre os responsveis (falta de informao, desvios, enganos), o que desperta desconfiana e pouca credibilidade entre os cristos. O que que acontece para no aceitar os nossos compromissos para com as despesas da igreja?

Os primeiros missionrios no encontraram comunidades crists organizadas como as que temos agora nem grande nem pequeno nmero de cristos, pelo que eles no falaram nem pouco nem muito deste assunto da sustentabilidade econmica nem no apoio dos primeiros baptizados para com as necessidades das antigas misses. Eles viviam, trabalhavam, construram, conseguiam os meios de transporte e o necessrio para a sua vida com trabalho e com a ajuda dos cristos dos seus pases de origem.

O caminho seguido nessa primeira fase da evangelizao se, por uma parte fi necessrio e deu os seus frutos; por outro lado deu origem a um forte paternalismo e dependncia absoluta que ainda hoje muito forte. um obstculo que no nos deixa caminhar e muito difcil de superar. Para qualquer actividade seja a que for (livros, construes de capelas, cursos de formao, manuteno dos seminrios, sustentabilidade dos Padres e das Parquias, meios de transporte) muitos pensam que isso no com eles directamente, so coisas do Bispo ou de outros responsveis de fora. Desta maneira continuamos a ser igreja criana que no sabe caminhar com as prprias foras.

Estos sempre a lembrar os tempos passados dos primeiros missionrios e custa-nos aceitar que os tempos mudaram: ns j crescemos; a igreja somos ns; toca a ns assegurar as despesas da igreja; colaborar com as despesas da Igreja e entregar a nossa partilha/contribuio diocesana no um imposto; um assunto que nos pertence a cada cristo e a cada catecmeno; um assunto da nossa famlia de baptizados; todos devemos assumir esta responsabilidade e este amor concreto com sentido de pertena a esta famlia. necessrio dar este passo avante para crescer e consolidar a nossa Igreja e assim poder anunciar e testemunhar o Evangelho de Jesus. Temos que acompanhar este tempo novo seguindo o caminho traado pelas Orientaes Diocesanas.

Se continuarmos a olhar para o passado e ter saudades da dependncia das ajudas vindas de fora, as nossas comunidade e a nossa prpria diocese nunca ho de ter os meios necessrios para a sua existncia e para as suas actividades; no poderemos evangelizar adequadamente, pois sempre estaremos espera de algum de fora que nos garanta as nossas actividades. Se continuarmos assim nunca teremos os Padres nem as Irms que precisamos, nunca teremos os livros e as capelas necessrias; nunca realizaremos os cursos de formao que tanta falta nos faz; nunca teremos as mnimas condies para a consolidao da nossa Igreja e para a evangelizao. Seremos, isso sim, como um adulto que cresceu mas continua a comportar-se como criana.

V.- A SUSTENTABILIDADE NA IGREJA EM MOAMBIQUE

Os passos que ns, na Diocese de Gur, queremos dar em vista da autonomia econmica, so os mesmos passos que querem dar as outras Dioceses de Moambique. Algumas j avanaram bastante; outras, porm, esto a demorar. E ns? Alguns passos j foram dados por muitos cristos. Mas ainda h outros que no aceitam ou se aceitam no assumem na prtica esta responsabilidade. Precisamos de continuar a mudar de mentalidade e todos conscientizarmo-nos, esclarecendo bem os motivos que nos levam a sermos responsveis pela manuteno da nossa Igreja. Precisamos de acelerar o ritmo desta caminhada.

Eis os passos dados a nvel nacional:

II Assembleia Nacional de Pastoral

A II Assembleia Nacional de Pastoral (Matola 1991), reflectindo sobre a sustentabilidade da Igreja local, indicou este assunto como um dever de todos os cristos e como um dos aspectos fundamentais para a consolidao da Igreja em Moambique. Aquela Assembleia apontou os caminhos que se deviam seguir. Vejamos resumidamente alguns pontos mais importantes:

N 36: A Igreja precisa de recursos econmicos e meios financeiros para o desenvolvimento das suas actividades, conservao e manuteno do seu pessoal e instituies, bem como para as obras e actos de beneficncia.

NN 37-38: Causas da situao de pobreza.

N 39: A igreja encontra-se dependente economicamente do estrangeiro, o que condiciona o seu crescimento e a sua consolidao, a sua opo e realizao e a sua opo pastoral.

N 40: Causas de dependncia econmica: o paternalismo e a mentalidade assistencialista.

N 41: Caminhos apontados, entre outros: a formao da conscincia do povo; a responsabilidade pela sua autonomia a todos os nveis; a criao dos Conselhos Econmicos; a formao dos responsveis; a programao, a informao e a transparncia na gesto dos bens da igreja; o dever de todos se conscientizar e assumirem as suas responsabilidades; o restabelecimento e actualizao das contribuies; e o estabelecimento de um modelo comum para todo Moambique.

III Assembleia Nacional de Pastoral

Na III Assembleia Nacional de Pastoral (Matola 2005), tratou-se novamente da sustentabilidade e autonomia econmica:

N 117: No devemos esperar at sermos ricos ara s depois comearmos a contribuir em benefcio da nossa igreja ou dos necessitados; seria tarde para aprendermos. Andar aprende-se enquanto se pequenino, como nos ensinam as vivas da Sagrada Escritura (1 Rs 17,10-16 e Mc 12,41-44).

N 122: Os exemplos das vivas aqui citadas devem-nos animar a encontrar maneiras para sairmos da ideia de que fomos feitos para estarmos de mo estendida e que os outros que devem nos ajudar. Na pobreza a disponibilidade, a generosidade, a confiana e o esprito de entrega so necessrios para que possamos fazer coisas aos olhos de Deus e ajudarmos os outros. A superao da pobreza material no tudo. necessrio que isto acontea, sim, mas tendo sempre presente a elevao do homem categoria de Filho de Deus.

Em ordem a todos compreenderem bem a assumirem responsavelmente as suas obrigaes como membros da igreja neste assunto da sustentabilidade da comunidade e em pr em prtica o que for necessrio e se estabelece na Diocese, bom que as Parquias desenvolvam encontros de formao com os animadores dos ministrios e com todos os cristos. Tais encontros devem ter em conta os ensinamentos contidos nas Assembleias Nacionais de Pastoral que aqui resumimos para facilitar a sua compreenso.

VI.- A ECONOMIA NA DIOCESE DE GUR: COM FAZ-LA CRESCER

II Assembleia Diocesana de Pastoral

De 4 a 6 de Julho de 2002, em Milevane, realizou-se a II Assembleia Diocesana de Pastoral, presidida por D. Manuel Chuanguira Machado, primeiro Bispo de Gur, sob o tema A Economia Diocesana: Como faz-la crescer.

Os participantes estudaram o tema proposto e chegaram a certas concluses em ordem a procurar caminhos concretos e prticos muito significativos na soluo do problema econmico da nossa Igreja.

Na homilia de abertura dos trabalhos da Assembleia, D. Manuel Chuanguira pronunciou-se nos seguintes termos:

A contribuio em dinheiro ou noutros bens materiais, o sacrifcio que nos pedido para fazer crescer a economia da nossa igreja, no e uma realidade nova na igreja; nem uma inveno do Bispo e dos seus Padres, como muitos cristos pensam; mas uma exigncia da f. um imperativo que assumimos com o nosso Baptismo. Sabemos que muitas pessoas no colaboram nos trabalhos das comunidades nem contribuem para a Caixa da Diocese porque dizem que so pobres. Mas no h ningum que seja to pobre e que no tenha nada a dar. Irmos, devemo-nos unir no trabalho para fazermos crescer a nossa economia.

Eis as concluses a que chegaram na referida Assembleia:

  • As comunidades tenham machambas comunitrias, para enfrentarem as despesas da comunidade;

  • Haja uma s Caixa para a qual todos devem contribuir;

  • Se estabelea uma ordem de prioridades nas despesas: - guardar e administrar o dinheiro; - usar o dinheiro para as festas com critrios; - o apoio aos padres e diocese pode ser com produtos ou dinheiro; - a contribuio anual diocesana no um imposto, mas colaborao nas despesas necessrias da Diocese; subsdio mensal para os padres que esto fora do Servio Nacional de Educao; apoio s despesas dos Seminrios; - funcionamento do Secretariado Diocesano de Pastoral; - apoio s despesas gerais da diocese (transporte, arranjo de carros, casa diocesana); - contribuies anuais para a CEM (Conferncia Episcopal de Moambique), IMBISA (Conferncias Episcopais da frica Austral) e SECAM (Conferncias Episcopais de frica e Madagascar); ofertrios obrigatrios das Obras Pontifcias, da Caritas e da CEM.

VI Assembleia Diocesana de Pastoral

A VI Assembleia Diocesana de Pastoral, realizada na Casa Diocesana de Gur, de 11 a 14 de Maro de 2011, retomou o tema da sustentabilidade econmica das comunidades, Parquias e Diocese. Nas concluses da Assembleia, actualizaram-se as orientaes em vigor e escolheu-se o tema da sustentabilidade como o tema permanente (transversal) para os trs anos do Plano de Pastoral (2012 2014). Deram-se as orientaes que foram recolhidas na nova edio das ORIENTAES DIOCESANAS. Em ordem a esclarecer e ajudar a sua aplicao, na altura da Pscoa de 2012 escrevi uma Carta Pastoral sob o ttulo PARTILHA DE BENS.

Hoje, com esta minha 5 Carta Pastoral, no ltimo ano do Plano Pastoral 2012-2014, quero actualizar e convidar todos os cristos e catecmenos a estudar o que foi escrito e decidido na Bblia na Tradio da Igreja, nos Documentos da Igreja em Moambique e da nossa Diocese anteriormente apresentados.

Administrar no apenas contabilizar as entradas e as despesas do que os cristos entregam nos ofertrios dominicais, na partilha/contribuio diocesana e na gratificao com motivo dos sacramentos. Administrar significa tambm gerir com transparncia os bens recolhidos, criar novas fontes de receitas, prestar contas e informar claramente a comunidade sobre as despesas efectuadas (o que foi feito com o dinheiro da comunidade, o que se comprou, o que foi entregue a Diocese, a entrega dos ofertrios prescritos, a ajuda aos pobres), tudo isto apresentado os documentos justificativos das entradas e das sadas (facturas e recibos) e escrevendo tudo no livro de contabilidade, indicando onde se encontra o dinheiro (Caixa da comunidade ou da Parquia, e no Banco).

CONCLUSO

A partilha ou contribuio diocesana significa reconhecer e agradecer os bens que Deus nos concede e tambm pelo fruto do nosso trabalho; significa, ao mesmo tempo, solidariedade e responsabilidade, amor e para com a nossa famlia de baptizados; significa ajudar-nos generosamente em todas as necessidades, especialmente para com os mais pobres. Trata-se de uma forma de agradecimento e de partilha dos dons de Deus. Peamos ao Senhor que a contribuio diocesana seja uma expresso do amor que sentimos uns pelos outros e que o vivamos com alegria como nos deram exemplo os primeiros cristos.

Deus, Pai Bom e misericordioso, de quem procede todo o bem, material e espiritual e que tudo orienta, seja para cada um de ns luz e guia na partilha do que Ele nos concede como dom gratuito e como fruto das nossas mos. Peamos para que ningum se sinta marginalizado nas suas necessidades mais urgentes e que todos saibamos cultivar o esprito de partilha e de solidariedade seguindo o exemplo dos nossos antepassados na f. Todos podemos fazer alguma coisa pelo bem da comunidade.

Nos ltimos anos, a Igreja em Moambique caracterizou-se com uma face muito prpria, ainda muito valida no tempo actual: uma Igreja base, de comunho, de famlia, de ministrios e servios recprocos gratuitamente oferecidos (I ANP, Beira 1977, NN. 1 e 7). Todos podemos fazer alguma coisa para com a comunidade.

A contribuio diocesana nasce do agradecimento a Deus e do sentido de pertena Igreja. A contribuio diocesana s faz sentido quando espontnea, livre, consciente, alegre e responsvel: Quando ofereceres alguma coisa, apresenta um rosto alegre e consagra o dzimo com boa vontade (Ecc 35,8).

Casa Diocesana, Gur 03 de Junho de 2014, Festa de S. Carlos Lwanga e Companheiros mrtires

Vosso Bispo

Francisco

 

PDFVersão para impressãoEnviar por E-mail
26Maio2014
| Escrito por Assis

IV Carta Pastoral de D. Francisco

ESTAVA A ENSINAR OS SEUS DISCPULOS (Mc 9,31)

Carta Pastoral sobre o Ano da Formao

INTRODUO

A formao dos animadores da Pastoral foi sempre um assunto de capital importncia na Igreja. Desde os tempos apostlicos at aos nossos dias a Igreja dedicou u cuidado particular na preparao dos agentes de Pastoral a todos os nveis: Bispos, Sacerdotes, Religiosas e Religiosos e Leigos empenhados directamente no apostolado.

Foi sempre um deveres constantes da Igreja que, atravs dos tempos, foi assumindo modos diferentes consoante os lugares, as culturas e as circunstncias histricas do momento.

Assim surgiram as mais diversas instituies e procedimentos de responder a to importante assunto na vida das comunidades crists. Nasceram os Seminrios para a formao dos Padres, as Casas de Formao e Noviciados para as Religiosas e Religiosos, os Centros de Formao e Catequistados e as Universidades para os leigos comprometidos nas actividades apostlicas e na vida social.

Na nossa histria particular, constatamos que a Igreja na Zambzia desde a sua organizao como Diocese de Quelimane (1940) e, posteriormente como Diocese de Gur (1993), desenvolveu e aprofundou uma srie de iniciativas para responder a este desafio fundamental da FORMAO DOS RESPONSVEIS DAS COMUNIDADES. So prova disso os Catequistados de Coalane (1973) e, de Nauela, as Equipas itinerantes de Formao que, constantemente, realizaram cursos e encontros de todo tipo nas Regies Pastorais e nas Parquias. A este esforo extraordinrio se deve a criao das pequenas comunidades crists, a restaurao do Catecumenado, o ressurgimento dos ministrios, a formao dos ministros a todos os nveis, a elaborao dos novos Catecismos e demais subsdios para a Catequese e para a formao dos ministros, o devocionrio diocesano (Mavekelo, 1983), o Missal (Nsu na Apwiya, 1984) e a traduo da Bblia em Lmwe (Bibliya Nsu na Muluku, 2000).

Perante to desafiante panorama, a VI ASSEMBLEIA DIOCESANA escolheu como o objectivo principal para o Ano de 2014 (3 Ano do Trinio Pastoral 2012 2014) AFORMAO DOS RESPONSVEIS DAS COMUNIDADES A TODOS OS NVEIS.

Desta maneira, reafirmamos o interesse e o compromisso da nossa Diocese no campo da formao de base e formao permanente dos animadores das comunidades nos diversos ministrios e servios, fiis tradio dos nossos antecessores na evangelizao nesta parcela da Igreja.

1.- Jesus formador de apstolos

Desde os primeiros momentos da sua vida pblica, Jesus preocupou-se pela preparao dos discpulos que, mais tarde, enviaria a evangelizar, continuando assim a sua obra no mundo.

Em primeiro lugar, constatamos que Ele teve a iniciativa de chamar e escolher os seus colaboradores mais ntimos. O chamamento de Jesus, isto , vem de Deus e no da prpria pessoa. Deus que chama primeiro e a pessoa responde ou no ao chamamento de Deus. Isto aparece em todas as vocaes que encontramos na Bbia seja no Antigo como no Novo Testamento (Abrao, Moiss, os Profetas, os Apstolos e Maria). Vejamos alguns textos da Sagrada Escritura.

Jesus subiu ao monte e chamou os que desejava escolher. E foram ter com Ele (Mc 3,13).

No fostes vs que Me escolheram, mas fui Eu que vos escolhi. Eu destinei-os para irdes e dardes fruto e ara que o vosso fruto permanea (Jo 15,16).

Jesus comeou por reunir os chamados, formar um grupo parte para conviverem com Ele, partilhar com eles da sua vida. Desta maneira eles viram de perto e conheceram o Mestre, isto , estabeleceram com Ele laos de amizade e de comunho, pois no se tratava de uma profisso ou de um emprego:

Ento Jesus constituiu o grupo dos Doze para que ficassem com Ele e os enviar a pregar (Mc 3,14).

Jesus, vendo que O seguiam, perguntou: Que procurais?. Eles disseram: Mestre, onde moras?. Jesus respondeu: Vinde e vede. Ento eles foram e viram onde Jesus morava. E comearam a viver com Ele naquele mesmo dia (Jo 1,38-39).

O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e o que as nossas mos apalparam o que vos anunciamos (1Jo 1,1).

Criadas as mnimas condies de um grupo permanente, motivado e disponvel para segui-lo e escutar a sua palavra, Jesus comea a instruir os seus discpulos com ensinamentos apropriados para a misso que iriam receber:

Quando estava sozinho com os discpulos, Ele explicava-lhes tudo (Mc 4,34).

Jesus no queria que ningum soubesse onde Ele estava porque estava a ensinar os seus discpulos (Mc 9, 30-31).

Ao mesmo tempo ensinou-lhes a orar com o exemplo e com a palavra:

Logo depois de se despedir da multido, subiu ao monte para rezar (Mc 6,46).

De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-Se e foi rezar num lugar deserto (Mc 1,35).

Quando Jesus considerou os discpulos minimamente preparados, enviou-os a evangelizar embora no fosse anda o envio definitivo, o que aconteceria depois da sua morte e ressurreio. Os discpulos so enviados para continuarem a misso de Jesus: anunciar que o Reino de Deus j chegou , libertar as pessoas de todo o mal, restaurar a vida humana e proclamar um tempo de graa e, em consequncia, pedir a mudana de vida. Os discpulos devem estar livres, ter bom senso e estar conscientes das dificuldades que vo encontrar no seu servio:

Jesus comeou a percorrer as redondezas, ensinando nos povos. Chamou os doze discpulos, comeou a envi-los dois a dois (Mc 6,6-7).

Eu que sou Mestre e Senhor, lavei-vos os ps; por isso vs deveis lavar os ps uns aos outros. Dei-vos o exemplo: Deveis fazer a mesma coisa que Eu fiz (Jo 13, 14-15).

Depois da ua ressurreio, enviou-os por todo o mundo a continuar a Sua obra. Trata-se do mandato final e universal:

Ide e fazei com que todos os povos se tornem Meus discpulos, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Esprito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei. Eis que Eu estarei convosco todos os dias, at ao fim do mundo (Mt 28, 19-20).

2.- A formao dos responsveis na Igreja primitiva

Os apstolos, fiis ao que ouviram e vira do prprio Jesus, saram de Jerusalm a cumprir o mandato que receberam de ir por todo o mundo e anunciar o Evangelho. Nesta grande tarefa era necessrio preparar bem as pessoas que iriam colaborar no desempenho da mesma. Por isso, desde o primeiro momento, consideraram prioritrio a formao dos responsveis que foram colocando em cada uma das primeiras comunidades que surgiram como fruto da evangelizao.

So Paulo deixou-nos um grande testemunho deste trabalho de formador com o seu exemplo e com as suas cartas. O objectivo das suas viagens apostlicas e os seus escritos foi sempre o de consolidar as comunidades e confirmar com os seus ensinamentos as pessoas que punha frentes das mesmas. Lembremos apenas o que ele escreve a Timteo e a Tito, so ensinamentos que devem orientar a formao dos nossos animadores no nosso tempo:

Toma como modelo as palavras que ouvistes de mim, com a f e o amor que esto em Jesus Cristo. Guarda o bom depsito da f com o auxlio do Esprito Santo que habita em ns (2 Tim 1,13-14).

O que ouvistes de mim na presena de muitas testemunhas, transmite-o a homens de confiana que, por sua vez, estejam em grau de o ensinar aos outros (2 Tim 2,2).

Eu deixei-te em Creta para que cuidasses de organizar o que ainda restava por fazer, e para que nomeasses em cada cidade os presbteros das Igrejas, conforme as instrues que eu te deixei: o candidato deve ser irrepreensvel, esposo de uma s mulher, no arrogante, nem bebero ou violento, nem vido de lucro desonesto; deve ser hospitaleiro, bondoso, ponderado, justo, piedoso, disciplinado, e de tal modo fiel f verdadeira, conforme ao ensinamento transmitido (Tito 1, 5-9).

Quanto a ti, ensina o que conforme s doutrina (Tito 2,1).

3.- A Igreja forma na fidelidade aos ensinamentos da Tradio que recebeu: Os contedos fundamentais da formao.

Ao longo dos tempos, a Igreja formou os seus responsveis segundo o exemplo e os ensinamentos recebidos da Tradio apostlica, enriquecidos pelo Magistrio dos Papas e dos Bispos atravs dos Conclios, dos Snodos, das Encclicas e demais documentos, da reflexo dos telogos, do avano das cincias, dos acontecimentos histricos e dos contextos socioculturais, econmicos e polticos.

Alm da formao comum a todos os cristos, a formao dos responsveis pelos vrios trabalhos das comunidades exige uma formao especfica, que tenha em conta os fundamentos do trabalhador do Evangelho e os ministrios que ele vai assumir na prpria comunidade.

  • A formao do apstolo implica, em primeiro lugar, uma formao humana integral e adaptada s capacidades da pessoa e s condies do tempo presente e da situao das nossas comunidades.

  • A formao deve ter o seu fundamento e, por isso, cultivar nos animadores a f em Cristo, a vivncia crist atravs dos conhecimentos das verdades da f e do prprio testemunho de vida. Este conhecimento de Cristo adquire-se na leitura da Bblia, na orao pessoal e litrgica e no estudo dos subsdios catequticos. A este propsito, o Papa Francisco lembra-nos o seguinte: A primeira motivao para evangelizar o amor que recebemos de Jesus, aquela experincia de sermos salvos por Ele que nos impele a am-lo cada vez mais (Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, n 264).

  • Sermos evangelizadores com esprito quer dizer sermos evangelizadores que rezam e trabalham, afirma o Papa Francisco. E acrescenta: preciso cultivar sempre um espao interior que d sentido cristo ao compromisso e actividade. Sem este compromisso de vida as tarefas se esvaziam de significado (Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, n 262).

  • Na formao dos animadores das comunidades deve-se pr na devida evidncia o sentido de pertena Igreja e o testemunho da f em comunho com os demais cristos, o esprito de servio a exemplo do Mestre que veio para servir e no para ser servido.

  • necessrio que a instruo doutrinal compreenda a a Bblia, a teologia, a liturgia, moral crist, a Doutrina Social da Igreja, a Catequtica, a pedagogia, os elementos mnimos da psicologia, a cultura, a poltica e as cincias sociais.

  • A formao deve cuidar e desenvolver n animador as relaes humanas, a convivncia, colaborao e o dilogo com os outros agentes de pastoral e com os cristos, virtudes necessrias a um lder comunitrio que deve estar atento a despertar e animar a responsabilidade e participao dos membros da comunidade em tudo o que for necessrio. Ele deve apreender a no trabalhar sozinho.

4.- A formao dos animadores das comunidades em Moambique

Na caminhada da Igreja em Moambique, iniciada com a realizao da I Assembleia Nacional de Pastoral (Beira 1977), deu-se especial relevo FORMAO DOS ANIMADORES DAS COMUNIDADES, como um elemento fundamental para a vida, organizao e actividades das pequenas comunidades crists, das Parquias e da Diocese.

Esta prioridade foi reafirmada nas duas Assembleias seguintes (II ANP, Matola 1993; III Matola 2005), que a consideraram necessria e urgente. Deve continuar a ser uma prioridade que merece um aprofundamento e desenvolvimento permanente e contextualizado; deve ser uma exigncia para todos e todos devemos colaborar (Bispos, Padres, religiosas e religiosos e leigos). Ningum deve sentir-se excludo ou margem desta caminhada.

Sobre estas decises to importantes para a Pastoral, aconselho ler e estudar os nmeros 12 a 17 da 1 Assembleia Nacional de Pastoral; os nmeros 20 a 27 da 2; e os nmeros de 8 a 24 da 3, onde so tratados os seguintes assuntos: Necessidade de agentes evangelizadores; necessidade de formao dos agentes; os meios de comunicao e a formao dos agentes; formar os responsveis dos ministrios; catequistas bem preparados; necessidade de material adaptado; face ao mundo acadmico; contedos da formao; mtodos da formao; valorizao e criao de espaos para a formao e de pesquisa.

5.- Na Diocese de Gur: VI Assembleia Diocesana de Pastoral

Na nossa VI Assembleia Diocesana de Pastoral (Gur, Maro 2011), constatou-se que apesar de todo o esforo, dedicao e sacrifcio dos anos passados e aida recentes desde a 1 Assembleia Nacional (1977) at aos nossos dias, no poucas so as realidades que mancham a caminhada na Igreja ministerial, tais como: prestgio e poder, o provisrio visto como definitivo, a diminuio da confiana e da responsabilidade, inveja, medo e grupismo (VI Assembleia Diocesana de Pastoral 2011, Concluses III,4).

A Assembleia considerou trs pilares fundamentais para a formao dos animadores, a saber: a Orao pessoal e litrgica, a leitura e meditao da Palavra de Deus e o Servio comunidade. Sem tais pilares impossvel termos animadores das comunidades devidamente preparados. Sem o contacto e dilogo pessoal com o Senhor atravs da orao individual e comunitria; sem conhecermos a Sua Palavra atravs da leitura, do estudo e da reflexo; e sem o esprito de servio no cumprimento dos ministrios que lhes so confiados no conseguiremos superar as realidades que mancham os nossos ministrios, a que nos referimos anteriormente citando as Concluses da Assembleia.

Para alcanarmos o objectivo de FORMAR ADEQUADAMENTE OS ANIMADORES DAS COMUNIDADES que a Assembleia se props, imprescindvel insistir no sentido de pertena Igreja (VI Assembleia Diocesana de Pastoral, Concluses III,5). Se no nos convencermos que a Igreja somos ns; que a Igreja a nossa famlia enquanto crentes e baptizados; que na Igreja todos somos irmos com os mesmos direitos e os mesmos deveres; que na Igreja nenhum baptizado empregado; que na Igreja cada um tem o seu prprio lugar de tal maneira que ningum to pequeno para se sentir excludo; que todos somos responsveis pela vida e pelos trabalhos da comunidade; ento, se no nos convencermos que mesmo assim que devemos viver na comunidade, ser muito difcil e at impossvel acabar com as tais realidades que mancham a vda das comunidades.

A nossa VI Assembleia Diocesana de Pastoral, continuando o tema da formao, ensina-nos que o caminho passa necessariamente pelo testemunho da f dado em comunho com os outros irmos e pelo amor Igreja que tem o seu fundamento no amor de Cristo e no amor a Cristo (VI ADP, III,n5). Se trata de orientaes que todos conhecemos, mas necessrio repeti-las mais uma vez e t-las na devida considerao pois so linhas de aco fundamentais nesta grande tarefa de formar os responsveis pelos vrios ministrios nas comunidades. No se trata apenas de uma formao tcnica como se de uma profisso se tratasse, ou de um ensinamento terico para fazer melhor uma determinada tarefa na comunidade.

O que nos deve preocupar principalmente a base da formao. Trata-se de formar de tal maneira os animadores das comunidades que eles se sintam colaboradores ntimos de Cristo, Bom Pastor da Igreja, na conduo do seu rebanho. Ao mesmo tempo, qualquer ministrio ou tarefa nas comunidades deve ser feito em comunho, dilogo e colaborao com os outros animadores e com todos os cristos, respeitando cada um o seu lugar. Neste sentido devemos evitar o trabalho isolado ao margem dos outros animadores. A unio e a colaborao entre os animadores e com a comunidade tem como objectivo o bem da prpria comunidade e o testemunho cristo no meio da sociedade (aldeia, bairro). Sem testemunho pessoal e comunitrio da f e sem o amor Igreja que pertencemos e sem amor a Cristo, fundamento de tudo o que somos e fazemos, impossvel termos e formarmos os animadores que as nossas comunidade precisam.

6.- Programao das actividades

Nesta altura em que vos escrevo, o Programa de actividades para o Ano da Formao est j em andamento muito avanado.

No primeiro semestre deste ano, o Secretariado Diocesano de Pastoral, com a colaborao de alguns Padres, Irms e leigos, organizou e realizou Cursos de Formao para os Agentes da Pastoral em Invinha, Malua, Muliquela e Mualama. Ao mesmo tempo foram distribudas aos participantes brochuras sobre os contedos dos referidos cursos, nomeadamente: Biblia Nsu na Muluku, Muthukumano wa Makristu e Orientaes Diocesanas (Solelihana).

As notcias sobre o xito dos referidos cursos so encorajadoras pelo nmero de participantes, pela colaborao de muitas pessoas na orientao dos temas que foram apresentados e pelos temas escolhidos para esta primeira fase. Houve tambm algumas falhas como acontece sempre em qualquer obra humana. Algumas das nossas parquias e Capelanias no enviara os seus animadores aos cursos programados. Houve tambm alguma dificuldade na colaborao nas despesas. Espero que que estas e outras falhas se possas superar nos Cursos programados para o 2 semestre.

CONCLUSO

Os frutos que esperamos no vo a ser imediatos. Como todo processo formativo, precisa de tempo suficiente para assimilar os temas apresentados e, depois, pr em prtica os ensinamentos recebidos.

Confiamos e encorajamos o Secretariado Diocesano de Pastoral para continuar por este caminho tanto tempo esperado e apenas iniciado. Torna-se necessrio investir mais na formao dos animadores dos ministrios e dos vrios servios das nossas comunidades, em ordem a consolidar a Igreja e a nos comprometermos mais e melhor na obra da evangelizao.

Como nos repete constantemente o Papa Francisco, temos que sair das nossas comunidades para irmos ao encontro dos irmos que no conhecem Cristo ou que abandonaram a vida crist; irmos ao encontro de todos os que sofrem e se sentem abandonados ou marginalizados; irmos ao encontro dos que anseiam por verdade e vida; irmos ao encontro dos que gritam por uma verdadeira libertao das escravides do nosso tempo. Todos os cristos e catecmenos da Diocese sentimo-nos missionrios, isto , enviados por Cristo para anunciar a sua Boa Notcia a todos os que no o conhecem.

Com Maria, Me da Igreja evangelizadora, poderemos compreender o esprito deste novo impulso missionrio na nossa Diocese. Me do Evangelho, como chamada pelo Papa Francisco, a a Santo Antnio, nosso Padroeiro, pedimos a sua intercesso para que esta nova etapa pastoral na Diocese seja acolhida por todos os membros da Igreja: Bispo, Padres, Religiosas e Religiosos e Leigos, todos comprometidos na evangelizao.

A todos a minha bno e conforto de pastor.

Gur, 20 de Abril de 2014, Solenidade da Pscoa do Senhor. Aleluia

O vosso Bispo

+ Francisco

IV Carta Pastoral de D. Francisco

ESTAVA A ENSINAR OS SEUS DISCPULOS (Mc 9,31)

Carta Pastoral sobre o Ano da Formao

INTRODUO

A formao dos animadores da Pastoral foi sempre um assunto de capital importncia na Igreja. Desde os tempos apostlicos at aos nossos dias a Igreja dedicou u cuidado particular na preparao dos agentes de Pastoral a todos os nveis: Bispos, Sacerdotes, Religiosas e Religiosos e Leigos empenhados directamente no apostolado.

Foi sempre um deveres constantes da Igreja que, atravs dos tempos, foi assumindo modos diferentes consoante os lugares, as culturas e as circunstncias histricas do momento.

Assim surgiram as mais diversas instituies e procedimentos de responder a to importante assunto na vida das comunidades crists. Nasceram os Seminrios para a formao dos Padres, as Casas de Formao e Noviciados para as Religiosas e Religiosos, os Centros de Formao e Catequistados e as Universidades para os leigos comprometidos nas actividades apostlicas e na vida social.

Na nossa histria particular, constatamos que a Igreja na Zambzia desde a sua organizao como Diocese de Quelimane (1940) e, posteriormente como Diocese de Gur (1993), desenvolveu e aprofundou uma srie de iniciativas para responder a este desafio fundamental da FORMAO DOS RESPONSVEIS DAS COMUNIDADES. So prova disso os Catequistados de Coalane (1973) e, de Nauela, as Equipas itinerantes de Formao que, constantemente, realizaram cursos e encontros de todo tipo nas Regies Pastorais e nas Parquias. A este esforo extraordinrio se deve a criao das pequenas comunidades crists, a restaurao do Catecumenado, o ressurgimento dos ministrios, a formao dos ministros a todos os nveis, a elaborao dos novos Catecismos e demais subsdios para a Catequese e para a formao dos ministros, o devocionrio diocesano (Mavekelo, 1983), o Missal (Nsu na Apwiya, 1984) e a traduo da Bblia em Lmwe (Bibliya Nsu na Muluku, 2000).

Perante to desafiante panorama, a VI ASSEMBLEIA DIOCESANA escolheu como o objectivo principal para o Ano de 2014 (3 Ano do Trinio Pastoral 2012 2014) AFORMAO DOS RESPONSVEIS DAS COMUNIDADES A TODOS OS NVEIS.

Desta maneira, reafirmamos o interesse e o compromisso da nossa Diocese no campo da formao de base e formao permanente dos animadores das comunidades nos diversos ministrios e servios, fiis tradio dos nossos antecessores na evangelizao nesta parcela da Igreja.

1.- Jesus formador de apstolos

Desde os primeiros momentos da sua vida pblica, Jesus preocupou-se pela preparao dos discpulos que, mais tarde, enviaria a evangelizar, continuando assim a sua obra no mundo.

Em primeiro lugar, constatamos que Ele teve a iniciativa de chamar e escolher os seus colaboradores mais ntimos. O chamamento de Jesus, isto , vem de Deus e no da prpria pessoa. Deus que chama primeiro e a pessoa responde ou no ao chamamento de Deus. Isto aparece em todas as vocaes que encontramos na Bbia seja no Antigo como no Novo Testamento (Abrao, Moiss, os Profetas, os Apstolos e Maria). Vejamos alguns textos da Sagrada Escritura.

Jesus subiu ao monte e chamou os que desejava escolher. E foram ter com Ele (Mc 3,13).

No fostes vs que Me escolheram, mas fui Eu que vos escolhi. Eu destinei-os para irdes e dardes fruto e ara que o vosso fruto permanea (Jo 15,16).

Jesus comeou por reunir os chamados, formar um grupo parte para conviverem com Ele, partilhar com eles da sua vida. Desta maneira eles viram de perto e conheceram o Mestre, isto , estabeleceram com Ele laos de amizade e de comunho, pois no se tratava de uma profisso ou de um emprego:

Ento Jesus constituiu o grupo dos Doze para que ficassem com Ele e os enviar a pregar (Mc 3,14).

Jesus, vendo que O seguiam, perguntou: Que procurais?. Eles disseram: Mestre, onde moras?. Jesus respondeu: Vinde e vede. Ento eles foram e viram onde Jesus morava. E comearam a viver com Ele naquele mesmo dia (Jo 1,38-39).

O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e o que as nossas mos apalparam o que vos anunciamos (1Jo 1,1).

Criadas as mnimas condies de um grupo permanente, motivado e disponvel para segui-lo e escutar a sua palavra, Jesus comea a instruir os seus discpulos com ensinamentos apropriados para a misso que iriam receber:

Quando estava sozinho com os discpulos, Ele explicava-lhes tudo (Mc 4,34).

Jesus no queria que ningum soubesse onde Ele estava porque estava a ensinar os seus discpulos (Mc 9, 30-31).

Ao mesmo tempo ensinou-lhes a orar com o exemplo e com a palavra:

Logo depois de se despedir da multido, subiu ao monte para rezar (Mc 6,46).

De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-Se e foi rezar num lugar deserto (Mc 1,35).

Quando Jesus considerou os discpulos minimamente preparados, enviou-os a evangelizar embora no fosse anda o envio definitivo, o que aconteceria depois da sua morte e ressurreio. Os discpulos so enviados para continuarem a misso de Jesus: anunciar que o Reino de Deus j chegou , libertar as pessoas de todo o mal, restaurar a vida humana e proclamar um tempo de graa e, em consequncia, pedir a mudana de vida. Os discpulos devem estar livres, ter bom senso e estar conscientes das dificuldades que vo encontrar no seu servio:

Jesus comeou a percorrer as redondezas, ensinando nos povos. Chamou os doze discpulos, comeou a envi-los dois a dois (Mc 6,6-7).

Eu que sou Mestre e Senhor, lavei-vos os ps; por isso vs deveis lavar os ps uns aos outros. Dei-vos o exemplo: Deveis fazer a mesma coisa que Eu fiz (Jo 13, 14-15).

Depois da ua ressurreio, enviou-os por todo o mundo a continuar a Sua obra. Trata-se do mandato final e universal:

Ide e fazei com que todos os povos se tornem Meus discpulos, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Esprito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei. Eis que Eu estarei convosco todos os dias, at ao fim do mundo (Mt 28, 19-20).

2.- A formao dos responsveis na Igreja primitiva

Os apstolos, fiis ao que ouviram e vira do prprio Jesus, saram de Jerusalm a cumprir o mandato que receberam de ir por todo o mundo e anunciar o Evangelho. Nesta grande tarefa era necessrio preparar bem as pessoas que iriam colaborar no desempenho da mesma. Por isso, desde o primeiro momento, consideraram prioritrio a formao dos responsveis que foram colocando em cada uma das primeiras comunidades que surgiram como fruto da evangelizao.

So Paulo deixou-nos um grande testemunho deste trabalho de formador com o seu exemplo e com as suas cartas. O objectivo das suas viagens apostlicas e os seus escritos foi sempre o de consolidar as comunidades e confirmar com os seus ensinamentos as pessoas que punha frentes das mesmas. Lembremos apenas o que ele escreve a Timteo e a Tito, so ensinamentos que devem orientar a formao dos nossos animadores no nosso tempo:

Toma como modelo as palavras que ouvistes de mim, com a f e o amor que esto em Jesus Cristo. Guarda o bom depsito da f com o auxlio do Esprito Santo que habita em ns (2 Tim 1,13-14).

O que ouvistes de mim na presena de muitas testemunhas, transmite-o a homens de confiana que, por sua vez, estejam em grau de o ensinar aos outros (2 Tim 2,2).

Eu deixei-te em Creta para que cuidasses de organizar o que ainda restava por fazer, e para que nomeasses em cada cidade os presbteros das Igrejas, conforme as instrues que eu te deixei: o candidato deve ser irrepreensvel, esposo de uma s mulher, no arrogante, nem bebero ou violento, nem vido de lucro desonesto; deve ser hospitaleiro, bondoso, ponderado, justo, piedoso, disciplinado, e de tal modo fiel f verdadeira, conforme ao ensinamento transmitido (Tito 1, 5-9).

Quanto a ti, ensina o que conforme s doutrina (Tito 2,1).

3.- A Igreja forma na fidelidade aos ensinamentos da Tradio que recebeu: Os contedos fundamentais da formao.

Ao longo dos tempos, a Igreja formou os seus responsveis segundo o exemplo e os ensinamentos recebidos da Tradio apostlica, enriquecidos pelo Magistrio dos Papas e dos Bispos atravs dos Conclios, dos Snodos, das Encclicas e demais documentos, da reflexo dos telogos, do avano das cincias, dos acontecimentos histricos e dos contextos socioculturais, econmicos e polticos.

Alm da formao comum a todos os cristos, a formao dos responsveis pelos vrios trabalhos das comunidades exige uma formao especfica, que tenha em conta os fundamentos do trabalhador do Evangelho e os ministrios que ele vai assumir na prpria comunidade.

  • A formao do apstolo implica, em primeiro lugar, uma formao humana integral e adaptada s capacidades da pessoa e s condies do tempo presente e da situao das nossas comunidades.

  • A formao deve ter o seu fundamento e, por isso, cultivar nos animadores a f em Cristo, a vivncia crist atravs dos conhecimentos das verdades da f e do prprio testemunho de vida. Este conhecimento de Cristo adquire-se na leitura da Bblia, na orao pessoal e litrgica e no estudo dos subsdios catequticos. A este propsito, o Papa Francisco lembra-nos o seguinte: A primeira motivao para evangelizar o amor que recebemos de Jesus, aquela experincia de sermos salvos por Ele que nos impele a am-lo cada vez mais (Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, n 264).

  • Sermos evangelizadores com esprito quer dizer sermos evangelizadores que rezam e trabalham, afirma o Papa Francisco. E acrescenta: preciso cultivar sempre um espao interior que d sentido cristo ao compromisso e actividade. Sem este compromisso de vida as tarefas se esvaziam de significado (Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, n 262).

  • Na formao dos animadores das comunidades deve-se pr na devida evidncia o sentido de pertena Igreja e o testemunho da f em comunho com os demais cristos, o esprito de servio a exemplo do Mestre que veio para servir e no para ser servido.

  • necessrio que a instruo doutrinal compreenda a a Bblia, a teologia, a liturgia, moral crist, a Doutrina Social da Igreja, a Catequtica, a pedagogia, os elementos mnimos da psicologia, a cultura, a poltica e as cincias sociais.

  • A formao deve cuidar e desenvolver n animador as relaes humanas, a convivncia, colaborao e o dilogo com os outros agentes de pastoral e com os cristos, virtudes necessrias a um lder comunitrio que deve estar atento a despertar e animar a responsabilidade e participao dos membros da comunidade em tudo o que for necessrio. Ele deve apreender a no trabalhar sozinho.

4.- A formao dos animadores das comunidades em Moambique

Na caminhada da Igreja em Moambique, iniciada com a realizao da I Assembleia Nacional de Pastoral (Beira 1977), deu-se especial relevo FORMAO DOS ANIMADORES DAS COMUNIDADES, como um elemento fundamental para a vida, organizao e actividades das pequenas comunidades crists, das Parquias e da Diocese.

Esta prioridade foi reafirmada nas duas Assembleias seguintes (II ANP, Matola 1993; III Matola 2005), que a consideraram necessria e urgente. Deve continuar a ser uma prioridade que merece um aprofundamento e desenvolvimento permanente e contextualizado; deve ser uma exigncia para todos e todos devemos colaborar (Bispos, Padres, religiosas e religiosos e leigos). Ningum deve sentir-se excludo ou margem desta caminhada.

Sobre estas decises to importantes para a Pastoral, aconselho ler e estudar os nmeros 12 a 17 da 1 Assembleia Nacional de Pastoral; os nmeros 20 a 27 da 2; e os nmeros de 8 a 24 da 3, onde so tratados os seguintes assuntos: Necessidade de agentes evangelizadores; necessidade de formao dos agentes; os meios de comunicao e a formao dos agentes; formar os responsveis dos ministrios; catequistas bem preparados; necessidade de material adaptado; face ao mundo acadmico; contedos da formao; mtodos da formao; valorizao e criao de espaos para a formao e de pesquisa.

5.- Na Diocese de Gur: VI Assembleia Diocesana de Pastoral

Na nossa VI Assembleia Diocesana de Pastoral (Gur, Maro 2011), constatou-se que apesar de todo o esforo, dedicao e sacrifcio dos anos passados e aida recentes desde a 1 Assembleia Nacional (1977) at aos nossos dias, no poucas so as realidades que mancham a caminhada na Igreja ministerial, tais como: prestgio e poder, o provisrio visto como definitivo, a diminuio da confiana e da responsabilidade, inveja, medo e grupismo (VI Assembleia Diocesana de Pastoral 2011, Concluses III,4).

A Assembleia considerou trs pilares fundamentais para a formao dos animadores, a saber: a Orao pessoal e litrgica, a leitura e meditao da Palavra de Deus e o Servio comunidade. Sem tais pilares impossvel termos animadores das comunidades devidamente preparados. Sem o contacto e dilogo pessoal com o Senhor atravs da orao individual e comunitria; sem conhecermos a Sua Palavra atravs da leitura, do estudo e da reflexo; e sem o esprito de servio no cumprimento dos ministrios que lhes so confiados no conseguiremos superar as realidades que mancham os nossos ministrios, a que nos referimos anteriormente citando as Concluses da Assembleia.

Para alcanarmos o objectivo de FORMAR ADEQUADAMENTE OS ANIMADORES DAS COMUNIDADES que a Assembleia se props, imprescindvel insistir no sentido de pertena Igreja (VI Assembleia Diocesana de Pastoral, Concluses III,5). Se no nos convencermos que a Igreja somos ns; que a Igreja a nossa famlia enquanto crentes e baptizados; que na Igreja todos somos irmos com os mesmos direitos e os mesmos deveres; que na Igreja nenhum baptizado empregado; que na Igreja cada um tem o seu prprio lugar de tal maneira que ningum to pequeno para se sentir excludo; que todos somos responsveis pela vida e pelos trabalhos da comunidade; ento, se no nos convencermos que mesmo assim que devemos viver na comunidade, ser muito difcil e at impossvel acabar com as tais realidades que mancham a vda das comunidades.

A nossa VI Assembleia Diocesana de Pastoral, continuando o tema da formao, ensina-nos que o caminho passa necessariamente pelo testemunho da f dado em comunho com os outros irmos e pelo amor Igreja que tem o seu fundamento no amor de Cristo e no amor a Cristo (VI ADP, III,n5). Se trata de orientaes que todos conhecemos, mas necessrio repeti-las mais uma vez e t-las na devida considerao pois so linhas de aco fundamentais nesta grande tarefa de formar os responsveis pelos vrios ministrios nas comunidades. No se trata apenas de uma formao tcnica como se de uma profisso se tratasse, ou de um ensinamento terico para fazer melhor uma determinada tarefa na comunidade.

O que nos deve preocupar principalmente a base da formao. Trata-se de formar de tal maneira os animadores das comunidades que eles se sintam colaboradores ntimos de Cristo, Bom Pastor da Igreja, na conduo do seu rebanho. Ao mesmo tempo, qualquer ministrio ou tarefa nas comunidades deve ser feito em comunho, dilogo e colaborao com os outros animadores e com todos os cristos, respeitando cada um o seu lugar. Neste sentido devemos evitar o trabalho isolado ao margem dos outros animadores. A unio e a colaborao entre os animadores e com a comunidade tem como objectivo o bem da prpria comunidade e o testemunho cristo no meio da sociedade (aldeia, bairro). Sem testemunho pessoal e comunitrio da f e sem o amor Igreja que pertencemos e sem amor a Cristo, fundamento de tudo o que somos e fazemos, impossvel termos e formarmos os animadores que as nossas comunidade precisam.

6.- Programao das actividades

Nesta altura em que vos escrevo, o Programa de actividades para o Ano da Formao est j em andamento muito avanado.

No primeiro semestre deste ano, o Secretariado Diocesano de Pastoral, com a colaborao de alguns Padres, Irms e leigos, organizou e realizou Cursos de Formao para os Agentes da Pastoral em Invinha, Malua, Muliquela e Mualama. Ao mesmo tempo foram distribudas aos participantes brochuras sobre os contedos dos referidos cursos, nomeadamente: Biblia Nsu na Muluku, Muthukumano wa Makristu e Orientaes Diocesanas (Solelihana).

As notcias sobre o xito dos referidos cursos so encorajadoras pelo nmero de participantes, pela colaborao de muitas pessoas na orientao dos temas que foram apresentados e pelos temas escolhidos para esta primeira fase. Houve tambm algumas falhas como acontece sempre em qualquer obra humana. Algumas das nossas parquias e Capelanias no enviara os seus animadores aos cursos programados. Houve tambm alguma dificuldade na colaborao nas despesas. Espero que que estas e outras falhas se possas superar nos Cursos programados para o 2 semestre.

CONCLUSO

Os frutos que esperamos no vo a ser imediatos. Como todo processo formativo, precisa de tempo suficiente para assimilar os temas apresentados e, depois, pr em prtica os ensinamentos recebidos.

Confiamos e encorajamos o Secretariado Diocesano de Pastoral para continuar por este caminho tanto tempo esperado e apenas iniciado. Torna-se necessrio investir mais na formao dos animadores dos ministrios e dos vrios servios das nossas comunidades, em ordem a consolidar a Igreja e a nos comprometermos mais e melhor na obra da evangelizao.

Como nos repete constantemente o Papa Francisco, temos que sair das nossas comunidades para irmos ao encontro dos irmos que no conhecem Cristo ou que abandonaram a vida crist; irmos ao encontro de todos os que sofrem e se sentem abandonados ou marginalizados; irmos ao encontro dos que anseiam por verdade e vida; irmos ao encontro dos que gritam por uma verdadeira libertao das escravides do nosso tempo. Todos os cristos e catecmenos da Diocese sentimo-nos missionrios, isto , enviados por Cristo para anunciar a sua Boa Notcia a todos os que no o conhecem.

Com Maria, Me da Igreja evangelizadora, poderemos compreender o esprito deste novo impulso missionrio na nossa Diocese. Me do Evangelho, como chamada pelo Papa Francisco, a a Santo Antnio, nosso Padroeiro, pedimos a sua intercesso para que esta nova etapa pastoral na Diocese seja acolhida por todos os membros da Igreja: Bispo, Padres, Religiosas e Religiosos e Leigos, todos comprometidos na evangelizao.

A todos a minha bno e conforto de pastor.

Gur, 20 de Abril de 2014, Solenidade da Pscoa do Senhor. Aleluia

O vosso Bispo

+ Francisco

IV Carta Pastoral de D. Francisco

ESTAVA A ENSINAR OS SEUS DISCPULOS (Mc 9,31)

Carta Pastoral sobre o Ano da Formao

INTRODUO

A formao dos animadores da Pastoral foi sempre um assunto de capital importncia na Igreja. Desde os tempos apostlicos at aos nossos dias a Igreja dedicou u cuidado particular na preparao dos agentes de Pastoral a todos os nveis: Bispos, Sacerdotes, Religiosas e Religiosos e Leigos empenhados directamente no apostolado.

Foi sempre um deveres constantes da Igreja que, atravs dos tempos, foi assumindo modos diferentes consoante os lugares, as culturas e as circunstncias histricas do momento.

Assim surgiram as mais diversas instituies e procedimentos de responder a to importante assunto na vida das comunidades crists. Nasceram os Seminrios para a formao dos Padres, as Casas de Formao e Noviciados para as Religiosas e Religiosos, os Centros de Formao e Catequistados e as Universidades para os leigos comprometidos nas actividades apostlicas e na vida social.

Na nossa histria particular, constatamos que a Igreja na Zambzia desde a sua organizao como Diocese de Quelimane (1940) e, posteriormente como Diocese de Gur (1993), desenvolveu e aprofundou uma srie de iniciativas para responder a este desafio fundamental da FORMAO DOS RESPONSVEIS DAS COMUNIDADES. So prova disso os Catequistados de Coalane (1973) e, de Nauela, as Equipas itinerantes de Formao que, constantemente, realizaram cursos e encontros de todo tipo nas Regies Pastorais e nas Parquias. A este esforo extraordinrio se deve a criao das pequenas comunidades crists, a restaurao do Catecumenado, o ressurgimento dos ministrios, a formao dos ministros a todos os nveis, a elaborao dos novos Catecismos e demais subsdios para a Catequese e para a formao dos ministros, o devocionrio diocesano (Mavekelo, 1983), o Missal (Nsu na Apwiya, 1984) e a traduo da Bblia em Lmwe (Bibliya Nsu na Muluku, 2000).

Perante to desafiante panorama, a VI ASSEMBLEIA DIOCESANA escolheu como o objectivo principal para o Ano de 2014 (3 Ano do Trinio Pastoral 2012 2014) AFORMAO DOS RESPONSVEIS DAS COMUNIDADES A TODOS OS NVEIS.

Desta maneira, reafirmamos o interesse e o compromisso da nossa Diocese no campo da formao de base e formao permanente dos animadores das comunidades nos diversos ministrios e servios, fiis tradio dos nossos antecessores na evangelizao nesta parcela da Igreja.

1.- Jesus formador de apstolos

Desde os primeiros momentos da sua vida pblica, Jesus preocupou-se pela preparao dos discpulos que, mais tarde, enviaria a evangelizar, continuando assim a sua obra no mundo.

Em primeiro lugar, constatamos que Ele teve a iniciativa de chamar e escolher os seus colaboradores mais ntimos. O chamamento de Jesus, isto , vem de Deus e no da prpria pessoa. Deus que chama primeiro e a pessoa responde ou no ao chamamento de Deus. Isto aparece em todas as vocaes que encontramos na Bbia seja no Antigo como no Novo Testamento (Abrao, Moiss, os Profetas, os Apstolos e Maria). Vejamos alguns textos da Sagrada Escritura.

Jesus subiu ao monte e chamou os que desejava escolher. E foram ter com Ele (Mc 3,13).

No fostes vs que Me escolheram, mas fui Eu que vos escolhi. Eu destinei-os para irdes e dardes fruto e ara que o vosso fruto permanea (Jo 15,16).

Jesus comeou por reunir os chamados, formar um grupo parte para conviverem com Ele, partilhar com eles da sua vida. Desta maneira eles viram de perto e conheceram o Mestre, isto , estabeleceram com Ele laos de amizade e de comunho, pois no se tratava de uma profisso ou de um emprego:

Ento Jesus constituiu o grupo dos Doze para que ficassem com Ele e os enviar a pregar (Mc 3,14).

Jesus, vendo que O seguiam, perguntou: Que procurais?. Eles disseram: Mestre, onde moras?. Jesus respondeu: Vinde e vede. Ento eles foram e viram onde Jesus morava. E comearam a viver com Ele naquele mesmo dia (Jo 1,38-39).

O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e o que as nossas mos apalparam o que vos anunciamos (1Jo 1,1).

Criadas as mnimas condies de um grupo permanente, motivado e disponvel para segui-lo e escutar a sua palavra, Jesus comea a instruir os seus discpulos com ensinamentos apropriados para a misso que iriam receber:

Quando estava sozinho com os discpulos, Ele explicava-lhes tudo (Mc 4,34).

Jesus no queria que ningum soubesse onde Ele estava porque estava a ensinar os seus discpulos (Mc 9, 30-31).

Ao mesmo tempo ensinou-lhes a orar com o exemplo e com a palavra:

Logo depois de se despedir da multido, subiu ao monte para rezar (Mc 6,46).

De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-Se e foi rezar num lugar deserto (Mc 1,35).

Quando Jesus considerou os discpulos minimamente preparados, enviou-os a evangelizar embora no fosse anda o envio definitivo, o que aconteceria depois da sua morte e ressurreio. Os discpulos so enviados para continuarem a misso de Jesus: anunciar que o Reino de Deus j chegou , libertar as pessoas de todo o mal, restaurar a vida humana e proclamar um tempo de graa e, em consequncia, pedir a mudana de vida. Os discpulos devem estar livres, ter bom senso e estar conscientes das dificuldades que vo encontrar no seu servio:

Jesus comeou a percorrer as redondezas, ensinando nos povos. Chamou os doze discpulos, comeou a envi-los dois a dois (Mc 6,6-7).

Eu que sou Mestre e Senhor, lavei-vos os ps; por isso vs deveis lavar os ps uns aos outros. Dei-vos o exemplo: Deveis fazer a mesma coisa que Eu fiz (Jo 13, 14-15).

Depois da ua ressurreio, enviou-os por todo o mundo a continuar a Sua obra. Trata-se do mandato final e universal:

Ide e fazei com que todos os povos se tornem Meus discpulos, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Esprito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei. Eis que Eu estarei convosco todos os dias, at ao fim do mundo (Mt 28, 19-20).

2.- A formao dos responsveis na Igreja primitiva

Os apstolos, fiis ao que ouviram e vira do prprio Jesus, saram de Jerusalm a cumprir o mandato que receberam de ir por todo o mundo e anunciar o Evangelho. Nesta grande tarefa era necessrio preparar bem as pessoas que iriam colaborar no desempenho da mesma. Por isso, desde o primeiro momento, consideraram prioritrio a formao dos responsveis que foram colocando em cada uma das primeiras comunidades que surgiram como fruto da evangelizao.

So Paulo deixou-nos um grande testemunho deste trabalho de formador com o seu exemplo e com as suas cartas. O objectivo das suas viagens apostlicas e os seus escritos foi sempre o de consolidar as comunidades e confirmar com os seus ensinamentos as pessoas que punha frentes das mesmas. Lembremos apenas o que ele escreve a Timteo e a Tito, so ensinamentos que devem orientar a formao dos nossos animadores no nosso tempo:

Toma como modelo as palavras que ouvistes de mim, com a f e o amor que esto em Jesus Cristo. Guarda o bom depsito da f com o auxlio do Esprito Santo que habita em ns (2 Tim 1,13-14).

O que ouvistes de mim na presena de muitas testemunhas, transmite-o a homens de confiana que, por sua vez, estejam em grau de o ensinar aos outros (2 Tim 2,2).

Eu deixei-te em Creta para que cuidasses de organizar o que ainda restava por fazer, e para que nomeasses em cada cidade os presbteros das Igrejas, conforme as instrues que eu te deixei: o candidato deve ser irrepreensvel, esposo de uma s mulher, no arrogante, nem bebero ou violento, nem vido de lucro desonesto; deve ser hospitaleiro, bondoso, ponderado, justo, piedoso, disciplinado, e de tal modo fiel f verdadeira, conforme ao ensinamento transmitido (Tito 1, 5-9).

Quanto a ti, ensina o que conforme s doutrina (Tito 2,1).

3.- A Igreja forma na fidelidade aos ensinamentos da Tradio que recebeu: Os contedos fundamentais da formao.

Ao longo dos tempos, a Igreja formou os seus responsveis segundo o exemplo e os ensinamentos recebidos da Tradio apostlica, enriquecidos pelo Magistrio dos Papas e dos Bispos atravs dos Conclios, dos Snodos, das Encclicas e demais documentos, da reflexo dos telogos, do avano das cincias, dos acontecimentos histricos e dos contextos socioculturais, econmicos e polticos.

Alm da formao comum a todos os cristos, a formao dos responsveis pelos vrios trabalhos das comunidades exige uma formao especfica, que tenha em conta os fundamentos do trabalhador do Evangelho e os ministrios que ele vai assumir na prpria comunidade.

  • A formao do apstolo implica, em primeiro lugar, uma formao humana integral e adaptada s capacidades da pessoa e s condies do tempo presente e da situao das nossas comunidades.

  • A formao deve ter o seu fundamento e, por isso, cultivar nos animadores a f em Cristo, a vivncia crist atravs dos conhecimentos das verdades da f e do prprio testemunho de vida. Este conhecimento de Cristo adquire-se na leitura da Bblia, na orao pessoal e litrgica e no estudo dos subsdios catequticos. A este propsito, o Papa Francisco lembra-nos o seguinte: A primeira motivao para evangelizar o amor que recebemos de Jesus, aquela experincia de sermos salvos por Ele que nos impele a am-lo cada vez mais (Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, n 264).

  • Sermos evangelizadores com esprito quer dizer sermos evangelizadores que rezam e trabalham, afirma o Papa Francisco. E acrescenta: preciso cultivar sempre um espao interior que d sentido cristo ao compromisso e actividade. Sem este compromisso de vida as tarefas se esvaziam de significado (Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, n 262).

  • Na formao dos animadores das comunidades deve-se pr na devida evidncia o sentido de pertena Igreja e o testemunho da f em comunho com os demais cristos, o esprito de servio a exemplo do Mestre que veio para servir e no para ser servido.

  • necessrio que a instruo doutrinal compreenda a a Bblia, a teologia, a liturgia, moral crist, a Doutrina Social da Igreja, a Catequtica, a pedagogia, os elementos mnimos da psicologia, a cultura, a poltica e as cincias sociais.

  • A formao deve cuidar e desenvolver n animador as relaes humanas, a convivncia, colaborao e o dilogo com os outros agentes de pastoral e com os cristos, virtudes necessrias a um lder comunitrio que deve estar atento a despertar e animar a responsabilidade e participao dos membros da comunidade em tudo o que for necessrio. Ele deve apreender a no trabalhar sozinho.

4.- A formao dos animadores das comunidades em Moambique

Na caminhada da Igreja em Moambique, iniciada com a realizao da I Assembleia Nacional de Pastoral (Beira 1977), deu-se especial relevo FORMAO DOS ANIMADORES DAS COMUNIDADES, como um elemento fundamental para a vida, organizao e actividades das pequenas comunidades crists, das Parquias e da Diocese.

Esta prioridade foi reafirmada nas duas Assembleias seguintes (II ANP, Matola 1993; III Matola 2005), que a consideraram necessria e urgente. Deve continuar a ser uma prioridade que merece um aprofundamento e desenvolvimento permanente e contextualizado; deve ser uma exigncia para todos e todos devemos colaborar (Bispos, Padres, religiosas e religiosos e leigos). Ningum deve sentir-se excludo ou margem desta caminhada.

Sobre estas decises to importantes para a Pastoral, aconselho ler e estudar os nmeros 12 a 17 da 1 Assembleia Nacional de Pastoral; os nmeros 20 a 27 da 2; e os nmeros de 8 a 24 da 3, onde so tratados os seguintes assuntos: Necessidade de agentes evangelizadores; necessidade de formao dos agentes; os meios de comunicao e a formao dos agentes; formar os responsveis dos ministrios; catequistas bem preparados; necessidade de material adaptado; face ao mundo acadmico; contedos da formao; mtodos da formao; valorizao e criao de espaos para a formao e de pesquisa.

5.- Na Diocese de Gur: VI Assembleia Diocesana de Pastoral

Na nossa VI Assembleia Diocesana de Pastoral (Gur, Maro 2011), constatou-se que apesar de todo o esforo, dedicao e sacrifcio dos anos passados e aida recentes desde a 1 Assembleia Nacional (1977) at aos nossos dias, no poucas so as realidades que mancham a caminhada na Igreja ministerial, tais como: prestgio e poder, o provisrio visto como definitivo, a diminuio da confiana e da responsabilidade, inveja, medo e grupismo (VI Assembleia Diocesana de Pastoral 2011, Concluses III,4).

A Assembleia considerou trs pilares fundamentais para a formao dos animadores, a saber: a Orao pessoal e litrgica, a leitura e meditao da Palavra de Deus e o Servio comunidade. Sem tais pilares impossvel termos animadores das comunidades devidamente preparados. Sem o contacto e dilogo pessoal com o Senhor atravs da orao individual e comunitria; sem conhecermos a Sua Palavra atravs da leitura, do estudo e da reflexo; e sem o esprito de servio no cumprimento dos ministrios que lhes so confiados no conseguiremos superar as realidades que mancham os nossos ministrios, a que nos referimos anteriormente citando as Concluses da Assembleia.

Para alcanarmos o objectivo de FORMAR ADEQUADAMENTE OS ANIMADORES DAS COMUNIDADES que a Assembleia se props, imprescindvel insistir no sentido de pertena Igreja (VI Assembleia Diocesana de Pastoral, Concluses III,5). Se no nos convencermos que a Igreja somos ns; que a Igreja a nossa famlia enquanto crentes e baptizados; que na Igreja todos somos irmos com os mesmos direitos e os mesmos deveres; que na Igreja nenhum baptizado empregado; que na Igreja cada um tem o seu prprio lugar de tal maneira que ningum to pequeno para se sentir excludo; que todos somos responsveis pela vida e pelos trabalhos da comunidade; ento, se no nos convencermos que mesmo assim que devemos viver na comunidade, ser muito difcil e at impossvel acabar com as tais realidades que mancham a vda das comunidades.

A nossa VI Assembleia Diocesana de Pastoral, continuando o tema da formao, ensina-nos que o caminho passa necessariamente pelo testemunho da f dado em comunho com os outros irmos e pelo amor Igreja que tem o seu fundamento no amor de Cristo e no amor a Cristo (VI ADP, III,n5). Se trata de orientaes que todos conhecemos, mas necessrio repeti-las mais uma vez e t-las na devida considerao pois so linhas de aco fundamentais nesta grande tarefa de formar os responsveis pelos vrios ministrios nas comunidades. No se trata apenas de uma formao tcnica como se de uma profisso se tratasse, ou de um ensinamento terico para fazer melhor uma determinada tarefa na comunidade.

O que nos deve preocupar principalmente a base da formao. Trata-se de formar de tal maneira os animadores das comunidades que eles se sintam colaboradores ntimos de Cristo, Bom Pastor da Igreja, na conduo do seu rebanho. Ao mesmo tempo, qualquer ministrio ou tarefa nas comunidades deve ser feito em comunho, dilogo e colaborao com os outros animadores e com todos os cristos, respeitando cada um o seu lugar. Neste sentido devemos evitar o trabalho isolado ao margem dos outros animadores. A unio e a colaborao entre os animadores e com a comunidade tem como objectivo o bem da prpria comunidade e o testemunho cristo no meio da sociedade (aldeia, bairro). Sem testemunho pessoal e comunitrio da f e sem o amor Igreja que pertencemos e sem amor a Cristo, fundamento de tudo o que somos e fazemos, impossvel termos e formarmos os animadores que as nossas comunidade precisam.

6.- Programao das actividades

Nesta altura em que vos escrevo, o Programa de actividades para o Ano da Formao est j em andamento muito avanado.

No primeiro semestre deste ano, o Secretariado Diocesano de Pastoral, com a colaborao de alguns Padres, Irms e leigos, organizou e realizou Cursos de Formao para os Agentes da Pastoral em Invinha, Malua, Muliquela e Mualama. Ao mesmo tempo foram distribudas aos participantes brochuras sobre os contedos dos referidos cursos, nomeadamente: Biblia Nsu na Muluku, Muthukumano wa Makristu e Orientaes Diocesanas (Solelihana).

As notcias sobre o xito dos referidos cursos so encorajadoras pelo nmero de participantes, pela colaborao de muitas pessoas na orientao dos temas que foram apresentados e pelos temas escolhidos para esta primeira fase. Houve tambm algumas falhas como acontece sempre em qualquer obra humana. Algumas das nossas parquias e Capelanias no enviara os seus animadores aos cursos programados. Houve tambm alguma dificuldade na colaborao nas despesas. Espero que que estas e outras falhas se possas superar nos Cursos programados para o 2 semestre.

CONCLUSO

Os frutos que esperamos no vo a ser imediatos. Como todo processo formativo, precisa de tempo suficiente para assimilar os temas apresentados e, depois, pr em prtica os ensinamentos recebidos.

Confiamos e encorajamos o Secretariado Diocesano de Pastoral para continuar por este caminho tanto tempo esperado e apenas iniciado. Torna-se necessrio investir mais na formao dos animadores dos ministrios e dos vrios servios das nossas comunidades, em ordem a consolidar a Igreja e a nos comprometermos mais e melhor na obra da evangelizao.

Como nos repete constantemente o Papa Francisco, temos que sair das nossas comunidades para irmos ao encontro dos irmos que no conhecem Cristo ou que abandonaram a vida crist; irmos ao encontro de todos os que sofrem e se sentem abandonados ou marginalizados; irmos ao encontro dos que anseiam por verdade e vida; irmos ao encontro dos que gritam por uma verdadeira libertao das escravides do nosso tempo. Todos os cristos e catecmenos da Diocese sentimo-nos missionrios, isto , enviados por Cristo para anunciar a sua Boa Notcia a todos os que no o conhecem.

Com Maria, Me da Igreja evangelizadora, poderemos compreender o esprito deste novo impulso missionrio na nossa Diocese. Me do Evangelho, como chamada pelo Papa Francisco, a a Santo Antnio, nosso Padroeiro, pedimos a sua intercesso para que esta nova etapa pastoral na Diocese seja acolhida por todos os membros da Igreja: Bispo, Padres, Religiosas e Religiosos e Leigos, todos comprometidos na evangelizao.

A todos a minha bno e conforto de pastor.

Gur, 20 de Abril de 2014, Solenidade da Pscoa do Senhor. Aleluia

O vosso Bispo

+ Francisco

   

PDFVersão para impressãoEnviar por E-mail
18Maio2014
| Escrito por Assis

Dos dias 17 e 18 de Maio de 2014, realizou-se a III Peregrinao Diocesana ao Santurio de N S de Ftima de Muliquela (Ile), na Diocese de Gur.

Participaram mais de dois mil peregrinos vindos das vrias Parquias da Diocese, acompanhados pelos respectivos Procos, as Religiosas das Congregaes presentes na Diocese e os Seminaristas do Seminrio Diocesano de S. Jos. A peregrinao foi presidida por D. Francisco Lerma, Bispo de Gur, acompanhado por D. Manuel Chuanguira, Bispo Emrito.

Tambm estiveram presentes a autoridades civis dos Distritos de Ile e de Gur, estiveram presentes ao mais alto nvel.

Os peregrinos acompanharam o andor com a imagem de N S de Ftima, desde o lugar da concentrao at ao Santurio de Muliquela, numa distncia aproximadamente de 2,5 km. rezando sob a intercesso de N S a pelas intenes das famlias, da Diocese, da Igreja e de todo o Pais, num ambiente de alta espiritualidade. Meditaram-se e rezaram-se os Mistrios do Santo Rosrio de forma solene.

J no interior da Igreja, houve a 1 Celebrao da Eucaristia da Festa de Nossa Senhora de Ftima, seguida da Adorao Nocturna ao Santssimo Sacramento, durante toda a note at s primeiras horas do Domingo.

No dia seguinte, 18.05.14, s 8.00H celebrou-se a Missa do Encerramento com a Liturgia do 5 Domingo da Pscoa.

HOMILIA DE DO. FRANCISCO NA 1 MISSA DA PEREGRINAO EM HONRA DE NOSSA SENHORA

MARIA ME DA IGREJA

De muitos lugares, parquias e comunidades viemos a esta lugar sagrado, a primeira Misso da nossa Diocese, que os primeiros missionrios quiseram dedicar nossa Me, Maria Santssima sob a invocao de Nossa Senhora de Ftima.

Vemos para venerar o seu corao maternal e compassivo.

Devemos considerar duas verdades mito importantes para a renovao da vida crista de cada um de ns e das nossa comunidades:

Primeira verdade

A primeira verdade esta: MARIA ME DA IGREJA, no s por ser Me de Jesus Cristo e sua intima colaboradora na salvao de todas as pessoas, mas tambm porque resplnadece como ADMIRVEL MODELO DE F.

Depois de ter participado intimamente na vida do Seu Fliho, no seu sofrimento e morte, ficando fiel ao p da cru. Jesus a proclamou Me do discpulo Joo e de toda a humanidade. Ela continua agora no Cu a desempenhar a sua maternidade sobre todos ns, sobre todas as nossa comunidades e actividades. Ela verdadeiramente Me da Igreja.

Ela coopera antes de tudo, pela sua orao incessante. Ela, de facto, no esquece nenhum dos seus filhos qe caminham neste mundo. Ela ve-nos e conhecendo as nossas necessidades ela ele junto de Deus nossa Advogada, nossa auxiliadora, nosso Amparo e nossa consolao.

No entanto, a cooperao de Maria, Me da Igreja, ela exerce outra influncia importantssima, a do exemplo: pois as palavras movem, mas o exemplo arrastra. Assim o exemplo de Maria leva-nos a imitao e ao seguimento do Seu Filho, Jesus Cristo.

Mas a sua orao e o seu exemplo, deixariam de ter efeito se a tudo isso no correspondesse a nossa vontade, o nosso SIM.

Segunda verdade

por dever de todos ns, de todos os cristos imitar os exemplos de bondade que ela nos deixou. esta a segunda verdade que devemos considerar.

em Maria que ns, os cristos, podemos admirar o exemplo de vida crist, na vida de cada dia, no relacionamento nas nossa famlis, na educao dos nossos filhos, na ateno s necessidades dos mais necessitados, na procura da paz e bom entendimento entre as pessoas, na resoluo dos conflitos, no aor ao prximo, na dedicao no trabalho de cada dia.

A mensagem que deve chegar a cada um de ns, hoje: a orao silenciosa no interior dos nossos coraes, orao confiante, filial, obediente com Deus nosso Pai; prtica de uma vida simples, a dedicao ao trabalho, a fazer o bem bem- feito, ao cumprimentos dos nossos deveres ai onde Deus nos colocou., bem como fidelidade vontade de Deus, ao cumprimentos dos seus mandamentos e converso dos nossos coraes arrependidos.

Comemoramos este ano 74 anos da fundao desta Parquia. O Prximo ano ser o ano das celebraes jubilares : 75 ANOS DA FUNDAO. Teremos que festeja-lo com corao agradecido. Deveremos consagrar a nossa Diocese ao Corao Imaculado de Maria de uma maneira solene. Nos devemos preparar a esta nobilssima celebrao com uma vida cada vez mais conforme vontade divina, em esprito de servio filial e de imitao da vida da nossa Me querida.

MARYA MAI A EKERESJA

Amai a Yesu ti Maria, othanliwe ti Muluku wi akhale mai a Mwanawe. Maria ti amihutho.

Muthyayana a mmawani ahi wa Yesu: Oreriwa ti muthiyana oyanre ni owamwinhe

Nto Owo mwakula:

Oreriwa tale anawiriyana masau a Muluku ni anakaphelela (Lc 11,28).

Hiha Yesus onnanlliha winnuwa wa Maria, amuthnyaka yowo ntoko muthiana ni mai, lipa n roromeleya nihiku ti nihiku, owenrye wemererya ni wivaha ni murima awe wothene, wa Muluku ni wasinna.

Wopatxerani wa Eklesia, Eklesia epatxeraka wetxa mukwaka aya nwemereryani, wemererya opatxenrye o Yerusalemu, ni Pentekoste.

Maria ari ni yawo othene yri miropo a nloko nsyani na Israeli.

Maria ri veri vaya ntoko namna suwanyeyasa a ntikinelo na Kristu.

Nave Eklesia ynapatxhanyerya mavekelo vamoha ni Maria navetho elukuluku-ene yeyo Eklesia yanamupuwelela Maria mukamamani mwa Nsu nisenre mutxhu ti wi Yesu Krstu.

Nave yakhala hiha mahiku othene.

Opakiwaka Muthukumano wo Vatikano II, Papa Paulo VI alotxa ni ntxitximiho ntokoto ii: Maria ti Mayi a Ekereja, ti wi Mai a nloko nothene nakristu, roromela ni amukukhuli.

Nihano ninnemererya wi Mai Awela a Muluku, Eva a hihano, Mai a Ekereja, wirimu titela muteko awe wokhala Mai a mirapela sa Kristu, akhaviheheryaka oyariwa ni winnuwa mukhalelo wa Muluku mmurimani wa alipa a wopoliwa.

 

PDFVersão para impressãoEnviar por E-mail
19Abr2014
| Escrito por Assis

Manaus 16

1.-Esta celebrao coroao de toda a liturgia crist, centro do ano litrgico, a mais antiga, a mais sagrada, a mais rica de todas as celebraes, a me de todas as celebraes (S. Agostinho).

2.- Nesta noite, os cristos reunimo-nos para celebrarmos na esperana e na alegria, o grande acontecimento da salvao, pelo qual Jesus Cristo, depois da sua paixo e morte na Cruz, ressuscitou. Ele est vivo, no ficou no sepulcro, Ele venceu a morte, Ele o Salvador de todos ns. O Poder do mal foi destrudo para sempre. No meio de tanta tristeza e sofrimento do tempo presente, temos a certeza da feliz vitria final. Por isso ns, os cristos, esperamos contra toda prova, na vitria final em Cristo. Ele o Senhor da Glria que com o seu poder nos salva de todo o mal. Essa alegria que nos enche esta noite e que proclamamos a todo o mundo.

3.- Mas a nossa espera na vitria final, no uma espera esttica, passiva, de braos cruzados como se estivssemos a ver o que que vai acontecer. No. Trata-se de uma esperana dinmica, activa, que nos compromete dia a dia. Trata-se de um movimento contnuo. A Pscoa significa isso mesmo PASSAGEM. Como a primeira Pascoa do Povo Israelita, passagem da escravido do Egipto a caminho da terra da promessa. Ns somos esse novo povo de Israel que caminhamos rumo ao futuro, caminhando dia a dia, trabalhando dia a dia, comprometendo-nos dia a dia com a construo de uma sociedade nova, do homem novo, deixando atrs a vida antiga do mal e do pecado, alimentando-nos do fermento novo que nos renova interiormente e nas nossa relaes familiares e sociais. Deixemos o fermento do mal, do egosmo, da soberba, do poder, da violncia, da morte, do abuso dos outros para os interesses privados.

4.- A nossa espera a espera vigilante dAlgum que vem ao nosso encontro. Como um sentinela, como o servo que espera atento vinda do seu senhor, a espera do noivo que est para chegar, a espera vigilantes das virgens que esperam com as luzes acesas o esposo que est para chegar. Vigilantes na f, construindo no amor, esperando no compromisso dirio.

5.- Esta PASSAGEM realiza-se em primeiro lugar no Baptismo. Por isso esta noite celebramos especialmente este Sacramento. Ser baptizado , na verdade, morrer com Cristo, para ressuscitar com Ele. A gua do baptismo como a gua do mar vermelho que traga as foras do mal e liberta o Povo da escravido; o sepulcro que onde deposto o homem velho do pecado e sai o homem novo da graa.

Por isso, desde os tempos mais antigos do cristianismo a Igreja celebra nesta NOITE O Baptismo dos seus novos filhos, os catecmenos; e leva todos ns, os j baptizados a reviver o prprio baptismo tomando conscincia dos nossos compromissos e promessas baptismais.

6.- NAS LEITURAS ENCONTRAMOS ESTES ENSINAMENTOS ESSENCIAIS:

  1. Gnesis: nesta leitura descobrimos a dignidade de toda a pessoa, criada a imagem e semelhana de Deus, a igualdade fundamental de todas as pessoas, como filhos e filhas de Deus, o fim de toda discriminao seja qual for o seu fundamento (racial, de gnero, de condio social ou religiosa.

  2. Nos profetas descobrimos a grandiosa vocao que a todos nos envolve na solidariedade universal graas ao Esprito santo que concede a todos os que o aceitam. E, ao mesmo tempo, lembram-nos estas leituras a fora da Palavra de Deus como fonte de vida como uma via para reencontrar a paz, a sabedoria e a vida, que tantas vezes ignoramos ou combatemos com o nosso proceder.

  3. E no fim, os Profetas lembra-nos a diferena entre o agir de Deus e o nosso prprio agir. Deus promete e concede sempre o seu perdo, a sua consolao, a fidelidade sua Aliana, apesar das nossas infidelidades.

  4. No Novo Testamento (Romanos), o Apstolo lembra-nos a vida nova do Baptismo. A semente de vida que semeada na pessoa baptizada, devemos cultiva-la dia a dia, at faz-las crescer plenamente, at ao encontro definitivo com Deus depois da nossa morte. Neste sentido, os cristos somos chamados a lutar a batalha, o bom combate da f, dano testemunho no meio do nosso mundo.

  5. J no Evangelho, descobrimos a grande alegria das mulheres ao ouvir o anncio do Anjo: NO TEMAIS. NO EST AQUI. RESSUSCITOU COMO TINHA DITO. IDE.

Estas piedosas mulheres so as primeiras missionrias do Evangelho. Desde ento todos nos, com a nossa vida e com as nossa palavras, devemos ir ao mundo e anunciar a ressurreio do Senhor. Ele est vido. Ele o nosso salvador e libertador.

Gur, 20.04,2014

Vosso Bispo

Francisco

   

Mais artigos...

Pág. 213 de 253