SÁBADO DA III SEMANA – PÁSCOA

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17Abr2018
| Escrito por Assis

 

SÁBADO DA III SEMANA – PÁSCOA

Primeira leitura: Actos 9, 31-42

Lucas abre esta secção dos Actos com um sumário sobre a situação interna da Igreja e sobre o seu crescimento.

A comunidade está em paz, caminha no temor do Senhor, e cresce com a assistência do Espírito Santo.

Pedro anda em viagens apostólicas, pregando a Palavra, curando enfermos e exercendo a sua missão de pastor. Paulo foi acompanhado a Tarso porque provavelmente a sua presença – discutida – causava problemas devido ao seu temperamento combativo, semelhante ao de Estêvão.

Pedro, por sua vez, exerce a sua missão pastoral apoiando, ajudando, encorajando os discípulos, nas várias comunidades já evangelizadas.

A sua passagem tem efeitos semelhantes aos da passagem de Jesus: sucedem os milagres.
De vários modos, Lucas mostra, como Jesus está vivo e actua na Igreja apostólica.

Evangelho: João 6, 60-69

Os discípulos mostram-se incomodados com as afirmações do seu Mestre, humanamente difíceis de aceitar.

Mas Jesus esclarece que não se deve acreditar n´Ele só depois da visão de uma subida sua ao céu, à maneira de Elias e de Enoch.

Isso significaria não aceitar a sua origem divina, o que não tem sentido porque Ele vem mesmo do Céu (cf. Jo 3, 13-15).

Mas a incredulidade dos discípulos em relação a Jesus é evidenciada pelo facto de que «é o Espírito quem dá a vida; a carne não serve de nada: as palavras que vos disse são espírito e são vida» (v. 63). Como é real a carne de Jesus, também é real a verdade eucarística. São dois dons, para darem a vida ao homem.

Mas muitos discípulos não quiseram confiar-se ao Espírito e dar mais um passo em frente. Jesus não fica surpreendido, pois conhece o homem e as suas decisões mais íntimas.

Acreditar n´Ele e na sua Palavra é um dom que ninguém pode oferecer a si mesmo. Só o Pai o pode dar. Só quem nasceu e foi vivificado pelo Espírito, e não actua segundo a carne, compreende a revelação de Jesus e é introduzido na vida de Deus.

A perícopa dos Actos que hoje escutamos oferece-nos mais um belo quadro da Igreja primitiva. Ela enfrenta dificuldades e problemas como a doença prolongada ou a morte de alguns dos seus membros

Mas vive no santo temor de Deus, confortada pela assistência do Espírito Santo. Os discípulos vivem sob o olhar de Deus, cumprindo a sua vontade.

Interessam-se pelos pobres e cuidam dos enfermos. Na docilidade ao Espírito, a Igreja expande-se e cresce interiormente.

A vida dos crentes, alegres no sofrimento, serviçais uns para com os outros, é um excelente testemunho missionário. Por isso, a Palavra e os milagres encontram terreno preparado e produzem frutos abundantes.

A presença dos Apóstolos, e particularmente a de Pedro, ajudam à fidelidade e ao dinamismo missionário.

Pedro lembra certamente as palavras que um dia pronunciou em nome da comunidade: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna! Por isso nós cremos e sabemos que Tu é que és o Santo de Deus» (Jo 6, 68-69).

Para nós é reconfortante escutá-las. Esta fé é o fundamento da vida cristã, da vida religiosa, do apostolado. Pela fé, Pedro continua a vida de Jesus e o seu ministério, os seus gestos e até os seus milagres.

Mas a paixão de Jesus também continua em Pedro, que é preso e atormentado, acabando por morrer mártir.

A fé realiza uma união profunda com o Senhor, que continua em nós a sua
vida e a sua acção, como verificamos em Pedro.

O Apóstolo está consciente disso. Sente-se simples instrumento de Jesus. Por isso, diz a Eneias: «Eneias, Jesus Cristo vai curar-te!» (Act 9, 34).

A nossa reparação há-de também dirigir-se a Cristo-Eucaristia. A incompreensão, a murmuração, a incredulidade, o escândalo, o abandono de Cristo, depois do discurso de Cafarnaúm (cf. Jo 6, 52-56) continuam a ecoar hoje.

Quantas blasfémias, profanações, sacrilégios! A amargura de Jesus é aliviada pela fé de Pedro: “Senhor, a quem iremos? Só Tu tens palavras de vida eterna…!” (Jo 6, 68).

Se, com uma fé semelhante à de Pedro, formos pessoas dóceis e simples em acolher

com gratidão o dom de Cristo, as nossas adorações eucarísticas tornar-se-ão testemunho, oração, reparação por tantos nossos irmãos esquecidos ou incrédulos.

Senhor, devo confessar-te que, às vezes também eu gostava de ver milagres e
– perdoa-me! – até fazer algum, para que não julguem que ando a pregar fantasias.

Mas Tu, mesmo enviando-me alguns sinais do céu, preferes o milagre de uma vida serena, empenhada, de uma vida que confia em Ti, que deixa nas tuas mãos as grandes opções, que se preocupa mais em agradar a Ti que aos homens e às mulheres, que testemunha a alegria de os poder servir, e de se sentir amado por Ti.

Perdoa a minha fraqueza e reforça em mim a convicção de que o que realmente queres é a transformação da minha vida, a passagem do temor ao amor, do apego ao desapego, da angústia à confiança.

Dá-me o teu Espírito Santo, para que este programa tão exigente se torne realizável e me encha de paz.

Fonte: Resumo e adaptação local de um texto de “dehonianos.org/portal/liturgia/”

 

6ª FEIRA da III SEMANA DA PÁSCOA

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15Abr2018
| Escrito por Assis

 

6ª FEIRA da III SEMANA DA PÁSCOA

Primeira leitura: Actos 9, 1-20

Lucas narra três vezes a conversão de Paulo (9, 1-22; 22, 3-16; 26, 9-18). Esta tripla narrativa significa a importância extraordinária do acontecimento.

A missão de Paulo entre os gentios era um problema. Porque é que os missionários cristãos não continuaram a evangelizar os judeus? Lucas sabe que essa mudança radical correspondia à vontade de Cristo. Paulo não queria ser cristão e, muito menos, queria ser missionário. Mas teve que sê-lo!

O nosso texto apresenta-nos Saulo a caminho de Damasco, decidido a
exterminar aquilo que julgava ser uma seita. Mas é envolto em luz e ouve uma voz que o interroga…

Trata-se de uma típica narrativa de vocação. Saulo ouve a voz d´Aquele que persegue. Cai do cavalo, fica cego e jejua três dias. Assim morre para a sua cegueira interior e ressuscita para uma nova compreensão da realidade.


O «mistério» de Saulo, e o alcance da sua missão, são entretanto revelados a
um tímido discípulo, chamado Ananias. Saulo é chamado a levar o nome de Jesus aos

pagãos e ao seu rei, tal como aos filhos de Israel. Não se podia dizer melhor o conteúdo da missão e da «paixão» de Saulo. De facto, poucos dias depois, Saulo começa a sua surpreendente missão, proclamando «Filho de Deus» aquele Jesus cujo nome pouco antes escarnecia, perseguindo os seus discípulos.

Evangelho: João 6, 52-59

Nesta secção, a mensagem é aprofundada e torna-se mais sacrificial e eucarística. Jesus é o pão da vida, não só pelo que faz, mas especialmente por causa da eucaristia. Jesus-pão é identificado com a sua humanidade, aquela humanidade que será sacrificada na cruz para salvação dos homens.

Jesus é pão, seja como palavra de Deus, seja como vítima sacrificial, que se faz dom por amor ao homem. A murmuração dos judeus denuncia a mentalidade incrédula de quem não se deixa regenerar pelo Espírito e não tenciona aderir a Cristo.

Jesus insiste: «se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós» (v. 53). Mais ainda: anuncia frutos extraordinários para aqueles que participam no banquete eucarístico: não se perderá (v. 39), será ressuscitado no último dia (v. 54) e viverá eternamente (v. 58).

Todos estes ensinamentos de Jesus, em Cafarnaúm, mais do que tratar do
sacramento, referem-se à revelação gradual do mistério da pessoa e da vida de
Jesus.

A missão é de Deus e está nas suas mãos. Por isso, sabe procurar colaboradores onde bem entende. Por vezes, escolhe pessoas que já gastaram muitas energias em actividades que nada tinham a ver com o Evangelho, ou até eram contra ele.

A primeira leitura apresenta-nos o caso de Saulo. Mas a história da Igreja apresenta-nos tantos outros, como Agostinho, Francisco de Assis, Inácio de Loiola… Há que não se deixar perturbar pela «falta» de vocações, ou pela qualidade
«aparente» daquelas que nos chegam.

Façamos o que está ao nosso alcance e confiemos em Deus, que pode, e certamente quer, continuar a surpreender-nos. Rezemos ao Senhor da messe, para que mande trabalhadores para a sua messe, e demos testemunho, quais modestos Ananias, para ajudarmos os novos apóstolos que o poder de Deus quiser suscitar.

As palavras de Jesus são duras:
«se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós» (v. 53). «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!» – perguntam os seus ouvintes. Mas Jesus não atenua as suas afirmações. Poderia dizer que não se trata exactamente de comer a

sua carne, mas de aderir, na fé, à sua pessoa. Mas o Senhor insistiu no realismo: «se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue…». Jesus não nos liga a Ele apenas pela fé. Liga-nos pelo seu corpo e pelo seu sangue, com toda a estrutura que forma o seu corpo, que é a Igreja. Ele não está simplesmente presente em nós, no nosso íntimo.

Também está fora, nos outros, na Igreja. A comunhão com os irmãos é um modo de nos unirmos também a Ele. A fé tem uma expressão externa.
A Eucaristia é presença, no meio de nós, do corpo e do sangue de Jesus, que deve encher toda a nossa vida, dando-nos uma nova forma de existência: «Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele» (v. 56).

A Eucaristia é o máximo sacramento da união com Cristo e entre nós, edifica-
nos na caridade como indivíduos e como comunidade: “Testamento do amor de Cristo que se entrega para que a Igreja se realize na unidade e assim anuncie a esperança ao mundo, a Eucaristia reflecte-se em tudo o que somos e vivemos” (Cst. 81). Cada celebração eucarística deve levar a um aumento de caridade fraterna no único amor do Coração de Jesus: “O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Uma vez que há um só pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão” ( 1 Cor 10, 16-17). Se a Igreja faz a Eucaristia, é também verdade que a Eucaristia faz a Igreja.

Senhor, quando rezo pelas vocações, nem sempre estou certo de que me escutas, porque tenho rezado tanto e vejo tão poucos frutos. Rezo porque mandaste que eu rezasse. Hoje, porém, sinto-me animado pela tua acção em Saulo e, pensando nas dificuldades actuais, atrevo-me a dizer-te confiadamente: renova no meio de nós os teus prodígios. Mostra, mais uma vez o teu poder, suscitando evangelizadores ardorosos com a qualidade de Saulo, de Agostinho, de Xavier e de tantos outros que bem conheces e me enchem de espanto. Não me deixes desiludido. Mostra o teu poder, para bem do teu povo. Dá à tua Igreja os sacerdotes, os religiosos, os missionários que precisa, para que o teu nome chegue aos confins da terra.

Fonte: Resumo e adaptação local de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia/”

 

   

5ª feira III Semana –– Páscoa

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15Abr2018
| Escrito por Assis

 

5ª feira  III Semana –– Páscoa

Primeira leitura: Actos 8, 26-40

Depois da Samaria, cujos habitantes eram meio judeus e meio pagãos, o Evangelho penetra em terreno vedado. O etíope personifica esta dupla conquista da Igreja nascente.

Dupla porque se trata de um eunuco que, como tal, estava excluído da assembleia de Israel (Dt 23,1); além disso, era provavelmente pagão, um dos tantos que, simpatizando com o judaísmo, aceitavam a maior parte dos seus princípios religiosos, sem todavia ser admitidos na comunidade judaica.

Se era realmente pagão, então terá sido o primeiro a converter-se ao cristianismo, embora Lucas não o afirme.

Trata-se, sem dúvida, de uma pessoa rica e influente, alguém que pode fazer uma longa viagem, devidamente equipado, e possuir um rolo manuscrito da Bíblia. Deus envia-lhe Filipe, guiado pelo Espírito.

O diácono aproveita o facto do etíope estar a ler Isaías para meter conversa com ele. E surge a grande pergunta: «De quem fala o profeta? De si mesmo ou de outra pessoa?».

Filipe fala- lhe, então, de Jesus. O eunuco acredita e recebe o baptismo. A mediação eclesial e a graça de Deus dissiparam-lhe as dúvidas.

Evangelho: João 6, 44-51

«Eu sou o pão da vida que desceu do céu». Estas palavras soam como absurdas. A multidão protesta e torna-se hostil.

É difícil ultrapassar o obstáculo da origem humana de Jesus e reconhecê-lo como Deus.

Então Jesus, evitando a discussão com os judeus, procura ajudá-los a reflectir sobre a dureza do seu coração, enunciando as condições necessárias para acreditar n´Ele: ser atraído pelo Pai (v. 44), docilidade a Deus (v. 45ª.), escutar o Pai (v. 45b.).

Estamos diante do ensinamento interior do Pai e do ensinamento da vida de Jesus, que desemboca na fé obediente do crente à palavra do Pai e do Filho.

Escutar Jesus é ser ensinado pelo próprio Pai. Com a vinda de Jesus, a salvação está aberta a todos, desde que se deixem docilmente atrair pelo Pai.

Há uma ligação entre a fé em Jesus e a vida eterna: só quem vive em comunhão com Jesus alcança a vida eterna; só quem «come» Jesus-pão não morrerá. Jesus, pão de vida, dá a imortalidade a quem se alimenta d´Ele, a quem, na fé, interioriza a sua palavra e assimila a vida.

Esta secção já inclui o tema da eucaristia que será tratado na secção seguinte.

A evangelização é, antes de mais, plano e acção de Deus. É o que nos mostra o texto da primeira leitura. Filipe recebe ordem para se pôr a caminho, em direcção ao Sul.

Não parece ser uma boa decisão em ordem à evangelização. Mas é no caminho para o Sul que irá encontrar um etíope predisposto a acolher a Boa Nova. Segundo a tradição, é nesse encontro que começa a evangelização da África.

Impressiona-nos a disponibilidade, o entusiasmo missionário, a capacidade de interpretar a Sagrada Escritura de Filipe. É, na verdade, um evangelizador convicto e preparado. O Espírito faz o «resto» …

O texto evangélico é denso de ensinamentos profundos. Jesus começa por afirmar: «Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair» (v. 44).

O Pai actua num duplo movimento, envia Jesus e atrai os homens para Jesus. Jesus mostra que o mais importante é a nossa relação com o Pai.

Sem ela, até a nossa relação com Jesus seria superficial. Por isso, o próprio Senhor acende em nós o desejo de sermos dóceis para com Deus, de nos deixarmos instruir por Ele: «Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus» (v. 45).

Não é fácil entendermos estas palavras de Jesus. Por vezes, somos tentados a pensar que, ser dóceis a Deus, nos retira a liberdade, nos faz menos felizes. Mas a docilidade a Deus é condição para irmos a Jesus, nossa alegria, nossa felicidade: «Todo aquele que escutou o ensinamento que vem do Pai e o entendeu vem a mim» (v. 45).

O Pai, actuando, forma em nós sentimentos, que são os de Cristo. Por isso é que o encontro com Cristo se torna possível.

O Pai ensina-nos a viver no abandono, na abnegação por amor e, assim, podemos compreender a paixão e a ressurreição de Jesus.

Vemos na morte de Jesus uma grande obra de amor, cujo resultado, a ressurreição, é obra divina. Pela nossa docilidade à acção do Pai em nós, somos atraídos para Jesus e tornamo-nos semelhantes a Ele.

Deus, ao atrair-nos para Jesus, quer tornar-nos participantes de todos os tesouros do seu Coração: da sua bondade, da sua misericórdia, da sua alegria, do seu amor. Sejamos dóceis a Deus Pai, e ajudemo-nos uns aos outros nessa docilidade.

Senhor, infunde em mim o dom da docilidade, o anelo de viver em união Contigo, sem procurar satisfações superficiais fora de Ti.

Acende em mim um grande desejo de Cristo, para que o meu conhecimento de Ti, isto é, a minha relação de amor Contigo, encha a minha alma como as águas enchem o mar.

Que todos os meus irmãos, homens e mulheres, particularmente os jovens, se possam abrir a essa mesma relação Contigo, a esse conhecimento de Ti, preparando uma nova messe para o teu Reino.

Fonte:

Resumo e adaptação local de um texto de “dehonianos.org/portal/liturgia”

 

4ª FEIRA III SEMANA DA PÁSCOA

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14Abr2018
| Escrito por Assis

 

4ª-FEIRA III SEMANA –– PÁSCOA

Primeira leitura: Actos 8, 1b-8

Depois do martírio de Estêvão, veio a perseguição da Igreja. Lucas conta que, à excepção dos Apóstolos, «todos se dispersaram pelas terras da Judeia e da Samaria» (v. 1). Assim começa uma nova fase na vida da frágil comunidade cristã: a sua difusão fora de Jerusalém.

São particularmente atingidos os seguidores de Estêvão, os helenistas, que se dispersam pela Judeia e pela Samaria, dando início à corrida da Palavra pelo mundo, «até aos confins da terra». Entretanto, Saulo devasta a Igreja.

Mas ela expande-se entre aqueles que estão fora do judaísmo: «Os que tinham sido dispersos foram de aldeia em aldeia, anunciando a Palavra da Boa Nova» (Act 8, 4). Distingue-se outro diácono, Filipe, que, como Estêvão, e como os Apóstolos, prega a Boa Nova e faz milagres.

Assim, enquanto a Igreja está de luto pela morte de Estêvão, também se enche de alegria com a acção de Filipe e de outros discípulos anónimos, que pregam o nome de Jesus na Samaria.

A fé cristã alarga-se a um novo espaço geográfico e cultural. É o mundo que se renova, graças ao contacto com a Palavra que se difunde.

Evangelho: João 6, 35-40

«Eu sou o pão da vida» (v. 35). À maneira sapiencial, Jesus apresenta-se como o revelador da verdade, o mestre divino que veio para alimentar os homens.

Jesus é personificação da revelação, ou revelação personificada. Utiliza o simbolismo do pão e do maná para descrever a sua própria revelação e o significado da sua pessoa.

Mas a multidão não quer entender, não reconhece Jesus como Filho de Deus. Então Jesus denuncia-lhe a incredulidade.

A Igreja primitiva, que vivia um conflito com a Sinagoga, manifesta, por meio do evangelista, a sua profunda ligação ao Mestre, e a convicção de que o projecto de Deus se realiza no acolhimento que cada um dos crentes reserva a Jesus. Ele fez-se homem, não para fazer a sua vontade, mas a vontade d´Aquele que O enviou.

O projecto de Deus tem em vista a salvação. Ao confiá-lo ao Filho, o Pai proclama que os homens se salvam em Jesus, sem que algum se perca: «a vontade daquele que me enviou é esta: que Eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas o ressuscite no último dia» (v. 39).

A expressão «último dia», em João, indica o dia em que termina a criação do homem e se realiza a morte de Jesus, o dia do triunfo final do Filho sobre a morte. Nesse dia, todos poderão saborear «a água do Espírito», dada à humanidade.

Depois da morte de Estêvão, aqueles que comungavam do seu «extremismo», os que não aceitavam compromissos com o judaísmo, são também perseguidos.

Por enquanto, escapam à perseguição os Apóstolos, talvez na esperança de que fosse encontrada uma solução para os problemas com a tradição judaica.


A perseguição ajudou a Igreja a não adormecer e a reencontrar as suas raízes missionárias, que são o segredo da sua eterna juventude. Quantas vezes, se verificou essa verdade, ao longo da história!

Quando os discípulos do Senhor parecem comodamente instalados, quando se consideram integrados num determinado contexto social, é o próprio Espírito a agitar o «lugar» com várias provações, incluindo a perseguição. Se a comunidade estiver viva, como estava em Jerusalém, a perseguição dará os seus frutos.
Jesus não despreza a vida corporal.

Quantas vezes interveio para curar doentes e, até, ressuscitar mortos. Mas não pretende satisfazer apenas as nossas necessidades corporais. Quer dar-nos a vida em plenitude.

O pão da terra conserva a vida, mas não nos faz ressuscitar. Jesus quer que participemos da sua ressurreição, porque é essa a vontade do próprio Pai: «Esta é, pois, a vontade do meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.» (v. 40). Jesus abre-nos um caminho através da morte até à ressurreição.


Ao dar-nos o seu Corpo na Eucaristia, Jesus comunica-nos a sua vida de ressuscitado e alimenta-a em nós. A Eucaristia é penhor de ressurreição. Jesus abriu-nos o caminho da vida eterna porque se entregou à morte por nosso amor. Na oferta de Si mesmo, venceu a morte. Na Eucaristia, Jesus renova o dom de Si mesmo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós…

Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós» (Lc 22, 19-20). Receber a Eucaristia é receber Aquele que se ofereceu por nós até à morte e, portanto, receber a força para percorrer o mesmo caminho.

Glória a Ti, Senhor Jesus Cristo, que lançaste a cruz como ponte sobre a morte para que através dela passássemos da morte à vida.

Glória a Ti, Senhor Jesus Cristo, que assumiste um corpo de homem mortal para o transformares em manancial de vida em favor de todos os mortais.

Enche-nos do teu Espírito para que, tornando-nos grão de trigo lançado à terra, participemos na tua ressurreição e colaboremos no ressurgir Contigo da multidão dos homens.

Fonte:

Resumo e adaptação local de um texto de “dehonianos.org/portal/liturgia/”

 

 

   

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