TERÇA-FEIRA – XV SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES - 17 JULHO 2018

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16Jul2018
| Escrito por Assis
TERÇA-FEIRA – XV SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES - 17 JULHO 2018 Primeira leitura: Isaías 7, 1-9 A partir dos anos 735-733 a. C. a independência política de Judá estava seriamente ameaçada, seja a partir da Assíria, seja a partir de Efraim, aliado à Síria. É com este pano de fundo que abre, no capítulo 7 de Isaías, o chamado «livrinho do Emanuel». Enquanto Acaz prepara a defesa de Jerusalém, e o seu abastecimento de água em caso de assédio, Isaías vai ao encontro dele, com o seu filho simbolicamente chamado «um resto há-de voltar». Não foi um encontro propriamente amistoso, dadas as posições opostas do rei e do profeta no que se referia a política de alianças. Enquanto o rei pretendia aliar-se à Assíria, contra Efraim e a Síria, o profeta opunha-se a essa ideia, insistindo na necessidade de confiar unicamente no Deus da Aliança e das Promessas. O rei pode levar por diante os seus intentos. Judá sofrerá as consequências. Mas Deus não vai faltar à aliança estabelecida com a casa de David. Sobrará «um resto», que garantirá o cumprimento das promessas. Os reis vizinhos são bem pouca coisa diante do rei de Jerusalém, que é o próprio Javé. Há, pois, que confiar plenamente n´Ele! Acaz, céptico, deve ter sorrido às palavras de Isaías. O profeta, indignado, ameaça: «Se não o acreditardes, não subsistireis» (v. 9). Acaz devia saber que não era um rei semelhante aos seus vizinhos, mas apenas o representante de Javé, o verdadeiro rei de Jerusalém. Não aceitar essa condição era usurpar o lugar de Deus, era ser infiel à Aliança. Acaz despede-se com uma atitude diplomática de escuta. Mas o profeta não acredita nele. Evangelho: Mateus 11, 20-24 «A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito será pedido» (Lc 12, 48). O texto que hoje escutamos ilustra bem esta afirmação de Jesus. Corazim, Betsaida e Cafarnaúm beneficiaram da primeira actividade taumatúrgica e missionária de Jesus (vv. 21.23). Mas não se converteram. Jesus aponta-as como protótipos da “geração caprichosa” , semelhante às crianças que, em vez de participarem no jogo que outras crianças organizam nas praças, ficam sentadas sem ligarem ao que se passa (cf. Mt 11, 16-19). Os milagres, que Jesus realizou nas cidades próximas do lago de Genesaré, levantavam o véu sobre a sua identidade. Eram prova da acção do Espírito, da vitória sobre Satanás, da misericórdia de Deus, que sempre convida o extraviado a regressar à casa paterna. Eram, por assim dizer, obras-palavra, acções pedagógicas, cuja finalidade era levar ao acolhimento de Jesus e da sua mensagem, na fé: «Convertei-vos e acreditai no evangelho» (Mc 1, 15b). Mas as cidades da Galileia não corresponderam ao dom recebido. Tal correspondência pressupõe uma disponibilidade que vem da consciência da necessidade de ser salvo, de ser libertado do mal. Por isso, as cidades pecadoras, tal como Tiro, Sídon e Sodoma, são potencialmente mais dispostas ao evangelho e à conversão. Acaz pensava que a estabilidade do seu reino podia vir da sua política de alianças. Mas Isaías insiste que a única garantia de estabilidade é a fé, que põe à nossa disposição a força de Deus. Na iminência da invasão sírio-efraimita, o rei treme e agita-se «como se agitam as árvores das florestas impelidas pelo vento» (v. 2). Mas Deus, por meio do seu profeta, diz-lhe: «Tranquiliza-te, tem calma» (v. 4). Trata-se de um claro convite à fé e à confiança n´Aquele que pode salvar (cf. Heb 7, 25). Precisamos de regressar a esta atitude de fé e confiança em Deus. Os nossos bons propósitos valem se, em vez de confiarmos em nós, confiamos em Deus. A vida cristã não existe sem a fé, e não subsiste se a fé não for alimentada e não crescer cada dia, porque, sem a fé, é impossível o amor. A fé, todavia, não afasta a lucidez da análise do que acontece à nossa volta. Pelo contrário, permite ver em profundidade e tirar as últimas consequências dos fenómenos políticos, sociais, familiares… A fé não impede a aquisição da necessária competência para tratar as questões contingentes. Pelo contrário, estimula-a, com a certeza de que nada se perde, nem mesmo as derrotas e os fracassos, porque Deus é o salvador de tudo quanto existe. A fé alarga os horizontes para além das aparências, e permite reconhecer a obra do Espírito Santo, que orienta o homem para a plena revelação do Pai em Cristo. Abrir-se a este reconhecimento é abrir-se à alegria, mesmo nas dificul dades e sofrimentos que a vida nos apresenta. Ao analisar a sociedade do seu tempo, com todos os problemas que a afligiam, o Pe. Dehon não o faz como um qualquer sociólogo. O seu olhar de teólogo e de místico, o seu olhar de fé, leva-o a observar a causa mais profunda dos males da sociedade e os remédios adequados para os combater. O mal-estar social é consequência da recusa do amor de Cristo, é consequência do pecado. Para remediar esse mal-estar, é preciso instaurar o Reino de Cristo nas almas e nas sociedades; «a solução da actual questão social» está na «reparação por meio do puro amor…». Esta afirmação do Fundador, perante os seus noviços, pode soar a espiritualismo. Mas a intensa acção social em S. Quintino, os congressos, o jornal, a revista, e os muitos livros de denúncia das injustiças e de divulgação da doutrina social da Igreja, dizem-nos que era um homem com os pés bem assentes na terra. Mas a sua fé mostrava-lhe que, para além de todas as medidas humanas, só a vivência do puro amor pode construir a tão suspirada “civilização do amo Senhor Deus, vivifica em mim o dom da fé, para que possa vivê-lo e testemunhá-lo. Perdoa a dureza do meu coração, que, por vezes, me leva a viver como se Tu não existisses, ou a querer-Te diferente do que és. Perdoa-me escandalizar-me pelo modo como Te revelas na vida de Jesus, e, sobretudo, pelo modo como hoje Te queres revelar na vida da Igreja, e de cada um dos cristãos, também da minha, com todas as contradições, incoerências, fragilidades e infidelidades. Dá-me suficiente humildade para acolher-Te no modo como Te queres revelar: no Pão, na Palavra, no irmão, nos acontecimentos da história. . Fonte: adaptação local de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia”
 

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B - 15 JULHO 2018

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14Jul2018
| Escrito por Assis

 

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B - 15 JULHO 2018

A liturgia deste Domingo recorda-nos que Deus actua no mundo através das pessoas que Ele chama e envia como testemunhas do seu projecto de salvação. Esses “enviados” devem ter como grande prioridade a fidelidade ao projecto de Deus e não a defesa dos seus próprios interesses ou privilégios.

A primeira leitura (Am 7,12-15), apresenta-nos o exemplo do profeta Amós. Escolhido, chamado e enviado por Deus, o profeta vive para propor aos homens – com verdade e coerência – os projectos de Deus para o mundo. Actuando com total liberdade, o profeta não se deixa manipular pelos poderosos nem amordaçar pelos seus próprios interesses pessoais.

Deus está na origem da vocação profética; e a actuação do profeta só faz sentido se partir de Deus e se tiver como objectivo apresentar aos homens as propostas de Deus.

É preciso que nós crentes – constituídos profetas pelo Baptismo – tenhamos Deus como a referência de onde parte e para onde se orienta a nossa acção e missão proféticas. Nenhum profeta o é por sua iniciativa pessoal, ou para anunciar propostas pessoais; mas é Deus que nos chama, que nos envia e que está na base desse testemunho que somos chamados a dar no meio dos homens.

O profeta é um homem livre, que não se amedronta nem se dobra face aos interesses dos poderosos. Por isso, o profeta não pode calar-se perante a injustiça, a opressão, a exploração, tudo o que rouba a vida e impede a realização plena do homem.

Amasias – o sacerdote que alinha ao lado dos poderosos, , que se compromete com eles, que vende a sua consciência para manter o lugar e que transige com a injustiça para não incomodar os poderosos – é um exemplo a não seguir

Amós, o profeta que não se cala nem se vende, que está disposto a arriscar tudo para defender os pequenos e os fracos e que não hesita em propor os projectos de Deus para o homem e para o mundo, deve ser o modelo para qualquer crente a quem Deus chama a cumprir uma missão profética no meio do mundo.

A segunda leitura (Ef 1,3-14 ), garante-nos que Deus tem um projecto de vida plena, verdadeira e total para cada pessoa – um projecto que desde sempre esteve na mente do próprio Deus. Esse projecto, apresentado aos homens através de Jesus Cristo, exige de cada um de nós uma resposta decidida, total.

No meio das nossas desilusões e dos nossos sofrimentos, e do nosso pecado, dos nossos medos, não esqueçamos que somos filhos amados de Deus, a quem Ele oferece continuamente a vida definitiva, a verdadeira felicidade.

Deus “elegeu-nos… para sermos santos e irrepreensíveis”. Tentar descobrir o plano de Deus, o projecto que Ele tem para cada um de nós e concretizá-lo dia a dia com verdade, fidelidade e radicalidade.

No meio das solicitações do mundo e das exigências da nossa vida profissional, social e familiar, temos tempo para Deus, para dialogar com Ele e para tentar perceber os seus projectos e propostas? E temos disponibilidade e vontade de concretizar as suas propostas, mesmo quando elas não são conciliáveis com os nossos interesses pessoais?

No Evangelho (Mc 6,7-13), Jesus envia os discípulos em missão. Essa missão – que está no prolongamento da própria missão de Jesus – consiste em anunciar o Reino e em lutar objectivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Antes da partida dos discípulos, Jesus dá-lhes algumas instruções acerca da forma de realizar a missão… Convida-os especialmente à pobreza, à simplicidade, ao despojamento dos bens materiais.

Deus age, hoje, no mundo através dos discípulos que aceitam responder positivamente ao seu chamamento . Eles continuam hoje no mundo a obra de Jesus e anunciam esse mundo novo de felicidade sem fim que Deus quer oferecer aos homens.

Jesus não chama apenas um grupo de “especialistas”: a totalidade do Povo de Deus (os “doze”) que é enviada, a fim de continuar a obra de Jesus. Devemos ter consciência de que isto nos diz respeito e que eu pertenço à comunidade que Jesus envia em missão.

A missão dos discípulos de Jesus é lutar objectivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Lutar contra o que gera guerra, violência, terror, morte. Hoje há “valores” (apresentados como o “último grito” da moda, do avanço cultural ou científico) que geram escravidão, opressão, sofrimento: a missão dos discípulos de Jesus é recusá-los e denunciá-los.

Hoje há esquemas de exploração que geram miséria, marginalização, debilidade, exclusão: a missão dos discípulos de Jesus é combatê-los: Em qualquer lado onde houver um irmão vítima da escravidão e da injustiça.

As advertências de Jesus para que os discípulos se apresentem sempre numa atitude de sobriedade e de despojamento

Fonte: Resumo e adaptação local de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia”

   

Sábado – XIV Semana –Tempo Comum – Anos Pares - 14 Julho 2018

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13Jul2018
Actualizado em 13 Julho 2018 | Escrito por Assis

Sábado – XIV Semana –Tempo Comum – Anos Pares -

14 Julho 2018

Primeira leitura: Isaías 6, 1-8

Este texto de Isaías, escrito cerca de 724 a. C., é muito importante para compreendermos a sua mensagem. Morto o rei Ozias, termina um período de prosperidade e de autonomia para Israel. O profeta aproveita a ocasião para proclamar a santidade e a grandeza de um Deus que transcende em muito a grandeza humana e que é, por excelência, «o Santo de Israel».

Isaías sente-se chamado por esse Deus a ser profeta. Tudo acontece num dia de festa, no templo de Jerusalém. Isaías, no meio da assembleia, dá-se conta do seu carisma. Senaquerib, que devastara 46 cidades e muitas aldeias, ameaçava Jerusalém. Os dirigentes do povo, interesseiros, procuravam ganhar os favores de Javé à custa de uma religião vazia e de uma liturgia aparatosa, enquanto continuavam a oprimir as camadas sociais mais carenciadas, nomeadamente os órfãos e as viúvas.

O profeta faz uma descrição antropomórfica de Deus, sentado num trono e rodeado de serafins (criaturas com semelhança humana, mas dotados de seis asas), muito ao estilo das representações do Médio Oriente.

Mas a visão de Isaías diz muito mais. A tripla aclamação «Santo, santo, santo» procura expressar a infinita santidade de Deus, a sua transcendência, a sua absoluta alteridade em relação ao que é terreno. A vibração das portas do templo e o fumo manifestam a presença de Deus.

Isaías sente-se aterrado por causa da sua indignidade, devida aos seus pecados e aos do povo. A sua reacção lembra-nos Ex 33, 20: «Pode um homem ver a Deus e não morrer?» Mas Deus não quer a morte do homem. Por isso, intervém com um gesto simbólico de purificação (vv. 7s.).

Resumindo: Deus interpela e chama Isaías para que, investido da glória e da santidade de Deus, vá profetizar em seu nome. Isaías corresponde com a total disponibilidade de quem se sabe invadido por um Deus que salva: «Eis-me aqui, envia-me» (v. 8).

Evangelho: Mateus 10, 24-33

As exigências da missão são extremas, podendo incluir a perseguição e a morte, como lemos ontem. Hoje, Jesus introduz no seu discurso a expressão «Não temais», que ocorre 366 vezes na Bíblia.

O nosso texto está estruturado sobre a repetição, a modo de imperativo, do convite a não ter medo (vv. 26.28.31), seguido das razões pelas quais a confiança deve sempre vencer. A primeira razão é: ainda que o bem esteja, por agora, velado, e a astúcia e a virulência do mal pareçam escondê-lo, acontecerá uma reviravolta completa e veremos, no triunfo de Cristo, a vitória dos que escolheram praticar o bem. Eis a razão pela qual os discípulos de Jesus são encorajados à audácia do anúncio.

O que recebemos é pequeno como uma luzinha nas trevas, como um sussurro ao ouvido, mas deve ser dado à plena luz do dia, gritado sobre os telhados. Inicialmente, o Evangelho era algo de oculto e misterioso, que era preciso manter em segredo, dado a conhecer a poucos e com as devidas precauções, para não desencadear a perseguição. Mas chegou o tempo de o dar a conhecer ao mundo inteiro! 

O pior que pode acontecer aos missionários do Reino é a morte do corpo. Mas seria muito pior a morte da alma, a perda da vida (alma significa vida). Ora, só Deus pode tirar a vida. Mas não o faz àqueles que O amam e O temem. Jesus conclui a sua argumentação com duas imagens muito ternas: a dos pássaros que, valendo pouco, são amados pelo Pai, e a dos cabelos da cabeça, contados por Ele. Não há, pois, que temer: «Ide: proclamai que o Reino do Céu está perto!» (Mt 10, 7).

Perante a visão de Deus, Isaías treme de medo porque se dá conta da sua fragilidade e necessidade de purificação, e porque é membro de um povo também ele carecido de ser purificado: «Ai de mim, estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, que habita no meio de um povo de lábios impuros» (v. 5). Deus purifica-o, e Isaías dispõe-se a ser profeta no meio do seu povo: «Um dos serafins…trazia na mão uma brasa viva… tocou na minha boca e disse: foi afastada a tua culpa, e apagado o teu pecado!.. Então eu disse: «Eis-me aqui, envia-me».

O temor de Deus é uma atitude complexa em que confluem o respeito reverente, a obediência, a adesão profunda, a adoração, o amor. Foi sentido por muitos profetas e santos, que fizeram a experiência do encontro com Deus, três vezes santo. Diante d´Ele, damo-nos conta da nossa condição de criaturas e da impureza da nossa vida. Já o salmista rezava: «Senhor, nosso Deus, como é admirável o teu nome em toda a terra! Adorarei a tua majestade, mais alta que os céus… que é o homem para te lembrares dele, o filho do homem para com ele te preocupares?

Mas, se nos deixarmos penetrar por esta atitude, também poderemos ter toda a confiança na sua misericórdia. Jesus une o temor de Deus e a confiança: «Não se vendem dois pássaros por uma pequena moeda? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai! … Não temais, pois valeis mais do que muitos pássaros» (vv. 29.31).

Ambas as leituras nos falam da experiência de temor na presença de Deus, que Se nos revela e chama a uma missão. Mas também em ambas as leituras escutamos a palavra do Senhor que nos diz: «não tenhas medo», «não temais». Aquele que nos ama, nos chama e nos envia, purifica-nos e está connosco: «Não temas: eu estarei contigo»; «não temais, eu estarei convosco» (Ex 3, 12; Dt 31, 6; 31, 15; 1 Cr 28, 20; Jr 1, 17; 46, 28; 30, 11). A Virgem Maria também experimentou a sua condição de criatura limitada e frágil perante a grandeza e poder de Deus, no dia da Anunciação. Por isso, o Anjo lhe diz: «Não tenhas medo, Maria » (Lc 1, 30).

O medo e a desconfiança, na relação com Deus, mas também na relação connosco ou com os outros, paralisam-nos, transformam-nos em escravos. Mas Paulo adverte-nos: «Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no medo, mas recebestes um espírito de filhos adoptivos, por meio do qual gritamos: “Abbá, Pai!”. O mesmo Espírito atesta ao nosso espírito que somos filhos de Deus» (Rm 8, 15-16). «Se vivemos do Espírito, caminhemos segundo o Espírito» (Gl 5, 25). Na relação com Deus, embora conhecendo os nossos limites e os nossos pecados, temos consciência de estar perante um Pai, cheio de amor e de misericórdia. No exercício da missão que nos confia, na sua obra de salvação do mundo, sabemos que não estamos sós, mas que Ele está connosco.

Senhor, purifica os meus lábios, mas purifica, sobretudo, o meu coração. Quantas vezes alimento pensamentos e desejos, que não nascem da certeza do teu amor, da vontade de lhe corresponder, da confiança em Ti. Quantas vezes, me deixo dominar pelo temor, quando surgem dificuldades e problemas no caminho para Ti, ou na missão que me confiaste. Faz-me escutar novamente a tua palavra: «Não temas; Eu estou contigo!». Purifica-me, Senhor, e dá-me coragem e confiança para aceitar a purificação! Dá-me agilidade no combate espiritual contra as paixões, para que deseje e queira, sempre, em tudo, e somente a tua glória. Assim encontrarei também a paz e a serenidade, que tornarão mais felizes e plenos os breves dias da minha vida.

Fonte: Adaptação local de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia”

 

SEXTA-FEIRA – XIV SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES - 13 JULHO 2018

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12Jul2018
| Escrito por Assis

 

SEXTA-FEIRA – XIV SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES - 13 JULHO 2018 


Primeira leitura: Oseias 14, 2-10

Oseias, num arrebatamento lírico-afectivo, proclama, mais uma vez, o apaixonado amor de Deus por Israel. No primeiro versículo, que não se encontra no texto litúrgico, é descrito o fim dramático de Samaria. Um cume de horror. Mas, a esse cume, corresponde outro: o do amor de Deus.

E estrutura do capítulo 14 é o de uma celebração penitencial. Há que tomar consciência do próprio pecado (v. 2). É um convite muitas vezes repetido pelos profetas (cf. Am 5, 21-24; Is 1, 10-17; Mq 6, 6-8; Sl 50, 8-21; 51, 18s.). Diante do arrependimento do povo, já convencido da inutilidade e do prejuízo do recurso a potências estrangeiras (Assur-Assíria), e da ilusória confiança nas próprias iniciativas (v. 4), 

Deus vai garantir o futuro esperançoso do povo: «Curarei a sua infidelidade, amá-los-ei de todo o coração, porque a minha cólera se afastou deles» (v. 5). A decisão de Javé provoca uma reviravolta que o profeta expressa com imagens de extraordinária beleza: «Serei para Israel como o orvalho: florescerá como um lírio e deitará raízes como um cedro do Líbano. Os seus ramos estender-se-ão ao longe, a sua opulência será como a da oliveira, o seu perfume como o odor do Líbano. Regressarão os que habitavam à sua sombra; renascerão como o trigo, darão rebentos como a videira e a sua fama será como a do vinho do Líbano» (vv. 6-8). E seguem outras imagens igualmente belas, até ao v. 10, que confia aos sábios a compreensão de todos os oráculos. Mas a verdadeira sabedoria pode resumir-se a percorrer com rectidão os caminhos do Senhor.

Evangelho: Mateus 10, 16-23

O nosso texto reflecte a profecia de Jesus sobre a sorte dos seus discípulos, mas também a experiência posterior da Igreja, que descobriu todo o sentido das palavras do seu Senhor e Mestre. 

Quando Mateus escreveu, já muitos discípulos tinham sido presos, levados aos tribunais e executados por causa do «nome» de Jesus. O judaísmo oficial, pelo ano 70, declarou excomungados da Sinagoga todos aqueles que confessassem que Jesus é o Messias. E surgiu, ou acentuou-se a divisão e o ódio nas famílias: uns a favor de Jesus e outros contra.

Os discípulos, particularmente os missionários, são comparados ao Cordeiro «que tira o pecado do mundo» (Jo 1, 29), Aquele que carregou sobre si os nossos pecados e os nossos sofrimentos (cf. Is 59, 11), para realizar o projecto de Deus, que quer salvar todos os homens (1 Tm 2, 4).

A mansidão e a não-violência do missionário não são fraqueza nem masoquismo, mas vivência de duas virtudes aparentemente opostas: a prudência da serpente, como exercício de inteligência vigilante, realista e crítica, que evita o engano; a simplicidade da pomba, como exercício de um procedimento límpido e confiante, próprio de quem sabe estar nas mãos de Deus-Pai, poderoso e bom. Nos tribunais, há que confiar na presença e na acção do Espírito.

O futuro do discípulo não é róseo. O mal gera o mal e abala as próprias relações familiares. Mas quem suportar ser odiado, não pelos seus crimes, mas por causa de Cristo, será salvo.

A primeira leitura ensina-nos que não há poderes humanos capazes de nos salvar: «A Assíria não nos salvará» (v. 4). Também projectos baseados na auto-suficiência, tal como uma religião imaginada e construída à nossa medida, não são fiáveis: «nunca mais chamaremos nosso Deus a uma obra das nossas mãos» (v. 5). Só Deus pode salvar: «só junto de ti o órfão encontra compaixão» (v. 5). É Deus que constrói o Reino em nós e a nossa volta.

O segredo para a vida, para a ultrapassagem das situações difíceis, é o coração habitado por Deus. Fazer memória, re-cordar permanentemente a Deus, é um modo eficaz para ser habitado por Deus, e produzir frutos, ou, melhor dizendo, deixar que o seu Espírito produza os seus frutos em nós, e por meio de nós, no apostolado.

Jesus não promete facilidades aos seus discípulos. Pelo contrário, apresenta-lhes um quadro espantoso de provações, de perseguições, de traições. O mundo resistirá à graça da mensagem evangélica, porque ela exige conversão profunda. Mas o Senhor promete estar com eles, para lhes dar coragem e inspirar as palavras adequadas: «quando vos entregarem, não vos preocupeis nem como haveis de falar nem com o que haveis de dizer; nessa altura, vos será inspirado o que tiverdes de dizer. Não sereis vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai é que falará por vós» (Mt 10, 19-20).

Também nós, nas pequenas e grandes dificuldades da vida e do nosso ministério, havemos de confiar no Espírito Santo, o Espírito de Jesus, presença viva em nós, comportando-nos como instrumentos dóceis, aos quais Ele dá pensamentos, palavras e acções. A nossa vida de cristãos, e de missionários do Reino, não é fácil. Mas o Senhor é «orvalho» de Espírito Santo, sugerindo-nos o modo como enfrentar e relacionar-nos com o mundo em que vivemos. Ajudar-nos-á a ser simples na busca de Deus e de tudo o que é verdade de amor: ajudar-nos-á a ser prudentes no discernimento dos caminhos que não nos afastem dessa verdade.

Jamais compreenderemos suficientemente a maravilha que é a presença de Deus em nós, a força e a eficácia apostólica de um coração habitado por Deus, a grandeza dos dons de Cristo e do Espírito. Eles constroem-nos pessoal e comunitariamente, são uma força imparável nas dificuldades da vida e do apostolado: «Tudo posso n´Aquele que me dá força» (Fl 4, 13). São luz, são dinamismo de memória de Cristo, da sua doutrina, do que fez por nós: «O Consolador, o Espírito Santo que o Pai há-de enviar em Meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo aquilo que vos tenho dito» (Jo 14, 26). São força de vida e acção cristã: «O amor de Deus foi derramado nos nossos corações por meio do Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5). O mundo não pode compreender estas realidades maravilhosas, porque, tendo recusado a Cristo, não pode receber o seu Espírito (cf. Jo 14, 17).

Eu Te bendigo, Senhor, que quiseste habitar em mim. Que eu Te procure a cada instante, e viva em perene intimidade Contigo. A tua maravilhosa presença permitir-me-á corresponder ao projecto de amor e salvação em que me quiseste envolver. O orvalho do teu Espírito tornar-me-á capaz de florir e produzir frutos de amor vital e esponsal para Contigo e de bem generoso e perene para com os irmãos.

Faz-me manso, na força do teu amor; faz-me capaz de perdoar, de compreender os outros, ainda que não possa ou não deva partilhar das suas ideias, do seu credo ou das suas acções.
Que eu, habitado por Ti, seja sempre, para todos, presença do teu amor que salva.

Fonte: adaptação local de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia”

   

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