SEXTA-FEIRA – VIII SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES. 01 de Junho 2018

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28Maio2018
Actualizado em 28 Maio 2018 | Escrito por Assis

SEXTA-FEIRA – VIII SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES.

01 de Junho 2018

Primeira leitura: 1 Pe 4, 7-13

Dando um salto notável, chegamos à secção conclusiva da Primeira Carta de Pedro. Depois de nos assegurar da graça com que fomos salvos (cf. 5, 12), o Apóstolo pede-nos que permaneçamos em Cristo. A ressurreição de Jesus introduziu-nos na última e definitiva fase da história, e exige de nós uma nova forma de existir cujas características se pode resumir em três palavras: amor, hospitalidade, serviço. O facto de encontrarmos estas mesmas palavras nas Cartas de Paulo, significa que eram temas importantes na pregação, nos primeiros tempos da Igreja. O amor, a hospitalidade e o serviço, por sua vez, devem ser alimentados pela oração.

Quanto ao serviço, Pedro menciona concretamente o da transmissão da Palavra de Deus e a defesa do Evangelho, bem como as diversas formas de participação nas responsabilidades comunitárias, tais como o serviço litúrgico e a ajuda aos pobres.

A multiforme graça de Deus, o dom peculiar de cada um, não deve redundar em glória própria, mas na glória de Deus que, por Cristo, enriqueceu extraordinariamente a comunidade de Cristo: «A Ele a glória e o poder por todos os séculos dos séculos. Ámen.» (v. 11). Esta doxologia dirigida ao Pai por Cristo, e ao próprio Cristo, é caso único no Novo Testamento.

Evangelho: Marcos 10, 1-12

Depois de uma longa viagem, durante a qual anunciou o Reino e realizou prodígios, que manifestavam a sua presença, Jesus chega a Jerusalém. Entra no templo, examina a situação, e retira-se para Betânia, onde pernoita.

No dia seguinte dá-se o episódio da maldição da figueira, um evento que tem dado aso a muitas discussões e hipóteses entre os exegetas. Não vamos entrar nelas. Mas, encorajados pela liturgia que nos faz ler hoje três episódios do ministério de Jesus em Jerusalém, – a maldição da figueira (vv. 12-14), a expulsão dos profanadores do tempo (vv. 15-19), a exortação à fé (vv. 22-25), – vamos procurar descobrir a ligação que há entre eles. Jesus tem fome, procura figos na figueira e não os encontra.

Marcos informa que «não era tempo de figos» (v. 14). Este evento enquadra-se no contexto da revelação que Jesus está a completar. O tempo da fé é salvífico, e não cronológico. Jesus revela que o Pai, n´Ele, tem fome e tem sede, não de alimento ou de bebida, mas de amor, de justiça, de rectidão; tem fome e sede de respeito pela sua morada, e não da profanação do templo santo, que somos cada um de nós. Para saciar esta fome e esta sede, todo o tempo e todo o lugar são bons. Israel perdera a sua fecundidade religiosa porque, explorando o povo simples no próprio templo de Deus, não amava a humanidade e não podia, por conseguinte, correr o risco da maravilhosa aventura da oração e da fé.

Pedro exorta-nos a viver segundo o dom que recebemos, actuando como bons administradores da graça de Deus (cf. v. 10).

A fé revela-nos a imensa riqueza de graças que recebemos. A vida, as qualidades físicas, morais e espirituais, são enormes dons divinos. Somos dom de Deus, um dom generoso, um dom gratuito. E é fazendo-nos dom, a Deus e aos outros, que crescemos e nos realizamos. Os dons de Deus são para o serviço da comunidade, de cada um dos irmãos que a compõem. 

Quanto mais formos dom para os outros, mais receberemos do amor divino.
Pedro dá dois exemplos: a Palavra e o serviço. «Se alguém tomar a palavra, que seja para transmitir palavras de Deus; se alguém exerce um ministério, faça-o com a força que Deus lhe concede» (v. 11). Não se fale por falar, mas para transmitir as palavras de Deus. O serviço aos irmãos faz-se com a força que vem de Deus.

A verdadeira caridade, aquela que cobre a multidão dos pecados (v. 8), não tem origem em nós, mas em Deus. Amamos com o amor que recebemos de Deus, com o amor com que fomos amados. Por isso, a Palavra e o serviço hão-de ser para glória de Deus: «para que em todas as coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo» (v. 11). Mas só os humildes, os agradecidos, os generosos podem viver tão belo ideal.

O evangelho apresenta-nos importantes lições de Jesus, na sua última ida a Jerusalém: a figueira estéril, símbolo da incredulidade judaica, oferece-lhe o ensejo de insistir numa fé intensa; a Casa de Deus serve para a oração e não para comércio; Deus só perdoa a quem perdoar ao seu próximo.

Fechar-nos no nosso orgulho e ambições é, como aconteceu a Israel, lançar-nos a um caminho que leva à esterilidade e à seca. Fazer dos nossos templos, dos nossos santuários, lugares de oração, mas também de comércio e exploração, não é amar e servir como Deus quer, acima de qualquer holocausto e sacrifício. Para que a nossa oração alcance os resultados surpreendentes da fé, é necessário que, antes, se perdoe aos inimigos.

Queremos viver para a glória de Deus, acolhendo o Espírito, e agindo sob o influxo dos Seus dons, pondo o carisma recebido ao serviço dos irmãos. Assim, permitimos ao mesmo Espírito produzir em nós os seus frutos, principalmente o da caridade, o do amor oblativo (cf. Gl 5, 22). Paulo define os sinais da caridade, do amor oblativo: a alegria, a paz: ser criaturas de alegria e de paz; as manifestações: a paciência, a bondade, a benevolência. Mas também lhe indica as condições: ser fiéis a Cristo, imitar a mansidão e a humildade do Seu Coração e deixar-se guiar, não pelo nosso egoísmo, mas pelo Espírito de Deus.
Senhor, parece-me que não tenho alternativa: ou sou templo de oração, ou me torno espelunca de ladrões. Se não uso os talentos que me deste, se não os ponho ao serviço dos irmãos, sendo acolhedor, compreensivo, misericordioso, corro o risco de os desperdiçar, ainda que seja a satisfazer as necessidades cultuais dos teus fiéis.

Se não trabalho para que em tudo seja o Pai glorificado, corro o risco de buscar a minha própria glorificação. Vivendo Contigo, não posso escolher entre Ti e a humanidade, mas viver com ambos. Só alcançarei o meu próprio bem na medida em que me ocupar das coisas do Pai Contigo, na medida em que caminhar pelos teus caminhos.

Ensina-me a falar comigo mesmo e com os outros da Palavra que nos deste e a realizar o serviço que me confias. E que, em tudo, sejas glorificado.

Fonte: Adaptação local de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia/”

 

31 MAIO 2018 - VISITAÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA

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28Maio2018
| Escrito por Assis

 

31 MAIO 2018 - VISITAÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA

A Festa de Visitação começou a ser celebrada no século XIII, pelos Franciscanos. Bonifácio IX (1389-1384) introduziu-a no calendário universal da Igreja. Tradicionalmente celebrada a 2 de Julho, a festa foi antecipada pelo novo calendário para o dia 31 de Maio, ficando assim entre a Solenidade da Anunciação (25 de Março) e o Nascimento de João Batista (24 de Junho). Depois da Anunciação, Maria foi visitar a prima Isabel, partilhando com ela a alegria que experimentava perante as “maravilhas” n´Ela operadas pelo Senhor. Impele-a também a essa visita a sua caridade feita disponibilidade e discrição. Para Lucas, Maria é a verdadeira Arca da Aliança, a morada de Deus entre os homens. Isabel reconhece esse fato e reverencia-o. Toda a visitação de Maria é um acontecimento de Jesus.

Primeira leitura: Sofonias 3, 14-18ª

O reinado de Josias (séc. VI a. C.) foi marcado por permanentes infidelidades de Israel a Deus. O povo, esquecendo a Aliança com Deus, fazia alianças humanas e deixava-se levar pelas modas, cedendo ao culto de deuses estrangeiros. Perante esta situação, Sofonias ergue a voz para proclamar “o dia terrível de Javé” em que o pecado dos povos, também de Judá, seria manifestado e julgado. Mas o profeta sabe que o juízo de Deus é sempre um convite à conversão. Assim, abre uma perspectiva de luz e de esperança.

A “filha de Sião” deve alegrar-se com a perspectiva desse dia (cf. 16b), o dia messiânico, dia de misericórdia e de um amor novo entre Deus e o seu povo. A presença de Deus entre o seu povo será motivo de renovada esperança, porque Deus é “poderoso salvador” (v. 17).

Evangelho: Lucas 1, 39-56

Maria e Isabel acolhem em si a acção de Deus. Maria acolhe-a de modo activo, dando o seu consenso. Isabel acolhe-a de modo passivo. Ambas experimentam a acção poderosa do Espírito Santo. Isabel tem no ventre o Precursor. Graças a essa presença, pode já indicar, na Mãe, o Filho e proclamar bendita Aquela que “acreditou” (v. 45).

Maria responde ao cântico de Isabel com o Magnificat, que revela a acção poderosa de Deus nela, aquela acção que realiza as promessas feitas a Abraão e à sua descendência. O Magnificat é a primeira manifestação pública de Jesus, ainda escondido, mas actuante naqueles que, como Maria, o acolhem na fé e com amor.

Maria ensina-nos a acolher o Senhor. Acolhe-o com louvor: “A minha alma glorifica o Senhor!” Assim fizera David que acolheu a Arca de Deus com exultação e a colocou na sua cidade, Jerusalém, no meio do júbilo do seu povo.

Como David e, sobretudo, como Maria, precisamos de acolher a Deus e dar-lhe o lugar a que tem direito na nossa vida.

Somos pequenos e fracos, é certo. Mas Deus chama-nos a acolhê-lo, a recebê-lo em nossa casa com alegria e disponibilidade. Não podemos deixá-lo à porta. Não podemos recebê-lo continuando fechados nas nossas preocupações, nos nossos interesses mais ou menos egoístas. Não podemos receber a Deus como se recebe alguém que vem negociar connosco, ou como se recebe um fornecedor, um cobrador, ou um qualquer serviçal. Há que recebê-lo com a honra a que tem direito, com alegria, com cânticos de júbilo, com exultação.

Maria acolheu o Senhor, não para ser servida, mas para servir. Acolheu-o cantando: “A minha alma glorifica o Senhor!”. Maria e Isabel ensinam-nos também a acolher os outros. Para acolher alguém, precisamos de sair de nós mesmos. Maria saiu fisicamente de sua casa e deslocou-se à montanha da Judeia para visitar Isabel. Isabel, para acolher a Maria, saiu de si mesma e reconheceu, na jovem mulher que a visitava, a Mãe do seu Senhor.

Maria acolhera a palavra do Anjo acerca da prima e foi visitá-la como a alguém abençoado pelo Senhor. Acolher uma pessoa é sempre acolher aquilo que Deus realiza nessa pessoa, acolher a sua vocação profunda.

Peçamos a Maria que saibamos contribuir para instaurar o reino da justiça e da caridade cristã no mundo. Um sinal dos tempos é a solidariedade com os carenciados, sejam eles da nossa família ou vivam mais perto ou mais longe de nós.

Fonte: adaptação de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia”.

   

4ª FEIRA – VIII SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES

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27Maio2018
| Escrito por Assis

 

4ª FEIRA – VIII SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES

Primeira leitura: 1 Pedro 1, 18-25

Pedro, falando do presente, do passado e do futuro, apresenta-nos algumas verdades sobre a relação de Jesus Cristo connosco e sobre a nossa relação com Ele. O Pai escolheu-O, ainda antes da criação do mundo, para libertar a humanidade da «vã maneira de viver herdada dos vossos pais» (v. 18).

O presente cheio de esperança dos cristãos, radica no passado da acção de Deus em Cristo para nosso benefício. Deus escolheu a Cristo, «qual cordeiro sem defeito nem mancha» (v. 19) para, «pelo seu sangue precioso» (v. 19), nos resgatar. Pertencemos a Deus porque Ele nos resgatou, nos comprou, «não a preço de bens corruptíveis, prata ou ouro» (v. 18), mas «pelo sangue precioso de Cristo» (v. 19)». 

 

Acreditamos em Deus, acreditamos que Ele ressuscitou Jesus de entre os mortos, e temos a possibilidade de ancorar a nossa fé e a nossa esperança no Pai, por efeito da missão, da ressurreição e da glorificação de Jesus Cristo.

O mistério pascal de Cristo garante-nos que Deus está do nosso lado, que é a nossa favor. O nosso presente encaminha-se para um futuro esperançoso. É possível viver a moral cristã e realizar a missão porque, a nossa relação com Jesus, e, por Ele, com o Pai, no Espírito, estrutura a nossa vida pessoal e comunitária, e dinamiza a missão.

Evangelho: Marcos 10, 32-45

O texto evangélico que escutámos refere diversos episódios ocorridos durante a caminhada de Jesus para Jerusalém. Jesus avança rodeado de discípulos apavorados e de pessoas cheias de medo. Pela terceira vez, fala da paixão, que se aproxima. Fá-lo com muitos pormenores (vv. 33ss.). Mas os discípulos parecem nada compreender. 

Os filhos de Zebedeu continuam interessados em alcançar uma boa posição no Reino: um quer ficar à direita de Jesus e outro à esquerda (v. 37). Em Mateus, é a mãe que pede esses lugares para os filhos (cf. Mt 20, 20).

Os outros discípulos estão preocupados com assuntos que nada têm a ver com os do Senhor. Mas Jesus revela aspectos centrais relativos ao discipulado: o essencial é a docilidade a Deus e ao seu projecto. Ele próprio decidirá a posição de cada um no Reino. Em Mateus será o Pai a tomar tal decisão (cf. Mt 20, 23).

Ser discípulo de Jesus é ser, como Ele, dócil ao Pai, partilhar a missão que o Pai Lhe confiou: beber o mesmo cálice, mergulhar no mesmo baptismo. É seguir o caminho do servo sofredor (Is 52, 13-53, 12), servir a todos até ao dom da própria vida em resgate de muitos… O resgate é o preço a pagar por um prisioneiro de guerra, por um escravo. Este resgate é pago, não a Deus, mas ao príncipe deste mundo (Jo 12,31; 1 Jo 5, 19), ao deus deste mundo (2 Cor 4, 4), que mantém escrava a humanidade. E Jesus resgata a humanidade, não para se tornar Ele mesmo um «rei» opressor, mas paradoxalmente um «rei» servo. Também os cristãos não podem contrapor ao «poder demoníaco» um «poder cristão», mas colocar-se de modo amoroso e humilde ao serviço da humanidade.

A Palavra que hoje escutamos incita-nos à conversão, isto é, a seguir o exemplo de Jesus Cristo, que padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos (cf. 1 Pe 2, 21). Jesus foi enviado pelo Pai para nos revelar a sua misericórdia. A Palavra de Jesus remete-nos para o mistério escondido do Pai. O Pai procura a humanidade, e põe-na à procura dele, por meio do exemplo de Cristo e daqueles que vivem nele. Jesus não actua pela força, mas pelo amor; não influi pelo poder, mas pelo serviço. Não se trata de um caminho fraco, mas cheio daquela força do amor que vence a morte. O reino do Pai é composto por pessoas cuja criatividade é inspirada na misericórdia que não se deixa vencer pelo mal, mas o vence na humildade e na docilidade, e que desmascara a ignorância dos estultos. A Igreja só ajuda a libertar a humanidade se tiver esta atitude de serva, e não se deixar apanhar pelo cancro do poder, nem eclesiástico nem civil. Apenas como comunidade de servos, sem ambições políticas, poderá ajudar eficazmente a humanidade a libertar-se das forças que a oprimem.Senhor, às vezes, sinto-me indignado com Tiago e João. Tu revelavas-lhes o teu destino futuro, cheio de humilhações, e eles pediam-te privilégios. Mas reparo que, também eu, muitas vezes, caio no mesmo erro, que, também eu, me porto de modo inconsciente. 

Quando me explicas o teu mistério, digo logo que percebi. Mas, pouco depois, lá estou a pedir-te coisas completamente contrárias aos desígnios do Pai. Mais ainda: como os outros discípulos, fico indignado quando veja alguém cair no erro dos filhos de Zebedeu. 

E não é por virtude, mas porque, também eu, sou ambicioso e procuro lugares de honra, e temo que os dês a outros. Perdoa-me, Senhor. Ensina-me a humildade do serviço. Ensina-me a verdadeira grandeza que é sentir-me e actuar como último e como servo de todos.

Fonte: Adaptação local de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia/”

 

3ª FEIRA – VIII SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES

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25Maio2018
| Escrito por Assis

 

3ª FEIRA – VIII SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES

Primeira leitura: 1 Pedro 1, 10-16

Toda a revelação de Deus constitui uma unidade. O mesmo Espírito que falava em Cristo, falou também através dos Profetas do Antigo Testamento, e continua a falar naqueles que proclamam a salvação oferecida a todos na ressurreição de Cristo. 

Os primeiros cristãos tiveram plena consciência desta realidade e, por isso, para descobrirem todo o alcance e toda a dimensão da vida de Jesus, investigaram as Escrituras e encontraram nelas a chave do mistério cristão.

Iluminados pelo Espírito, mandado sobre eles depois da ressurreição de Jesus, os pregadores cristãos, particularmente os evangelistas, descobriram essa chave e ofereceram-na aos leitores do Evangelho para os introduzir no mistério de Cristo.

O Senhor ressuscitado está presente e actua na história para dar pleno cumprimento à obra da regeneração da humanidade realizada na Ressurreição.

A beleza deste anúncio, proclamado pelos arautos do Evangelho, provoca alegria e admiração entre os próprios anjos, e leva os fiéis a viverem em clima de páscoa, isto é, de «ânimo preparado para servir e vivendo com sobriedade» (v. 13), estando vigilantes à espera da graça que lhes será dada na parusia, quando Jesus se manifestar na sua glória.

Tendo passado da ignorância ao conhecimento de Deus, os discípulos de Jesus já não se podem conformar com os antigos desejos vãos, mas querem viver como filhos obedientes ao Pai, que os regenerou em Jesus, e portar-se como santos. A vida de santidade é possível a quantos, tendo sido baptizados, se tornaram participantes de vida de Cristo, da vida divina.

Evangelho: Marcos 10, 28-31

O discurso de Jesus, depois do colóquio com o homem rico, deixou os discípulos apavorados. Pedro toma a palavra para tentar clarificar a confusão que se abatera sobre todos: que será de nós que «deixámos tudo e te seguimos»? (v. 28).

Jesus garante-lhes que Deus não se deixa vencer em generosidade. Acolherá na vida eterna aqueles que, deixando tudo, O seguem; mas também lhes permite usufruir, desde já, da riqueza dos seus dons, e está com eles para os apoiar nas perseguições. Marcos faz uma lista detalhada dos bens de que os discípulos podem, desde já, usufruir, e conclui com a máxima sobre os primeiros e os últimos no Reino (cf. Mt 19, 30; 20, 26; Lc 13, 30). Há que estar atento contra as falsas seguranças, e empenhar-se num permanente esforço de conversão.

A vida das comunidades, que avançam pelos caminhos do Senhor, preanunciada pelos Profetas, e na qual os pregadores do evangelho pedem perseverança, está permeada de alegrias e de sofrimentos. É um caminho de purificação e de confiança. Jesus promete àqueles que O seguem, não só a vida eterna no futuro, mas também, já agora, o cêntuplo das coisas deixadas, com perseguições à mistura.

A vocação cristã não é apenas renúncia, mas privilégio: «quem deixar casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou campos por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, no tempo presente, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, juntamente com perseguições, e, no tempo futuro, a vida eterna» (vv. 29-30). O cêntuplo, com perseguições, porque a terra ainda não é o céu!

Que é a vida eterna prometida por Jesus? É aquele de que fala João, quando escreve: «Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste» (Jo 17, 3). É uma vida que começa na fé e termina na visão. A pobreza por causa de Cristo é condição para possuir tudo.

«Como filhos obedientes, não vos conformeis com os antigos desejos do tempo da vossa ignorância; mas, assim como é santo aquele que vos chamou, sede santos, vós também, em todo o vosso proceder, conforme diz a Escritura: Sede santos, porque Eu sou santo» (vv. 15-16).

É Deus que nos chama à santidade. Mas, se não nos abrirmos a esse chamamento, não darão fruto as graças que diariamente recebemos de Deus com essa finalidade. E não nos pode tornar santos.

A Santidade é a finalidade para a qual tende a nossa cristã, toda a nossa vida religiosa: «Com todos os nossos irmãos cristãos, somos levados a seguir os passos de Cristo, para alcançar a santidade (cf. 1 Tes 4,7). «Para isto fostes chamados: o próprio Cristo sofreu por vós e deixou-vos o exemplo para seguirdes os seus passos"»(1 Pd 2,21).

Senhor, faz-me compreender que a vida no Reino não está privada de consolações dignas da minha condição humana.

Viver em Ti, que vives na tua Igreja, é partilhar a tua condição de «pedra angular», preciosa para o Pai, mas rejeitada pela humanidade.

Viver em Ti, é beber o teu cálice, receber o teu baptismo, participar na tua Paixão, mas também participar na glória da tua Ressurreição!

Tudo depende do modo como acolho o teu mistério pascal, na sua totalidade, e me situo nele. Deste-nos duas mãos: se numa escrever zero e noutra um, terei um, ou terei dez, conforme as colocar.

Assim as alegrias e sofrimentos da minha vida podem servir para me perder ou para me santificar. Tudo depende do modo como os encaro e situo na vivência do teu mistério pascal. Que a minha decisão contribua sempre para enriquecer a santidade da tua Igreja.

Fonte: Adaptação local de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia/”

   

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