VISITA PASTORAL À PARÓQUIA DE S. PEDRO CLAVER DE MUIANE. ALTO LIGONHA. SETEMBRO 2018

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19Set2018
| Escrito por Assis

 

VISITA PASTORAL À PARÓQUIA DE S. PEDRO CLAVER DE MUIANE. ALTO LIGONHA. SETEMBRO 2018

De 22 a 30 de Setembro do corrente ano, está a decorrer a Visita Pastoral à Paróquia de S. Pedro Claver de Muiane, Alto Ligonha, Distrito de Gilé. Dom Francisco, Bispo da Diocese, está acompanhado nesta Visita pelo Pe. Francisco Cunlela, Vigário Geral da Diocese.

Esta Paróquia é composta por dois Centros Pastorais, 10 Zonas e 60 comunidades cristãs com mais quatro Centros de Catequese ou núcleos.

CENTRO PASTORAL DE MUPA
Zonas Pastorais: Kapacha, Kalima, Mupa, Intira e Kuasua.

CENTRO PASTORAL DE MUIANE
Zonas Pastorais: Muanamalua, Napote, Kocholiva, Intata e Mokoa.

A Paróquia foi criada em 11.02.1963. Actualmente é assistida pastoralmente pelos Missionários Claretianos, sendo o seu Pároco o Pe. Josep Biju, cmj, e Vigários Paroquiais o Pe. Francismar António Girardi, cmf; e o Pe. Ajesh John Kunnel, cmf.
Nesta Paróquia trabalham as Irmãs Missionárias Claretianas: Irmã Maria Imaculada de Oliveira, Irmã Maria Verónica Ferreira e a Irmãs Doralice de Oliveira.

 

SEGUNDA-FEIRA – XXV SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES ~- 24 SETEMBRO 2018

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19Set2018
Actualizado em 19 Setembro 2018 | Escrito por Assis

 

SEGUNDA-FEIRA – Parte superior do formulário

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XXV SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES ~- 24 SETEMBRO 2018

Primeira leitura: Provérbios 3, 27-35

O Livro dos Provérbios, cobre vários séculos de história, durante os quais os sábios se dedicaram à reflexão sapiencial. Por isso, se nota um certo progresso doutrinal. Aparentemente trata-se de um livro humilde. Perpassa nele a convicção de que a sabedoria presente no mundo, nas coisas e nos homens, é um traço da sabedoria de Deus. As próprias formas da sabedoria humilde e quotidiana – as do bom senso, da razão, da experiência – vêm de Deus. Segui-las é obedecer a Deus; ignorá-las é atraiçoar o projecto de Deus. A esta, luz profundamente religiosa, é que devemos compreender as máximas do Livro dos Provérbios, reconhecendo o valor de imperativo moral, não só às palavras dos profetas, mas também ao significado das coisas e à força da experiência.

O texto de hoje insiste nas relações com o próximo: não negar um benefício, não dizer «amanhã to darei» (v. 28), não adiar, não litigar, não invejar, não seguir o perverso (vv. 29-32). No meio destes imperativos, aparece, repentinamente, uma afirmação muito bonita: «Deus reserva para os rectos a sua intimidade» (v. 32b). Fica assim traçado o esboço do sábio nas suas coordenadas fundamentais: a correcção e a benevolência nas relações com o próximo, a convicção de que a amizade de Deus vale mais do que tudo.

Evangelho: Lucas 8, 16-18

A perícopa que escutamos inclui três pequenas unidades, recolhidas por Lucas, e incluídas numa sessão (8, 4-21) que tem por tema a Palavra de Deus. É nesta perspectiva que as lemos.

A primeira unidade (v. 16) parece temer o risco do anonimato: não se põe a luz debaixo da cama. É uma advertência aos cristãos que – por medo ou porque julgam inútil fazê-lo – não se expõe publicamente. A Palavra é pública e visível: escondê-la é fazê-la morrer. A segunda unidade (v. 17) parece temer o risco do segredo. É uma advertência aos grupos de cristãos que se fecham em si mesmos, anunciando a Palavra em segredo, apenas aos iniciados. Mas a Palavra é para todos, pela sua natureza missionária. A terceira unidade (v. 18) é mais difícil. É certo que chama a atenção para a importância da escuta, ou para o modo como se escuta: «Vede, pois, como ouvis». Há quem não escuta, mas também há quem escuta mal. Que significa a expressão: «porque àquele que tiver, ser-lhe-á dado; mas àquele que não tiver, ser lhe á tirado mesmo o que julga possuir»? E que significa o “porque”? (v. 18) que condiciona o crescimento ou a perda da palavra? Significa talvez que é preciso escutar bem, porque é a escuta que enriquece. Quem não escuta ou escuta mal, empobrece. Não só não cresce, mas também perde o que julga possuir. A escuta da Palavra é, pois, o caminho necessário para crescer na fé. Se falta a escuta, a fé definha e morre.

Com a primeira leitura de hoje, iniciamos o Livro dos Provérbios. Jesus também usa provérbios susceptíveis de várias aplicações. «Não há coisa oculta que não venha a manifestar-se, nem escondida que não se saiba e venha à luz», lemos no evangelho de hoje. É necessário iluminar. Mas, antes, é preciso acender o candeeiro.

O discípulo deve iluminar o mundo. Mas só o pode fazer com a luz que vem de Cristo Senhor, pois não tem luz própria. Se assim não for, corre-se o risco de confundir as ideias próprias, os gostos próprios, as opções próprias com as de Cristo e de propor coisas e realidades que nada têm a ver com o Senhor. É preciso acender, cada dia, a própria lâmpada, na lâmpada de Cristo. É a luz de Cristo que ilumina o mundo, não a minha luz. A minha luz só ilumina se for reflexo da de Cristo.


A luz de que fala Cristo não é só doutrina, mas também testemunho, isto é, doutrina que se torna vida, que transforma a vida: que toca o meu modo de ser, de julgar as coisas.

Eu sou luz quando difundo a luz de Cristo, com os critérios de Cristo, isto é, com humildade e pobreza. Quando, por exemplo, não falo de humildade a partir de uma posição de poder, quando não anuncio a pobreza com meios que revelam abundância de bens… Sou luz sobre o candelabro quando represento, o mais aproximadamente possível, o modo de ser, de agir, de pensar, de falar de Jesus. É bom pensarmos nisto, porque podemos cair em grandes ilusões. Pensar que iluminamos só porque repetimos palavras de Jesus, sem deixar iluminar a nossa vida pela de Jesus, é como cobrir a lâmpada com um alqueire. É doutrinar, não evangelizar.

A vocação à santidade é universal (Cf. 1 Tes 4, 7; 1 Pe 2, 21; LG 40);, devemos ser as testemunhas da santidade junto dos nossos irmãos. Devemos brilhar com a santidade da nossa vida: «Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus» (Mt 5, 16).

Fonte: adaptação local de um texto de F. Fonseca em: “Dehonianos.org/portal/liturgia”

 

   

TERÇA-FEIRA – XXV SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES - 25 SETEMBRO 2018

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19Set2018
| Escrito por Assis

 

TERÇA-FEIRA – XXV SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES -   25 SETEMBRO 2018

Primeira leitura Provérbios 21, 1-6.10-13

O Livro dos Provérbios é uma ampla recolha de máximas e de sentenças, independentes entre si, sem qualquer espécie de fio condutor ideológico, onde está depositada a sabedoria das várias gerações de Israel. O seu objectivo é fazer de todo o israelita um verdadeiro homem: forte, senhor de si mesmo, interiormente livre, trabalhador, hábil, leal. Não é ainda o retrato do homem evangélico. Mas é a base para o ser. Não nos tornamos discípulos sem ser homens. Está aqui o valor deste livro. É bom fazer esta verificação porque, à primeira vista, muitos provérbios poderiam deixar-nos desiludidos.

Que valer têm hoje? Há muitos, que espelham o simples bom-senso e que continuam actuais. Mas é importante, sobretudo, o seu valor global. Sugerem comportamentos próprios da fase anterior à Aliança e à sua moral. Mas estamos perante um são humanismo que tem por objectivo criar um homem apto para as opções morais e para os compromissos da Aliança.

As virtudes sugeridas no texto de hoje são as habituais: não presumir de si mesmo, nem da própria rectidão; praticar a justiça, a humildade e a diligência; não ser mentiroso nem violento nos negócios, não fechar os ouvidos ao grito dos pobres. Na Bíblia, o grito do pobre é sempre dirigido ao Senhor. Escutá-lo é, pois, responder em nome do Senhor.

Evangelho: Lucas 8, 19-21

Lucas apresenta-nos um quadro de rara finura e profundidade. Não denota polémica em relação à família de Jesus, como acontece nos textos paralelos de Mateus e de Marcos. A atenção de Lucas vai para aquilo que, de facto, interessa: a escuta e a prática da Palavra, que criam e definem o verdadeiro sentido de família de Jesus.

Um dia, «Sua mãe e seus irmãos vieram ter com Ele» (v. 19). Lucas usa um verbo que exprime o desejo de ver Jesus. A forma singular realça a figura da Mãe, que é o sujeito. Para o evangelista, a vinda dos familiares é uma ocasião que permite a Jesus pronunciar a sentença sobre os seus verdadeiros parentes: a escuta e a prática da Palavra cria laços mais fortes do que os do sangue. Esta possibilidade, todavia, não exclui os parentes que vieram visitá-l´O. Lucas exalta a família gerada pela Palavra. Mas não menospreza os laços com a família de sangue.

As palavras de Jesus dirigidas àqueles que Lhe anunciam a chegada da sua mãe e dos seus familiares, parecem duras. Mas explicam-se com a sua missão de semeador da Palavra de Deus. Naquele momento, mais do que atender àqueles que Lhe são familiares pelos laços do sangue, o Mestre queria sublinhar os laços que realizam a sua nova «família»: a escuta da Palavra, e o pô-la em prática. São essas atitudes que produz o milagre de nos tornar mãe, irmãos e irmãs de Jesus. Tal como Maria escutou a Palavra e, depois, de tornou Mãe, o mesmo pode acontecer comigo hoje, se acolher a Palavra que me é dirigida. Jesus quer crescer no mundo e o caminho privilegiado sou eu, porque quer crescer em mim, quer que a minha existência seja cada vez mais cristiforme, quer que eu O represente cada vez melhor. Se acolho a sua Palavra, se a contemplo, se a conservo, se lhe deixo espaço, se procuro não esquece-la durante o dia, se faço dela a luz dos meus caminhos, Jesus cresce em mim, à minha volta, no mundo. E posso adquirir a dignidade de Maria, porque O gerarei novamente para o nosso tempo. Quero, pois, ser devoto da Virgem, para que me ensine a receber a Palavra, a dar-lhe carne, a dar-lhe vida, a transformar toda a minha acção em nova geração, em novo crescimento de Jesus em mim e à minha volta.

Maria é o modelo de como se escuta e acolhe na vida a Palavra e: «Feliz d´Aquela que acreditou no cumprimento das palavras do Senhor…» (Lc 1, 45). É a primeira bem-aventurança que ecoa no Evangelho e desce sobre Maria, por meio da palavra de Isabel, cheia de Espírito Santo; é a bem-aventurança da fé, que acolhe a Palavra de Deus e adere a ela com toda a vida. É a bem-aventurança que Jesus, um dia, proclamará: «Felizes… aqueles que escutam a Palavra de Deus e a põe em prática!» (Lc 11, 28); é a «melhor parte» que Maria de Betânia escolheu, sentada aos pés do Senhor, na escuta da sua palavra, e que não lhe será tirada (cf. Lc 10, 38-42).

Não é suficiente escutar a Palavra, é preciso guardá-la e pô-la em prática, como fez a Virgem Maria: «Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua palavra» (Lc 1, 38). «Sede daqueles que põem em prática a palavra – exorta S. Tiago – e não apenas ouvintes, enganando-vos a vós mesmos» (1, 22). É inútil ver-se ao espelho, ver o próprio rosto e depois esquecer-se dele (cf. Tg 1, 23-24).

“Escutar”, em sentido bíblico, é “compreender”, “acolher” na vida, “ir a Jesus”; é “acreditar”, “guardar no coração”; é “obedecer” e “fazer”. A verdadeira “escuta da Palavra” realiza-se quando se ama, não por palavras, mas “com obras e em verdade” (1 Jo 3, 18).

Fonte:

Adaptação de um texto de Fernando Fonseca em “dehonianos.org/portal/liturgia”.

 

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B 7 OUTUBRO 2018

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18Set2018
| Escrito por Assis

 

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

7 OUTUBRO 2018

As leituras do 27º Domingo do Tempo Comum apresentam, como tema principal, o projecto ideal de Deus para o homem e para a mulher: formar uma comunidade de amor, estável e indissolúvel, que os ajude mutuamente a realizarem-se e a serem felizes. Esse amor, feito doação e entrega, será para o mundo um reflexo do amor de Deus.

A PRIMEIRA LEITURA – GN 2,18-24 - diz-nos que Deus criou o homem e a mulher para se completarem, para se ajudarem, para se amarem. Unidos pelo amor, o homem e a mulher formarão “uma só carne”. Ser “uma só carne” implica viverem em comunhão total um com o outro, dando-se um ao outro, partilhando a vida um com o outro, unidos por um amor que é mais forte do que qualquer outro vínculo.

“Não é bom que o homem esteja só”. Estas palavras, postas pelo autor jahwista na boca de Deus, sugerem que a realização plena do homem acontece na relação e não na solidão. O homem que vive fechado em si próprio, que escolhe percorrer caminhos de egoísmo e de auto-suficiência, que recusa o diálogo e a comunhão com aqueles que caminham a seu lado, que tem o coração fechado ao amor e à partilha, é um homem profundamente infeliz, que nunca conhecerá a felicidade plena. Por vezes a preocupação com o dinheiro, com a realização profissional, com o estatuto social, com o êxito levam os homens a prescindir do amor, a renunciar à família, a não ter tempo para os amigos… E um dia, depois de terem acumulado muito dinheiro ou de terem chegado à presidência da empresa, constatam que estão sozinhos e que a sua vida é estéril e vazia. A Palavra de Deus que nos é hoje proposta deixa um aviso claro: a vocação do homem é o amor; a solidão, mesmo quando compensada pela abundância de bens materiais, é um caminho de infelicidade.

No nosso texto, o amor aparece como algo que está, desde sempre, inscrito no projecto de Deus e que é querido por Deus. Deus criou o homem e a mulher para se ajudarem mutuamente e para partilharem, no amor, as suas vidas. É no amor e não na solidão que o homem encontra a sua realização plena e o sentido para a sua existência.

• Homem e mulher são, de acordo com o nosso texto, iguais em dignidade. Eles são “da mesma carne”, em igualdade de ser, partícipes do mesmo destino; completam-se um ao outro e ajudam-se mutuamente a atingir a realização. São, portanto, iguais em dignidade. Esta realidade exige que homem e mulher se respeitem absolutamente um ao outro; e exclui, naturalmente, qualquer atitude que signifique dominação, escravidão, prepotência, uso egoísta do outro.

NA 2ª LEITURA - HEB 2,9-11

A segunda leitura lembra-nos a “qualidade” do amor de Deus pelos homens… Deus amou de tal forma os homens que enviou ao mundo o seu Filho único “em proveito de todos”. Jesus, o Filho, solidarizou-Se com os homens, partilhou a debilidade dos homens e, cumprindo o projecto do Pai, aceitou morrer na cruz para dizer aos homens que a vida verdadeira está no amor que se dá até às últimas consequências. Ligando o texto da Carta aos Hebreus com o tema principal da liturgia deste domingo, podemos dizer que o casal cristão deve testemunhar, com a sua doação sem limites e com a sua entrega total, o amor de Deus pela humanidade.

• A incarnação, paixão e morte de Jesus atestam, antes de mais, o incrível amor de Deus pelos homens. É o amor de alguém que enviou o próprio Filho para fazer da sua vida um dom, até à morte na cruz, a fim de mostrar aos homens o caminho da vida plena e definitiva. Trata-se de uma realidade que a Palavra de Deus nos recorda cada domingo; e trata-se de uma realidade que não deve cessar de nos espantar e de nos levar à gratidão e ao amor.

• A atitude de aceitação incondicional do projecto do Pai assumida por Cristo contrasta com o egoísmo e a auto-suficiência de Adão face às propostas de Deus. A obediência de Cristo trouxe vida plena ao homem; a desobediência de Adão trouxe sofrimento e morte à humanidade. O exemplo de Cristo convida-nos a viver na escuta atenta e na obediência radical às propostas de Deus: esse caminho é gerador de vida verdadeira. Quando o homem prescinde de Deus e das suas propostas e decide que é ele quem define o caminho a seguir, fatalmente resvala para projectos de ambição, de orgulho, de injustiça, de morte; quando o homem escuta e acolhe os desafios de Deus, aprende a amar, a partilhar, a servir, a perdoar e torna-se uma fonte de bênção para todos aqueles que caminham ao seu lado.

• Jesus fez-Se homem, enfrentou a condição de debilidade dos homens e morreu na cruz. No entanto, a sua glorificação mostrou que a morte não é o final do caminho para quem faz da vida uma escuta atenta dos planos de Deus e uma doação de amor aos irmãos. Dessa forma, Ele libertou os homens do medo da morte. Agora, podemos enfrentar a injustiça, a opressão, as forças do mal que oprimem os homens, sem medo de morrer: sabemos que quem vive como Jesus não fica prisioneiro da morte, mas está destinado à vida verdadeira e eterna.

O EVANGELHO  - MC 10,2-16 -   apresenta-nos o projecto ideal de Deus para o homem e para a mulher que se amam: eles são convidados a viverem em comunhão total um com o outro, dando-se um ao outro, partilhando a vida um com o outro, unidos por um amor que é mais forte do que qualquer outro vínculo. O fracasso dessa relação não está previsto nesse projecto ideal de Deus. O amor de um homem e de uma mulher que se comprometem diante de Deus e da sociedade deve ser um amor eterno e indestrutível, que é reflexo desse amor que Deus tem pelos homens. Este projecto de Deus não é uma realidade inatingível e impossível: há muitos casais que, dia a dia, no meio das dificuldades, lutam pelo seu amor e dão testemunho de um amor eterno e que nada consegue abalar.

• As telenovelas, os valores da moda, a opinião pública, têm-se esforçado por apresentar o fracasso do amor como uma realidade normal, banal, que pode acontecer a qualquer instante e que resolve facilmente as dificuldades que duas pessoas têm em partilhar o seu projecto de amor. Para os casais cristãos, o fracasso do amor não é uma normalidade, mas uma situação extrema, uma realidade excepcional. Para os casais cristãos, o divórcio não deve ser um remédio simples e sempre à mão para resolver as pequenas dificuldades que a vida todos os dias apresenta. À partida, o compromisso de amor não deve ser uma realidade efémera, sujeito a projectos egoístas e a planos superficiais, que terminam quando surgem dificuldades ou quando um dos dois é confrontado com outras propostas. Para o casal que quer viver na dinâmica do Reino, a separação não deve ser uma proposta sempre em cima da mesa. Marido e esposa têm que esforçar-se por realizar a sua vocação de amor, apesar das dificuldades, das crises, das divergências e dos problemas que, dia a dia, a vida lhes vai colocando. A Igreja é chamada a ser no mundo, mesmo contra a corrente, testemunha do projecto ideal de Deus.

• Apesar de tudo, a vida dos homens e das mulheres é marcada pela debilidade própria da condição humana. Nem sempre as pessoas, apesar do seu esforço e da sua boa vontade, conseguem ser fiéis aos ideais que Deus propõe. A vida de todos nós está cheia de fracassos, de infidelidades, de falhas. Nessas circunstâncias, a comunidade cristã deve usar de muita compreensão para aqueles que falharam (muitas vezes sem culpa) na vivência do seu projecto de amor. Em nenhuma circunstância as pessoas divorciadas devem ser marginalizadas ou afastadas da vida da comunidade cristã. A comunidade deve, em todos os instantes, acolher, integrar, compreender, ajudar aqueles a quem as circunstâncias da vida impediram de viver o tal projecto ideal de Deus. Não se trata de renunciar ao “ideal” que Deus propõe; trata-se de testemunhar a bondade e a misericórdia de Deus para com todos aqueles a quem a partilha de um projecto comum fez sofrer e que, por diversas razões, não puderam realizar esse ideal que um dia, diante de Deus e da comunidade, se comprometeram a viver.

• As crianças que Jesus nos apresenta no Evangelho deste domingo como modelos do discípulo convidam-nos à simplicidade, à humildade, à sinceridade, ao acolhimento humilde dos dons de Deus. De acordo com as palavras de Jesus, não pode integrar o Reino quem se coloca numa atitude de orgulho, de auto-suficiência, de autoritarismo, de superioridade sobre os irmãos. A dinâmica do Reino exige pessoas dispostas a acolher e a escutar as propostas de Deus e dispostas a servir os irmãos com humildade e simplicidade.
Fonte: de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia”

   

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