25 NOVEMBRO 2018 - SOLENIDADE DE CRISTO, REI DO UNIVERSO - B

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22Nov2018
| Escrito por Assis

 

25 NOVEMBRO 2018 - SOLENIDADE DE CRISTO, REI DO UNIVERSO - B

No 34º Domingo do Tempo Comum, celebramos a Solenidade de Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo. A Palavra de Deus que nos é proposta neste último domingo do ano litúrgico convida-nos a tomar consciência da realeza de Jesus; deixa claro, no entanto, que essa realeza não pode ser entendida à maneira dos reis deste mundo:

LEITURA I - Dan 7,13-14

A primeira leitura anuncia que Deus vai intervir no mundo, a fim de eliminar a crueza, a ambição, a violência, a opressão que marcam a história dos reinos humanos. Através de um "filho de homem" que vai aparecer "sobre as nuvens", Deus vai devolver à história a sua dimensão de "humanidade", possibilitando que os homens sejam livres e vivam na paz e na tranquilidade. Os cristãos verão nesse "filho de homem" vitorioso um anúncio da realeza de Jesus..

A profecia de Daniel convida-nos à esperança e à confiança: Deus não abandona o seu Povo em marcha pela história e saberá derrubar todos os poderes humanos que impedem a realização plena do homem.

O anúncio de um "filho de homem" que virá "sobre as nuvens" para instaurar um reino que "não será destruído" leva-nos a Jesus. Ele veio ao encontro dos homens para lhes propor uma nova ordem, em que os pobres, os débeis, os fracos, os marginalizados, aqueles que não podem fazer ouvir a sua voz nos grandes areópagos internacionais não mais serão humilhados e espezinhados. Esse reino ainda não se tornou uma realidade plena na nossa história; contudo, o reino proposto por Jesus está presente na vida do mundo, como uma semente a crescer ou como o fermento a levedar a massa. Compete-nos a nós, discípulos de Jesus, fazer com que esse reino seja, cada vez mais, uma realidade bem viva, bem presente, bem actuante no nosso mundo.

LEITURA II - Ap 1,5-8

Na segunda leitura, o autor do Livro do Apocalipse apresenta Jesus como o Senhor
do Tempo e da História, o princípio e o fim de todas as coisas, o "príncipe dos reis da terra", Aquele que há-de vir "por entre as nuvens" cheio de poder, de glória e de majestade para instaurar um reino definitivo de felicidade, de vida e de paz. É, precisamente, a interpretação cristã dessa figura de "filho de homem" de que falava a primeira leitura

Esta imagem de Jesus apela à confiança e à esperança: sejam quais forem as circunvoluções e as derrapagens da história humana, o caminho dos homens não será um caminho sem saída, destinado ao fracasso; mas será um caminho que desembocará inevitavelmente nesse reino novo de vida e de paz sem fim que Jesus veio anunciar e propor.
Neste dia em que celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, somos convidados  a agradecer pelo amor de Jesus que nos libertou.

Jesus está, efectivamente, no centro das nossas comunidades cristãs?

EVANGELHO - Jo 18,33b-37

A cena revela, contudo, que a realeza reivindicada por Jesus não assenta em esquemas de ambição, de poder, de autoridade, de violência, como acontece com os reis da terra. A missão "real" de Jesus é dar "testemunho da verdade"; e concretiza-se no amor, no serviço, no perdão, na partilha, no dom da vida.

Os inícios do séc. XXI estão marcados por uma profunda crise de liderança a nível mundial. Os grandes líderes das nações são, frequentemente, homens com uma visão muito limitada do mundo, que não se preocupam com o bem da humanidade e que conduzem as suas políticas de acordo com lógicas de ambição pessoal ou de interesses particulares. Sentimo-nos, por vezes, perdidos e impotentes, arrastados para um beco sem saída por líderes medíocres, prepotentes e incapazes… Esta constatação não deve, no entanto, lançar-nos no desânimo: nós sabemos que Cristo é o nosso rei,

No entanto, a realeza de Jesus não tem nada a ver com a lógica de realeza a que o mundo está habituado. Jesus, o nosso rei, apresenta-Se aos homens sem qualquer ambição de poder ou de riqueza, sem o apoio dos grupos de pressão que fazem os valores e a moda.

Ele apresenta-se só, indefeso, prisioneiro, armado apenas com a força do amor e da verdade. Não impõe nada; só propõe aos homens que acolham no seu coração uma lógica de amor, de serviço, de obediência a Deus.

Como Jesus, também nós temos a missão de lutar - não com a força do ódio e das armas, mas com a força do amor - contra todas as formas de exploração, de injustiça, de alienação e de morte… O reconhecimento da realeza de Cristo convida-nos a colaborar na construção de um mundo novo, do Reino de Deus.

Fonte: “dehonianos.org/portal/liturgia/”

 

01º Domingo do Tempo do Advento – Ano C – 02.12.2018

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22Nov2018
| Escrito por Assis

01º Domingo do Tempo do Advento – Ano C – 02.12.2018

Neste 1º Domingo do Tempo do Advento, a Palavra de Deus apresenta-nos uma primeira abordagem à “vinda” do Senhor.

1ª Leitura Jer 33,14-16

Na primeira leitura, pela boca do profeta Jeremias, o Deus da aliança anuncia que é fiel às suas promessas e vai enviar ao seu Povo um “rebento” da família de David. A sua missão será concretizar esse mundo sonhado de justiça e de paz: fecundidade, bem-estar, vida em abundância, serão os frutos da acção do Messias.

O ambiente em que estamos mergulhados potencia, tantas vezes, o medo, a frustração, o negativismo, a insegurança, o pessimismo… É possível acreditar no Deus da “justiça”, fiel à “aliança”, comprometido com os homens e continuar a olhar para o mundo nessa perspectiva negativa, como se Deus – o Deus da justiça e do amor – tivesse abandonado os homens e já não presidisse à nossa história?
De acordo com o Novo Testamento, esta “justiça” é comunicada pelo “Messias” a todos os membros do povo eleito (cf. Rom 1,17; 1 Cor 1,30; 2 Cor 5,21; Flp 3,9). Sentimo-nos, verdadeiramente, membros do povo messiânico, construtores desse mundo de justiça, de paz, de felicidade para todos? Qual é a atitude que define o nosso empenho: o compromisso sério com a justiça e a paz, ou o comodismo de quem prefere demitir-se das suas responsabilidades e passar ao lado da vida?

2ª Leitura 1 Tes 3,12–4,2

 A segunda leitura convida-nos a não nos instalarmos na mediocridade e no comodismo, mas a esperar numa atitude activa a vinda do Senhor. É fundamental, nessa atitude, a vivência do amor: é ele o centro do nosso testemunho pessoal, comunitário, eclesial.
A caminhada cristã nunca é um processo acabado, mas uma construção permanente, que recomeça em cada novo instante da vida. O cristão não é aquele que é perfeito; mas é aquele que, em cada dia, sente que há um caminho novo a fazer e não se conforma com o que já fez, nem se instala na mediocridade. É nesta atitude que somos chamados a viver este tempo de espera do Messias.

Uma dimensão fundamental da nossa experiência cristã é a caridade: só aprofundando-a cada vez mais podemos sentir-nos identificados com Aquele que partilhou a vida com todos nós, até à morte na cruz; só praticando-a, podemos fazer uma verdadeira experiência de Igreja e construir uma comunidade de irmãos; só vivendo-a, podemos ser, para os homens que partilham connosco esta vasta casa que é o mundo, o rosto do Deus que ama.

Evangelho Lc 21,25-28.34-36

O Evangelho apresenta-nos Jesus, o Messias filho de David, a anunciar a todos os que se sentem prisioneiros: “alegrai-vos, a vossa libertação está próxima. O mundo velho a que estais presos vai cair e, em seu lugar, vai nascer um mundo novo, onde conhecereis a liberdade e a vida em plenitude. Estai atentos, a fim de acolherdes o Filho do Homem que vos traz o projecto desse mundo novo”. É preciso, no entanto, reconhecê-l’O, saber identificar os seus apelos e ter a coragem de construir, com Ele, a justiça e a paz.

A realidade da história humana está marcada pelas nossas limitações, pelo nosso egoísmo, pelo destruição do planeta, pela escravidão, pela guerra e pelo ódio, pela prepotência dos senhores do mundo… Quantos milhões de homens conhecem, dia a
dia, um quadro de miséria e de sofrimento que os torna escravos, roubando-lhes a vida e a dignidade… A Palavra de Deus que hoje nos é servida abre a porta à esperança e grita a todos os que vivem na escravidão: “alegrai-vos, pois a vossa libertação está próxima. Com a vinda próxima de Jesus, o projecto de salvação/libertação de Deus vai tornar-se uma realidade viva; o mundo velho vai converter-se numa nova realidade, de vida e de felicidade para todos”.

No entanto, a salvação/libertação que há-de transformar as nossas existências não é uma realidade que deva ser esperada de braços cruzados. É preciso “estar atento” a essa salvação que nos é oferecida como dom, e aceitá-la. Jesus vem; mas é necessário reconhecê-l’O nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nos apelos dos que sofrem e que buscam a libertação. É preciso, também, ter a vontade e a liberdade de acolher o dom de Jesus, deixar que Ele nos transforme o coração e Se faça vida nos nossos gestos e palavras.

É preciso, ainda, ter presente, que este mundo novo – que está permanentemente a fazer-se e depende do nosso testemunho – nunca será um realidade plena nesta terra, mas sim uma realidade escatológica, cuja plenitude só acontecerá depois de Cristo, o Senhor, haver destruído definitivamente o mal que nos torna escravos.

Fonte: “dehonianos.org/portal/liturgia/

   

TERÇA-FEIRA - XXXIV SEMANA - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 27 NOVEMBRO 2018

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22Nov2018
Actualizado em 22 Novembro 2018 | Escrito por Assis

TERÇA-FEIRA - XXXIV SEMANA - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 27 NOVEMBRO 2018

Primeira leitura: Apocalipse 14, 14-19

Mais uma vez, João utiliza símbolos cuja interpretação nos introduz na compreensão da mensagem. O primeiro símbolo é a nuvem (v.14): na tradição bíblica indica uma teofania, uma manifestação de Deus. Neste caso é o Filho do homem que aparece para julgar e oferecer a salvação. Este Filho do homem é Cristo. João conclui a sua mensagem sobre a pessoa e a missão de Cristo.
O símbolo da ceifa (v. 15s.) e o da vindima (v. 18-19) ilustram o juízo que Jesus veio e virá pronunciar sobre a humanidade. Trata-se de um juízo aberto à salvação, que é exactamente dom d´Aquele cujo nome é Salvador. Considerar esse juízo apenas pelo lado negativo, seria desconhecer o dom de Deus e subtrair-se à vontade salvífica universal do Senhor. É verdade que, os que tiveram recusado a salvação, serão afastados de Deus, e objecto da sua cólera (v. 19). Mas isso acontece porque livremente se subtraíram à divina misericórdia.

A página joânica oferece-nos outra mensagem: há uma íntima relação entre a vida presente e a vida futura. Tudo depende de Deus e da sua divina bondade, mas tudo depende também das nossas opções pessoais e das obras que fazemos.
Evangelho: Lucas 21, 5-11

O fim do mundo e a vida futura marcam a espiritualidade cristã. É o que Lucas nos indica ao referir mais um "Discurso escatológico" de Jesus (cf. Lc 17, 20-37). As perguntas que os ouvintes fazem a Jesus - «Mestre, quando sucederá isso? E qual será o sinal de que estas coisas estão para acontecer?» - são duas pistas para investigarmos a mensagem.

O discurso de Jesus é pronunciado diante do templo, com as suas «belas pedras» e «ofertas votivas», o que cria contraste entre o presente, que ameaça fechar a religiosidade dos contemporâneos de Jesus, e o futuro para onde Jesus deseja orientar a fé dos seus ouvintes. Ao responder, Jesus anuncia o fim do templo e, de certo modo, de tudo aquilo que ele simboliza. Anuncia o fim do mundo que se concretizará nessa catástrofe e em tantas outras. Tudo o que é deste mundo terá certamente fim, mais tarde ou mais cedo. Por isso, o mais importante é acolhermos o ensinamento de Jesus e deixar-nos guiar por ele, enquanto aguardamos a sua vinda. A sua palavra ajudar-nos-á a discernir pessoas e acontecimentos, e a optar pelos valores que nos propõe. Há muita gente que anuncia a proximidade do fim do mundo, para nos aterrorizar, e nos oferece caminhos de salvação. Jesus não faz isso. Mesmo quando fala do fim do mundo, preocupa-se em iluminar-nos e em confortar-nos.

As leituras de hoje colocam-nos perante a realidade do fim do mundo e do juízo de Deus que não pode suportar o pecado e intervém com força terrível: «o Anjo vindimou os cachos da vinha da terra... e lançou as uvas no grande lagar da ira de Deus», diz-nos o Apocalipse (14, 18-19); «Não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído», diz-nos Jesus, ao falar do templo de Jerusalém. Mas entre as duas leituras há um salmo de exultação, porque Deus vem julgar a terra: «Alegrem-se os céus, exulte a terra, ressoe o mar e tudo o que ele contém, exultem os campos e quanto neles existe, alegrem-se as árvores das florestas diante do Senhor que vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos com fidelidade» (cf. Sl 95). Tudo neste mundo é efémero, menos o Reino de Deus que já está presente e actuante, e que Cristo, um dia, virá completar e conduzir ao Pai.

No "Discurso escatológico" de Jesus temos que distinguir três níveis: a destruição de Jerusalém o fim da vida terrena de cada um de nós, os acontecimentos finais da história de toda a humanidade. Tudo passa. Só Cristo e o seu reino de amor, de justiça e de paz, hão-de permanecer. E cada cristão, como templo de Deus, adornado com as belas pedras das virtudes cristãs, pode e deve perseverar no bem, resistindo às diversas provações.

Entretanto, individualmente e, sobretudo, em comunidade de fé, iluminados pela Palavra e fortalecidos pelo Espírito, os crentes devem ler os sinais dos tempos e fazer um verdadeiro discernimento do bem e do mal, do verdadeiro e do falso, para não se não se deixar enganar pelos falsos profetas e afastar do seguimento de Jesus Cristo, o único Salvador.

O Espírito impele-nos a ser entre os homens e no mundo testemunhas deste amor de Deus, derramado em nós no baptismo, um amor que regenera e salva. Impele-nos a apressar a recapitulação de todos os homens e de todo o universo em Cristo. Nós suspiramos pela "plenitude dos tempos", quando se há-de realizar o "desígnio" do Pai «de recapitular em Cristo todas as coisas, as do céu e as da terra» (Ef 1, 10; cf. Rm 8, 19-25).
 
Fonte:Fernando Fonseca em “dehonianos.org/portal/liturgia/”

 

XXXIV SEMANA - SEGUNDA-FEIRA - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 26 NOVEMBRO 2018

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21Nov2018
| Escrito por Assis

 

XXXIV SEMANA - SEGUNDA-FEIRA - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 26 NOVEMBRO 2018

Primeira leitura: Apocalipse 14, 1-3. 4b-5

João apresenta-nos os redimidos, o povo eleito que, reunido em assembleia, aclama a Deus e ao Cordeiro imolado. A mensagem joânica é eclesial, e mesmo universal, como se vê pelo número simbólico dos eleitos: 144 mil assinalados. Este número resulta da multiplicação de 12 por 12 por 1.000. Cento e quarenta e quatro mil é o produto de três números, cada um dos quais significa perfeição. Trata-se, pois, de um número aberto que será perfeito quando todos os chamados também forem eleitos.

«O monte Sião» (v. 1) também é um símbolo. Sobre ele se hão-de encontrar todos os que tiverem na fronte o nome do Cordeiro e do seu Pai (v. 1). Ter o nome indica uma relação especial com a pessoa: neste caso, indica que o povo dos eleitos tem uma relação especial com Deus e com Jesus.
É pela fé que se entra a fazer parte desse povo, que é a comunidade daqueles que invocam o Nome e reconhecem nele a fonte da salvação. É um povo que acredita e por isso canta: «um cântico novo diante do trono... Ninguém podia aprender aquele cântico a não ser os cento e quarenta e quatro mil que tinham sido resgatados da terra» (vv. 3-4). É o cântico do Aleluia pascal que se transforma em Aleluia eterno.
Evangelho: Lucas 21, 1-4

Naquele tempo, 1Levantando os olhos, Jesus viu os ricos deitarem no cofre do tesouro as suas ofertas. 2Viu também uma viúva pobre deitar lá duas moedinhas 3e disse:«Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou mais do que todos os outros; 4pois eles deitaram no tesouro do que lhes sobejava, enquanto ela, da sua indigência, deitou tudo o que tinha para viver.»

Lucas, para nos inserir numa situação de vida que, hoje como ontem, nos interpela pela sua dramaticidade, serve-se de elementos contrastantes: os «ricos» e a «viúva», a «miséria» e o «supérfluo». O Evangelho não é um livro de piedosas exortações. Ilumina a realidade em que vivemos para que a possamos ler em profundidade. Jesus vê e elogia a pobre viúva; vê e não pode deixar de estigmatizar o gesto daqueles ricos. O olhar de Jesus é como que um juízo sobre a atitude daqueles que têm uma relação diferente com os bens, com o dinheiro. Um juízo que é sempre difícil de aceitar, mas que ilumina o gesto e o coração das pessoas.
Jesus elogia a viúva pobre por causa das «duas moedas» que ofereceu ao templo. Também aqui há um forte contraste nas palavras de Jesus: duas moedas são duas moedas; mas Jesus considera-as mais preciosas do que as ofertas dos ricos. O gesto desta mulher lembra o da mulher anónima que, na véspera da paixão de Jesus, perfumou os seus pés e a sua cabeça com perfume precioso. É um gesto belo que agrada a Jesus mais do que qualquer outro. O pouco da pobre viúva é tudo aos olhos de Deus, enquanto o muito dos ricos é simplesmente supérfluo. Também aqui encontramos um juízo bastante claro: Deus aprecia mais o valor qualitativo do que o valor quantitativo dos nossos gestos. Só Ele vê o nosso coração e nos conhece profundamente.

E S. Bernardo continua a dizer: um pecador arrependido segue o Cordeiro; um que é virgem, segue o Cordeiro; mas pode acontecer que, nem um nem outro, o sigam para onde quer que vá: um porque não está sem mancha e outro porque se ensoberbeceu por causa da sua virgindade. O melhor, conclui o Santo, é segui-lo como pecador arrependido, porque o arrependimento purifica das culpas e torna possível seguir o Cordeiro, enquanto a soberba mancha a virgindade e impede segui-l´O. Por vezes, pode ser um bem tocar com a mão a própria miséria, porque nos pode impedir de cairmos na soberba.

O texto evangélico leva-nos a reflectir sobre o valor do dom, do dom de si mesmo. A viúva fez um gesto eloquente: deu com generosidade e confiança, revelando o seu bom coração e o valor d´Aquele a Quem doava. Manifesta-se aberta a Deus, cheia de confiança n´Ele e, ao mesmo tempo, mostra que, para ela, Deus é o supremo bem. O seu gesto é um acto de fé, de abandono à Divina Providência, um acto de adoração.
Os dons ligam as pessoas umas às outras, não tanto pelo valor que têm em si mesmos, mas por causa dos sentimentos que revelam no coração de quem dá, e pelo valor atribuído a quem se dá. É o coração que torna precioso o dom. Sob o ponto de vista religioso, a fé altera radicalmente o valor do que se dá. O pouco da viúva, dado com fé, é tudo; o muitos dos ricos, dado sem fé, é nada. O que torna precioso um dom é a intenção que o acompanha. Se o termo do gesto oblativo é Deus, o dom assume um valor extremamente grande. É Deus Quem o acolhe, o aprecia e o agradece.
Fonte: Fernando Fonseca em “dehonianos.org/portal/liturgia”

   

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