3ª -FEIRA - - III SEMANA - TEMPO COMUM - ANOS ÍMPARES - 29 JANEIRO 2019

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26Jan2019
| Escrito por Assis

3ª -FEIRA - - III SEMANA -

TEMPO COMUM - ANOS ÍMPARES - 29 JANEIRO 2019

Primeira leitura: Hebreus 10, 1-10

A antiga Lei prescrevia complexos ritos de purificação e exigia a repetida oferta de vítimas em sacrifício: sangue de touros e de bodes. Esses sacrifícios mantinham viva a consciência de pecado no povo, mas eram insuficientes para extirpar esse pecado e reconduzir o povo à liberdade.

Um rito exterior não pode curar automaticamente uma ferida interior que tem origem na desobediência a Deus, na soberba rebelião contra a sua vontade.

Depois da queda dos nossos primeiros pais, a natureza humana é inclinada para o mal e, de facto, a inclinação torna-se pecado realizado que, por sua vez, torna cada vez mais fáceis novas quedas. Daí decorre um estado de escravidão permanente.

Jesus veio ao mundo para percorrer, por primeiro, o caminho de regresso ao Pai, abrindo também aos homens esse caminho, que é o único que leva à salvação. Sendo Filho de Deus, abaixou-Se à condição humana e fez-se obediente até à morte de cruz. Fomos santificados graças à sua entrega sacrificial obediente, e não a determinados sacrifícios ou práticas rituais.

Fala-se da oblação do corpo e não do sangue de Cristo. A palavra corpo é utilizada devido à expressão do Salmo: «preparaste-me um corpo» (v. 5). Esta oblação inclui, na só a oferta no momento da Encarnação - ao entrar no mundo - mas a entrega de toda a sua vida ao serviço da vontade de Deus. Essa entrega culminou na cruz. Quer quando se fala do corpo, como quando se menciona o sangue, o que está em causa é a total auto-entrega de Cristo.

Evangelho: Mc 3, 31-35

Depois do julgamento do «tribunal» de Jerusalém, vem o julgamento dos «seus», conterrâneos e parentes, que dizem que Ele está louco.

Alguns autores vêem neste texto ecos de uma desconfiança que existia em relação à comunidade judeo-cristã de Jerusalém, cujo bispo era Tiago, «irmão» do Senhor, pertencente ao grupo de Nazaré, cuja hostilidade para com o Senhor é sublinhada por Marcos (cf. 6, 3).

Os parentes do Senhor lideravam a igreja de Jerusalém e também há quem veja no texto de Marcos resíduos de uma polémica contra o perigo do nepotismo na Igreja.

Como quer que seja, não podemos ver neste texto qualquer atitude de menosprezo pela Mãe, nem pelos afectos humanos. Marcos não trata desses temas, mas aproveita o ensejo para criar uma situação paradoxal que dá maior realce aos vv. 34s., que são o cume do episódio.

Todos quantos rodeiam Jesus, ainda que simples curiosos, discípulos hesitantes ou apóstolos tardos em compreender, ou mesmo traidores, são mãe e irmãos. Ser irmão de Jesus, não é questão de sangue, de mérito, mas de graça:

«Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe», por que se torna «filho de Deus».

As duas leituras de hoje iluminam-se reciprocamente. «Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe», diz-nos Jesus no evangelho.

Lemos na Carta aos Hebreus: «Tu não quiseste sacrifício nem oferenda, mas preparaste-me um corpo... Então, Eu disse: Eis que venho para fazer, ó Deus, a tua vontade». E continua: «E foi por essa vontade que nós fomos santificados, pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre» (v. 10).

A vontade de Deus é, pois, um tesouro inestimável para nós. Mas não o aceitamos espontaneamente. Porquê? Porque provavelmente temos uma estreita visão da obediência e de estranhos preconceitos contra a vontade de Deus... Muitas vezes falamos de vontade de Deus nas provações, nos sofrimentos:

«É vontade de Deus!», dizemos resignados.

Isto pode ser um primeiro passo, mas não é toda a verdade. Para Jesus, a vontade de Deus era a ressurreição, não a morte! A morte era apenas uma passagem muito dolorosa, mas uma passagem rumo à transformação da natureza humana. Por isso, não podemos deter-nos na morte.

A vontade de Deus é a transformação, a alegria. Por isso, havemos de viver as circunstâncias dolorosas, não só com resignação, mas também com confiança e adesão, com esperança. Deus quer realizar algo de positivo, que será a nossa alegria. A sua vontade é triunfar sobre tudo quanto é negativo.

Lemos no salmo 18: «Atacaram-me no dia da minha desgraça, porém, o Senhor foi o meu amparo. Levou-me a um espaço aberto, libertou-me porque me quer bem» (Sl 18, 19-20). «Porque me quer bem»: a vontade de Deus é o seu querer-me bem!

Na plenitude da revelação, Jesus irá declarar: «A vontade daquele que me enviou é esta: que Eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas o ressuscite no último dia» (Jo 6, 39). Se a vontade de Deus é o nosso bem, que é então a obediência? Desde o «eis-me aqui!» de Abraão ao «eis-me aqui!» de Maria, do «eis-me aqui!» de Jesus ao «eis-me aqui!» de todos quantos Lhe seguem os passos, ela revela-se como um cântico nupcial que brota do coração desejoso de cooperar no desígnio divino da salvação.

A obediência não é fria execução de severas ordens, mas o apaixonado envolvimento de toda a pessoa num confiante abandono Àquele que é omnipotente, mas também Pai; Altíssimo, mas também Emanuel, Deus-connosco.

A obediência tem momentos difíceis, mas pressentirá sempre ao seu lado os passos d´Aquele que nos precede levando, por nosso amor, a sua e nossa cruz.

Fonte: “dehonianos.org/portal/liturgia”

 

2ª FEIRA - III SEMANA - TC - ANO IMPAR

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24Jan2019
| Escrito por Assis

 

2ª FEIRA - III SEMANA - TC - ANO IMPAR

Primeira leitura: Hebreus 9, 15.24-28

Cristo é o mediador da nova aliança. O sumo sacerdote da antiga aliança, em nome de todo o povo, entrava em relação directa com Deus por meio de sacrifícios e vitimas animais, levava-Lhe as ofertas e trazia à assembleia a bênção divina em sinal de reconciliação. Cristo, sumo sacerdote da nova lei, é, agora, o mediador entre Deus e a humanidade. Há, pois, continuidade entre a antiga e a nova aliança.

Mas também há descontinuidade: Jesus não é apenas sacerdote da nova aliança; é também vítima. Na paixão, entregou-se a Deus pelos pecadores. Não ofereceu sangue de outros, mas o seu próprio sangue. A perfeição do sacrifício de Cristo está na origem da sua unicidade e da unicidade da nova aliança estabelecida por meio dele. A sua actividade sacerdotal completa-se na cruz. Na Ascensão, entra no «Santo dos santos», que não é um templo construído por mãos humanas, mas o próprio Céu, e lá permanece Cordeiro imolado, mas de pé, diante de Deus para interceder por nós (cf. Ap 5, 6). O pecado perdeu toda a sua força. Para todos foi aberto o «caminho novo» (Heb 10, 20) para regressar ao Pai.

Evangelho: Mc 3, 22-30

O «tribunal» vindo de Jerusalém, não podendo negar a evidência prodígios que Jesus operava, insinua que é por Belzebu que Ele expulsa os demónios. Jesus enfrenta decidida e corajosamente os seus caluniadores, ainda que «em parábolas», para os refutar. Evidencia as suas contradições: se fosse Satanás a expulsar Satanás, não era preciso estar preocupados com ele, porque o seu poder tinha chegado ao fim.
As palavras de Jesus, cheias da ironia, que Marcos várias vezes anota, são uma profecia: efectivamente o reino de Satanás estava prestes a findar, porque se aproximava o reino dos céus, ou melhor, já estava presente.

Libertar os pecadores do poder de Satanás e da escravidão do pecado era um sinal claro de que Jesus actuava em nome de Deus. Dizer que actuava pelo poder do «espírito maligno» era blasfemar contra o Espírito Santo.

A Carta aos Hebreus apresenta-nos o fundamento da unidade pela qual a Igreja reza: o único sacrifício de Cristo. O autor insiste em dizer que Cristo sofreu uma só vez: «apareceu uma só vez para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo» (v. 26). Sendo assim, a Missa, que é o sacramento do único sacrifício de Cristo, é o fundamento da unidade. Quando participamos na Eucaristia, havemos de oferecer o sacrifício de Cristo pela unidade de todos os que acreditam n´Ele.

É bom rezarmos pela unidade da Igreja, particularmente neste tempo em que as diversas tradições cristãs o fazem. Mas o tema que unifica as duas leituras é o destino do homem, a sua salvação eterna ou condenação eterna. Ainda que frágil como a erva do campo, o homem não foi criado apenas para um breve respiro na terra. O seu destino é viver para sempre. Para sempre. A desproporção entre a nossa pequenez e a grandeza do nosso destino pode assustar-nos. Por isso, facilmente somos tentados a redimensionar a nossa vida, reduzindo-a ao tempo presente, satisfazendo-nos com um bom trabalho, honestas relações com os outros e pouco mais. Mas isso não chega! Ainda que tantas vezes sufocado, persiste em nós o desejo de infinito: o Espírito que habita em nós clama que fomos feitos para um amor sem medida. O homem está realmente condenado à santidade ou ao desespero. Mas, que é a santidade?

O evangelho diz-nos, de modo muito simples, que ela é comunhão com Jesus. Então tudo muda de figura: quando rezo, estou com Jesus diante do Pai para adorar, interceder, dar graças; quando trabalho, estou com Jesus ao serviço do meu próximo; quando sofro, participo na paixão de Jesus para salvação do mundo; quando chega para mim a hora da morte, estou unido à morte redentora de Cristo, entro na sua páscoa e antegozo a alegria de ver descoberto o rosto d´Aquele que me amou e Se entregou por mim.
Fonte: “dehonianos.org/portal/liturgia/”

   

3º DOMINGO III SEMANA DO TEMPO COMUM – Ano C

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24Jan2019
| Escrito por Assis

 

3º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

A liturgia deste domingo coloca no centro da nossa reflexão a Palavra de Deus: ela é, verdadeiramente, o centro à volta do qual se constrói a experiência cristã. Essa Palavra não é uma doutrina abstracta, para deleite dos intelectuais; mas é, primordialmente, um anúncio libertador que Deus dirige a todos os homens e que incarna em Jesus e nos cristãos.

Na primeira leitura (Ne 8,2-4a.5-6.8-10), exemplifica-se como a Palavra deve estar no centro da vida comunitária e como ela, uma vez proclamada, é geradora de alegria e de festa.

Que lugar ocupa a Palavra de Deus na vida de cada um de nós e na vida das nossas comunidades?

A Palavra interpela-nos, leva-nos à conversão, à mudança de vida, ou a Palavra não só para os outros.

A segunda leitura – 1 Cor 12,12-30, apresenta a comunidade gerada e alimentada pela Palavra libertadora de Deus: é uma família de irmãos, onde os dons de Deus são repartidos e postos ao serviço do bem comum, numa verdadeira comunhão e solidariedade.

A Igreja é o corpo de Cristo onde se manifesta, na diversidade de membros e de funções, a unidade, a partilha, a solidariedade, o amor, que são inerentes à proposta salvadora que Cristo nos apresentou. A nossa comunidade cristã é, para nós, uma família de irmãos, que vivem em comunhão, que se respeitam e que se amam?

Usamos os “carismas” que Deus nos confia para o serviço dos irmãos e para o crescimento do corpo, ou para a nossa promoção pessoal e social?

Sentimo-nos co-responsáveis na construção dessa comunidade da qual somos membros e desempenhamos, com sentido de responsabilidade, o nosso papel, ou remetemo-nos a uma situação de passividade e de comodismo, esperando que sejam os outros a fazer tudo?

No Evangelho, (Lc 1,1-4;4,14-21), apresenta-se Cristo como a Palavra que se faz pessoa no meio dos homens, a fim de levar a libertação e a esperança às vítimas da opressão, do sofrimento e da miséria.

Jesus manifesta de forma bem nítida a consciência de que foi investido do Espírito de Deus e enviado para pôr cobro a tudo o que rouba a vida e a dignidade do homem.

A fidelidade ao “caminho” percorrido por Cristo é a exigência fundamental do ser cristão. Preocupa-nos a libertação dos nossos irmãos escravizados? Que posso eu fazer, em concreto, para continuar no meio deles a missão libertadora de Cristo?

Neste texto, como Jesus “actualiza” a Palavra de Deus proclamada e a torna um anúncio de libertação que toca de muito perto a vida dos homens. Os que proclamam a Palavra, que a explicam nas homilias, têm esta preocupação de a tornar uma realidade “tocante” e um anúncio verdadeiramente transformador e libertador, que atinge a vida daqueles que os escutam?

Fonte: “dehonianos.org/portal/liturgia/”

 

SÁBADO - II SEMANA – TEMPO COMUM – ANOS ÍMPARES

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23Jan2019
| Escrito por Assis

SÁBADO - II SEMANA –

TEMPO COMUM – ANOS ÍMPARES

Primeira leitura: Hebreus 9,2-3.11-14

O autor da Carta aos Hebreus continua a falar do sacerdócio de Cristo, da sua capacidade de ser intermediário entre Deus e os homens, e entre os homens e Deus.

A mediação de Cristo não se realiza como no Antigo Testamento, ou seja, penetrando num lugar material, no Santo dos Santos, onde o Sumo Sacerdote podia entrar apenas uma vez por ano.

Com Jesus, tudo muda: o culto exterior torna-se interior porque Cristo entra uma vez para sempre no santuário do céu oferecendo o seu Corpo santíssimo como oferenda viva e agradável a Deus, alcançando-nos, pelo seu Sangue, a salvação.

Esse Sangue é o preço do sacrifício perfeito em que, também nós, participamos. Animado pelo Espírito, Jesus ofereceu-Se ao Pai, dando-nos a possibilidade de também nós entrarmos na festa do dom recíproco entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

O novo culto não é um conjunto de ritos exteriores, mas um movimento festivo de honra prestada e recebida entre as Pessoas da Santíssima Trindade.

Em Jesus, realizou-se o que era impossível aos sacerdotes da antiga aliança. Por isso, Jesus Cristo é chamado pontífice dos bens futuros (2, 5), da cidade futura (13, 14), da herança eterna prometida (9, 15).

Evangelho: Marcos 3, 20-21

A presença e a actividade de Jesus adquirem notável ressonância. Mas essa ressonância não leva necessariamente à fé. Jesus tem de enfrentar as primeiras recusas, a começar pela dos seus familiares que decidem tomar medidas drásticas contra os embaraços que lhes estava a causar, pois diziam:

Está fora de si!» (v. 21).

A consanguinidade não é suficiente para criar sintonia com o Evangelho. Jesus vive o dom total de Si mesmo para com todos. Os seus familiares, em vez de O apoiarem e seguirem, querem impor-Lhe bom senso, prudência humana.

No fundo estamos perante a mesma questão de sempre: ou seguir Jesus, doando-nos sem cálculos nem reservas, ou tentar tomar conta d´Ele de um qualquer modo, como fizeram os seus inimigos, para O vergarmos aos nossos interesses mesquinhos.

A Carta aos Hebreus fala-nos do dom total de Si mesmo feito por Jesus Cristo. Jesus, animado por um «Espírito eterno, ofereceu-se a si mesmo a Deus, sem mácula» (v. 14). Cristo realizou a oblação perfeita de Si mesmo, uma oblação bem diferente das oblações do culto antigo, antes referido. Jesus entrou no santuário, «não com o sangue de carneiros ou de vitelos, mas com o seu próprio sangue» (v. 12).

Oferecer coisas externas é relativamente fácil; oferecer a si mesmo é mais difícil. Jesus mostrou-nos este caminho: não ofertas externas, mas ofertas pessoais. Oferecer a si mesmo, pôr-se à disposição do amor de Deus, para o serviço dos irmãos e das irmãs, até ao ponto de pôr em perigo a própria vida, se for necessário!

Jesus pôde fazer esta oferta pessoal perfeita porque não tinha qualquer mancha, era imaculado, perfeitamente íntegro. Por outro lado, pôde oferecer-Se a Si mesmo porque tinha uma generosidade inspirada pelo Espírito Santo: «pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo a Deus» (v. 14). A sua oblação transformou o sangue derramado em sangue de aliança, em sangue que purifica e santifica.

O sangue de Cristo, graças a esta oblação, «purificará a nossa consciência das obras mortas» e pôr-nos-á em condições de «prestarmos culto ao Deus vivo!»

Na verdade, Jesus estava «fora de si» (v. 21). S. Paulo fala-nos da «loucura da cruz» (1 Cor 1, 18), uma loucura de amor, uma loucura fecunda. Depois de Jesus, quantos seus discípulos foram acusados de loucos por desprezarem a sabedoria deste mundo e se entregarem completamente à sabedoria da cruz, oferecendo-se inteiramente a Deus e ao serviço dos irmãos.

Fonte: “dehonianos.org/portal/liturgia
   

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