SEGUNDA-FEIRA - IV SEMANA – T C – ANOS ÍMPARES – 4 FEVEREIRO

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30Jan2019
| Escrito por Assis

 

SEGUNDA-FEIRA - IV SEMANA – T C – ANOS ÍMPARES – 4 FEVEREIRO –

Primeira leitura: Hebreus 11, 32-40

Para animar os cristãos que vacilam na fé, o autor da Carta aos Hebreus faz desfilar diante deles uma longa série de heróis nacionais, como Gedeão, Barac, Sansão, Jefté, Samuel e David e outros que não nomeia explicitamente, mas onde não é difícil vislumbrar Daniel, os três jovens lançados à fornalha ardente, Elias e Eliseu… Embora sem também lhes referir os nomes, apresenta uma série de homens e de mulheres que sofreram perseguições e martírios. Entre eles é fácil identificar Eleázar, a mãe dos Macabeus e seus filhos, os profetas Zacarias, Jeremias e Elias. Deus não deixou sem recompensa o testemunho, o esforço e a confiança de todos estes heróis, profetas, santos e mártires. O seu testemunho tem tanto mais valor quanto não chegaram a ver cumprida a promessa. O seu exemplo é estimulante para os cristãos que tiveram essa dita. Não há, pois, razão para vacilar na fidelidade a Cristo, apesar das perseguições e da saudade dos ritos do templo. A fortaleza dos antigos deve estimular os destinatários da carta, fazendo-lhes compreender que a estranheza e a rejeição do mundo em relação a eles é condição normal de quem quer efectivamente aderir a Deus. A graça recebida em Cristo deve bastar-lhes para também se tornarem gigantes na fé, uma vez que é maior que a dos Antigos. De facto, em Jesus já se cumpriram as promessas de Deus.

 

Evangelho: Mc 5, 1-20

Escutamos, hoje, um relato popular, de estilo burlesco, com que as primeiras comunidades cristãs acentuavam o poder benéfico do «kerygma» de Jesus. O episódio passa-se a oriente do lago de Tiberíades, em terra pagã, como se vê pela existência da vara de porcos, animais considerados impuros em Israel. É o caso do epiléptico, que não podia ser controlado pelos seus conterrâneos e, por isso, vivia no campo ou, pior ainda «entre os túmulos». A situação é grave e mesmo dramática. Ouvem-se os urros dos demónios, que reconhecem Jesus, proclamam a sua divindade e suplicam que não os expulse. Jesus mantém-se imperturbável: pergunta-lhes o nome, e concede-lhes refugiar-se nos porcos. A precipitação da vara no lago, sugere o seu regresso a Satanás, rei dos abismos. Os presentes continuam dominados pelo temor e pedem a Jesus que se afaste.


O anúncio do Evangelho deve ser preparado e exige a mediação da testemunha, do apóstolo. Ao contrário do silêncio que, em Marcos, Jesus geralmente impõe aos miraculados, aqui manda ao possesso libertado que vá levar a notícia aos seus. O homem não se contenta com isso e apregoa na Decápole a obra que Jesus nele realizou.

A Carta aos Hebreus continua a falar-nos da fé. Hoje apresenta-nos dois quadros opostos, que podemos intitular: vitórias e derrotas da fé. Pela fé, os Juízes, os Profetas e David fizeram grandes coisas, alcançaram grandes vitórias: «conquistaram reinos, exerceram a justiça, alcançaram promessas, fecharam a boca de leões, extinguiram a violência do fogo» (v. 33-34). Mas, pela mesma fé, outros sofreram «derrotas» não menos admiráveis, porque manifestaram uma fé mais forte, uma fé que não se deixou dominar pelas situações e acontecimentos adversos, nem aceitou a apostasia para alcançar «vitórias». Também em Jesus notamos dois quadros: Jesus que realiza milagres e suscita a admiração das multidões; Jesus na paixão, condenado, vilipendiado, crucificado, morto.
O exemplo dos nossos antepassados na fé, e especialmente o exemplo de Jesus, hão-de estimular a nossa fragilidade no caminho da fé, também ele tantas vezes marcado por vitórias e derrotas. Talvez tenhamos encontrado o Senhor numa experiência que, certo dia, mudou a nossa vida, ou talvez O tenhamos acolhido depois de eventos muito concretos, depois de um sério confronto com Ele. A fé pediu-nos certamente renúncias a que, num primeiro momento, correspondemos com generosidade e alegria. Mas não é fácil perseverar e testemunhar Cristo num contexto neo-pagão ou num contexto tradicionalista, ligado a costumes e tradições esvaziadas de alma. Pouco a pouco o nosso entusiasmo arrefece, as incompreensões ferem-nos, o isolamento desencoraja-nos. Corremos o risco de nos encontrarmos pouco convencidos e nada convincentes. Mas a fé deve ser continuamente reavivada, como uma pequena chama que frequentemente havemos de aproximar do Espírito para a manter ardente e luminosa. Precisamos de fazer memória de tantos irmãos e irmãs, que deram um esplêndido testemunho de perseverança e nos transmitiram a chama da fé, porque prosseguimos a sua mesma caminhada. Precisamos de voltar, de alma e coração, às circunstâncias do nosso encontro com Jesus e permanecer na sua presença. A memória da graça passada e a visão do futuro que nos espera reanimarão os nossos passos. O Senhor, conhecendo a nossa fraqueza, quer-nos missionários do mundo. Ele próprio nos apoia para que possamos alcançar a promessa juntamente com as grandes testemunhas que nos precederam e que virão depois de nós, às quais havemos de entregar a chama da fé.

Fonte: “dehonianos.org/portal/liturgia”

 

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - 2 FEVEREIRO 2019

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28Jan2019
| Escrito por Assis

 

APRESENTAÇÃO DO SENHOR - 2 FEVEREIRO 2019

Esta festa já era celebrada em Jerusalém, no século IV. Chamava-se festa do encontro,hypapántè , em grego. Em 534, a festa estendeu-se a Constantinopla e, no tempo do Papa Sérgio, chegou a Roma e ao Ocidente. Em Roma, a festa incluía uma procissão até à Basílica de S. Maria Maior. No século X, começaram a benzer-se as velas.

José e Maria levam o Menino Jesus ao templo, oferecendo-o ao Pai. Como toda a oferta implica renúncia, a Apresentação do Senhor é já o começo do mistério do sofrimento redentor de Jesus, que atingirá o seu ponto culminante no Calvário. Maria e José unem-se à oferta do seu divino Filho estando a seu lado e colaborando, cada um a seu modo, na obra da Redenção.

Primeira Leitura: Malaquias 3, 1-4

Os dois mensageiros anunciados pelo profeta introduzem-se mutuamente: um prepara a vinda do Senhor e outro realiza a Aliança, é o Esperado. Estas duas figuras perspetivam João Baptista e Cristo. Um é apenas precursor; o outro é o Messias esperado, de origem divina, o Redentor. O primeiro prepara o caminho; o segundo entra efetivamente no templo, santificando, pela oferta de si mesmo, o sacrifício da nova Aliança, os ministros e o culto.

Segunda leitura: Hebreus 2, 14-18

A carne e o sangue, submetidos ao poder da morte pelo inimigo, são divinizados e libertados por Cristo, Deus feito homem. A descendência de Abraão é restituída à vida. O Filho de Deus apresenta-se como primeiro entre muitos irmãos e como sacerdote, mediador na sua divindade e humanidade, da fidelidade de Deus, Pai da vida.

Evangelho: Lucas 2, 22-40

O Evangelho da Infância de Jesus tem o seu ponto alto no templo, lugar da plenitude do povo de Israel. É aí que Zacarias ouve a palavra que dirige a história para a sua meta (anúncio de João); é aí que o Menino é apresentado a Deus, revelado a Simeão e a Ana. É daí que regressa a Nazaré. Pano de fundo da cena da apresentação é lei judaica segundo a qual os primogénitos são sagrados e, por isso, devem ser apresentados a Deus. O Pai responde à apresentação e oferta de Jesus com o dom do Espírito ao velho Simeão, que profetiza. Israel pode estar descansado: a sua história não acaba em vão. Simeão viu o Salvador e sabe que a meta é agora o triunfo da vida.

Meditatio

Os pais de Jesus, de acordo com a lei mosaica, 40 dias depois do nascimento do primeiro filho, foram ao Templo de Jerusalém para oferecer o primogénito ao Senhor e para a mãe ser purificada. Mas este rito não foi exatamente igual aos outros. Nos ritos comuns, eram os pais que apresentavam os filhos a Deus em sinal de oferta e de pertença; neste rito é Deus que apresenta o seu Filho aos homens. Fá-lo pela boca do velho Simeão e da profetisa Ana. Simeão apresenta-O ao mundo como salvação para todos os povos, como luz que iluminará as gentes, mas também como sinal de contradição; como Aquele que revelará os pensamentos dos corações.
O encontro de Jesus com Simeão e Ana no Templo de Jerusalém é símbolo de uma realidade maior e universal: a Humanidade encontra o seu Senhor na Igreja. Malaquias preanunciava este encontro: «Eis que Eu vou enviar o meu mensageiro, a fim de que ele prepare o caminho à minha frente. E imediatamente entrará no seu santuário o Senhor, que vós procurais». No Templo, Simeão reconheceu Jesus como o Messias esperado e proclamou-o salvador e luz do mundo. Compreendeu que, doravante, o destino de cada homem se decidia pela atitude assumida perante Ele; Jesus será ruína ou salvação. Como dirá João Baptista: Ele tem na mão a joeira para separar o trigo bom da palha (cf. Mt 3, 12).
É o que acontece, a outra escala, também hoje: no novo templo de Deus que é a Igreja, os homens «encontram» Cristo, aprendem a conhecê-lo, recebem-no na Eucaristia, como Simeão o recebeu nos braços; a sua palavra torna-se, aí, para eles, luz e o seu corpo força e alimento. É a experiência que fazemos, sempre que vamos à missa. A comunhão é um verdadeiro encontro entre Deus e nós. Hoje, essa experiência é acentuada pelo simbolismo da festa: a procissão com que entramos na igreja com o sacerdote, levando a vela acesa e cantando, era, sinal deste ir ao encontro de Jesus que nos chama no interior da sua igreja, na esperança de irmos ao seu encontro um dia no Hypapante eterno, quando formos nós a ser apresentados por Ele ao Pai.
A Candelária é festa de luz. A luz da fé não nos foi dada apenas para iluminar o nosso caminho, desinteressando-nos dos outros... A luz da fé também não é para ter acesa apenas na igreja, ou em certos momentos, mas em todos os momentos e situações da nossa vida... A nossa fé há de ser luz que ilumina, fogo que aquece... É luz e fogo quem é compreensivo e bom com todos... quem sabe apoiar os pequenos esforços... os pequenos progressos... quem tem palavras de amizade, de estímulo, de apoio... quem sabe dizer uma boa palavra, dar uma ajuda... O amor cristão tem a sua origem em Deus que nos amou e nos enviou o seu Filho com quem nos encontramos em vários momentos da nossa vida, particularmente quando celebramos a Eucaristia. Esse é o nosso encontro, enquanto esperamos o encontro definitivo no Céu.

Fonte: “Dehonianos.org/portal/liturgia/”

   

5ª FEIRA - III SEMANA – TEMPO COMUM – ANOS ÍMPARES –

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28Jan2019
| Escrito por Assis

 

5ª FEIRA - III SEMANA – TEMPO COMUM – ANOS ÍMPARES –

Primeira leitura: Hebreus 10, 19-25

O autor da Carta aos Hebreus fez, até aqui, uma exposição exaustiva dogmático-teológica sobre o sacerdócio de Cristo. Nesta secção, expõe a reacção do homem diante da obra de Cristo, e tira consequências práticas dos princípios doutrinais afirmados. Começa por chamar «irmãos» aos seus interlocutores. Agora podem compreender melhor o significado cristão desse nome. Podem ser chamados «irmãos» porque todos foram redimidos pelo sangue de Cristo, podem entrar em comunhão vital com Ele e uns com os outros.

O acesso a Deus foi viabilizado pelo sangue de Cristo, pela sua obra em nosso benefício. Temos um caminho novo e vivo para Deus, aberto através do véu da carne de Alguém que é sacerdote, que é caminho. A própria pessoa de Jesus é o caminho que havemos de percorrer pela conversão, pela conformação com Ele.

Por isso, devemos aproximar-nos d´Ele com as devidas disposições interiores, tais como a pureza do corpo e do espírito conferida pelo baptismo, mas também com «fé» e «esperança». Nas tribulações de vida, o cristão deve dar testemunho de que está apoiado, sem hesitações, num Deus cujo nome é «fiel e verdadeiro» (Ap 3, 14). Mas tudo isto não há-de ser vivido como busca de perfeição individual. Por isso, há-de ser vivida no exercício da caridade: é preciso ser uns pelos outros no exemplo, no estímulo, no apoio.

Evangelho: Mc 4, 21-25

Depois da parábola do semeador, Marcos apresenta-nos dois pares de breves sentenças. O Evangelho é para todos na comunidade. Por isso, deve ser colocado «no candelabro». Se alguém cair na tentação de o guardar ciosamente para si, então ser-lhe-á tirado. A Sagrada Escritura não é privilégio só para alguns, mas é para todos. Por isso, deve ser posta ao alcance de todos. A fé recebida por mim deve ser posta ao serviço da minha comunidade e de todos os homens.


No primeiro par de sentenças, a imagem da lâmpada que deve ser exposta sobre o candelabro é desenvolvida por duas antíteses paralelas: o que está escondido há-de ser descoberto, o que está oculto há-de vir à luz. O Reino, ainda que, por enquanto, seja anunciado em parábolas, depressa virá à luz na sua glória, e o Evangelho será anunciado a todos os povos.


No segundo par de sentenças, a antítese volta-se para a condição interna da comunidade: a imagem da medida insinua a proibição de julgar os outros; a segunda sentença está mais ligada à parábola do semeador: «aquele que tem» corresponde à «boa terra», que acolhe a palavra e lhe permite produzir fruto.

O autor da Carta aos Hebreus faz-nos entrever o mistério de Jesus Cristo, que transformou a situação do homem. Depois de se detido a apresentar esse mistério, e o sacrifício agradável Si mesmo, que Cristo ofereceu ao Pai, obtendo-nos a salvação, o autor manifesta o seu espanto pela transformação que esse mesmo sacrifício operou em nós. Implicitamente, o autor da Carta compara a nossa situação com a do Antigo Testamento, quando as relações com Deus estavam sujeitas a limitações e a obstáculos de toda a espécie. Só o Sumo Sacerdote podia entrar no santuário uma vez por ano. O povo tinha que ficar fora dele, e não tinha caminhos para chegar a Deus.

Na verdade, os próprios sacerdotes eram imperfeitos, e os Sumos Sacerdotes eram pecadores que deviam oferecer sacrifícios de expiação por si mesmos. Mas estes sacrifícios eram ineficazes e não os tornavam dignos de se aproximarem de Deus. Nós, os cristãos, pelo contrário temos plena liberdade para entrar no santuário «no santuário por meio do sangue de Jesus. Ele abriu para nós um caminho novo e vivo através do véu, isto é, da sua humanidade» (v. 20). Através da humanidade de Cristo, podemos chegar a Deus, tendo uma guia para nos acompanhar no caminho «um Sumo Sacerdote à frente da casa de Deus» (v. 21).


Este texto aplica-se bem à Eucaristia. Para penetrarmos no santuário, havemos de caminhar por meio do sangue de Cristo neste caminho novo e vivo, que Ele mesmo inaugurou. E não podemos avançar sem Ele. Por Ele, com Ele e n´Ele, avançamos para Deus com toda a confiança, porque Cristo Lhe é agradável. As disposições com que havemos de caminhar são a fé, a esperança e a caridade: «aproximemo-nos dele com um coração sincero, com a plena segurança da fé, com os corações purificados da má consciência e o corpo lavado com água pura.

Conservemos firmemente a profissão da nossa esperança, pois aquele que fez a promessa é fiel. Estejamos atentos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (vv. 22-24). O caminho que, desde já nos leva a Deus, no sacramento, há-de levar-nos definitivamente a Ele para além da morte. Percorremos este caminho em comunidade, em Igreja. Daí que, depois da fé e da esperança, seja recomendada a caridade e a celebração comunitária da Eucaristia: «sem abandonarmos a nossa assembleia – como é costume de alguns – mas animando-nos, tanto mais quanto mais próximo vedes o Dia» (v. 25).


Louvemos o Senhor e agradeçamos-Lhe tudo quanto fez por nós em Jesus Cristo morto e ressuscitado. Segundo a Carta aos Romanos, o Pai destinou Cristo a servir de expiação, «como propiciatório» com o Seu sangue, pelos nossos pecado
s (cf. Rm 3, 26). Na Segunda Carta aos Coríntios, Paulo afirma: «Aquele que não havia conhecido pecado (Cristo), Deus O fez pecado por nós para que nos tornássemos n´Ele justiça de Deus» (5, 21), isto é, Cristo assumiu uma carne pecadora, para se tornar vítima pelo pecado na carne pecadora, para que nós fôssemos justificados diante de Deus. Assim Cristo é a «vítima de expiação», imolada em holocausto pelo fogo do Espírito (cf. Heb 9, 14) «pelos nossos pecados”» (1 Jo 2, 2). Pode-se perfeitamente afirmar do Seu sangue aquilo que o Levítico diz do antigo holocausto que «consumado pelo fogo» era «perfume suave para o Senhor» (1, 17); esta imagem é retomada por Paulo: «Cristo amou-nos e Se entregou por nós a Deus, como oferenda e sacrifício de agradável odor» (Ef 5,2).

Fonte: “Dehonianos.org/portal/liturgia/”

 

4ª FEIRA - III SEMANA- T C - ANOS ÍMPARES -30 JANEIRO 2019

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27Jan2019
| Escrito por Assis

4ª FEIRA - III SEMANA-

T C - ANOS ÍMPARES -30 JANEIRO 2019

Primeira leitura: Hebreus 10, 11-18

As reflexões do autor continuam centradas na superioridade do sacerdócio e do sacrifício de Cristo relativamente a todos os sacrifícios oferecidos pelo sacerdócio de Aarão. Dirigindo-se a judeo-cristãos que passam por um momento de crise e de saudade do antigo culto, o autor estabelece uma relação directa entre os sacerdotes do templo e Cristo.

Os primeiros apresentam-se submetidos a uma permanente e vã repetição de ritos que não chegam a purificar as consciências e a libertar do pecado. São sacrifícios externos, apenas sombra do verdadeiro sacrifício. Ergue-se diante deles a figura majestosa de Cristo que, tendo oferecido «uma só vez» a sua vida em obediência ao Pai, está «agora» na sua presença e «sentado» à sua direita, à espera que amadureçam todos os frutos da obra de salvação realizada.

Agora está aberto, e assim permanece para sempre, o acesso ao verdadeiro «Santos dos santos». Assim, segundo o autor da Carta, realiza-se a profecia de Jeremias (31, 33ss.) sobre a «nova aliança»: Deus escreveu a sua lei no coração do homem e perdoou os seus pecados.

Agora, cada homem é potencialmente filho de Deus, no Filho muito amado. A Igreja, ao oferecer todos os dias o sacrifício eucarístico, não repete o evento da paixão-morte de Jesus, mas renova para todo os homens, cada dia, aquele único sacrifício. Assim, oferece a cada um a possibilidade de entrar livremente em comunhão vital com Cristo e tornar-se membro vivo do seu corpo místico.

Evangelho: Mc 4, 1-20

O reino de Deus é proclamado pela palavra. Marcos, na secção que hoje abre, oferece-nos uma teologia da palavra do reino. Jesus começa a falar «em parábolas». Era o método usado pelos rabinos.

As parábolas são «histórias» aparentemente simples, mas com um elemento-surpresa e uma conclusão inesperada que convidam a procurar um segundo significado, para além do imediato.

A parábola começa e termina com dois imperativos: «Escutai» (v. ). Em sentido bíblico, «escutai» significa «obedecei», isto é, dai a vossa adesão (ob-audire). Jesus quer entrar em relação viva com as pessoas a quem se dirige. Começa por centrar a atenção dos ouvintes na generosa sementeira. Mas logo a centra na semente. Vem, depois, a tipologia dos terrenos que recebem a semente. Há um evidente exagero ao falar da «boa terra». A imagem da colheita sugere o fim dos tempos. A parábola, ao fim e ao cabo, diz-nos que o Messias está próximo e descreve a abundância de graça do Reino messiânico.


No diálogo com «os que o rodeavam», a semente é claramente identificada com a Palavra, e os terrenos correspondem às diferentes reacções suscitadas pela pregação dos apóstolos. Jesus veio realizar a missão de semear a Palavra.

Semeou com generosidade, movido pelo excessivo amor que tudo crê, também que o deserto há-de florescer. Assim nos faz compreender também que a Palavra deve ser pregada a todos, sem desânimo, sem medo de fracassar. A seu tempo dará fruto.

O mistério de Cristo é o mistério de uma natureza humana «tornada perfeita» por meio do sofrimento: «Convinha que aquele por quem e para quem existem todas as coisas, querendo levar muitos filhos à glória, levasse à perfeição, por meio dos sofrimentos, o autor da sua salvação» (Heb 2, 10).

Depois desta afirmação, o autor descreve os sofrimentos de Cristo e conclui: Jesus «tornado perfeito, tornou-se para todos os que lhe obedecem fonte de salvação eterna, tendo sido proclamado por Deus Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedec» (Heb 5, 9-10).

Pode parecer-nos estranho aplicar a Cristo a expressão «tornar perfeito» que, no Antigo Testamento, só é usado em referência à consagração dos sacerdotes, cujas mãos, e toda a sua pessoa, hão-de ser tornadas perfeitas para oferecer a Deus o sacrifico. Cristo foi transformado pelo seu sacrifício para se tornar o sacerdote absolutamente perfeito.

Mas a consagração sacerdotal de Cristo, obtida no seu sacrifício, vale para Ele, mas também para nós: «com uma só oferta, Ele tornou perfeitos para sempre os que são santificados» (v. 14). Aqui está a grande novidade: o autor aplica aos cristãos o mesmo verbo que aplicou acerca de Cristo «tornar perfeito».

Cristo recebe a consagração sacerdotal e, ao mesmo tempo, confere-a a nós. Com o seu sacrifício, Cristo tornou-nos, também a nós, capazes de nos apresentar a Deus em atitude sacerdotal, apresentando ofertas. Por isso, graças ao sacrifico de Cristo, podemos aproximar-nos com toda a confiança diante de Deus, entrar no santuário mais secreto.

Na afirmação: «com uma só oferta, Ele tornou perfeitos para sempre os que são santificados» (v. 14), podemos distinguir dois aspectos: somos verdadeiramente consagrados a Deus e podemos oferecer o sacrifício; a nossa santificação é apenas um começo que exige desenvolvimento, crescimento: «tornou perfeitos para sempre os que são santificados» (v. 14).

A santificação recebida no baptismo há-de desenvolver-se cada dia, aplicando à nossa pessoa o sacrifício de Cristo, mas também revivendo-o, de modo especial, nos nossos próprios sofrimentos e tribulações.

A presença misteriosa do cristão em Cristo morto e ressuscitado é expressa por Paulo com a simples expressão «en Christo» (in Christo) usado 164 vezes nas suas cartas, com diferentes matizes. Na Primeira Carta a Timóteo fala do mistério de Cristo como o grande mistério da piedade (3, 16).

Fonte: “dehonianos.org/portal/liturgia/”

   

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