Terça-feira - VI Semana – Tempo Comum – Anos Ímpares –

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12Fev2018
| Escrito por Assis

 

Terça-feira - VI Semana – Tempo Comum – Anos Ímpares –

Primeira leitura: Génesis 6, 5-8; 7, 1-5.10

O pecado começa a alastrar no mundo e parece comprometer a bondade da criação realizada por Deus. Depois do pecado de Adão e Eva, vem o de Caim e os dos «filhos de Deus», provavelmente outros seres humanos e não anjos. E Deus chega a uma dolorosa conclusão: «arrependeu-se de ter criado o homem sobre a Terra» (v. 6). 

Deus não se arrepende da criação em si mesma, mas do pecado dos homens que a inquina e corrompe. O “arrependimento” de Deus corresponde à atitude que os homens deveriam manifestar depois dos seus pecados, mas não manifestam. 

O “arrependimento” de Deus, se assim se pode dizer, leva-o a pensar no único remédio possível para tão grave situação criada pelos homens rebeldes: destruir, de-criar para re-criar, começar tudo de novo.

O mito do dilúvio é velho como o mundo. Encontramos paralelos literários na antiga Mesopotâmia e versões orais em quase todas as culturas primitivas. O autor bíblico reelabora-o e utiliza-o como única solução para a maldade do homem. Mas não se trata de um castigo indiscriminado de inocentes e culpados. A intenção divina é, sobretudo, de recriar o mundo, de renovar a face da terra. 

Os que sobrevivem ao dilúvio representam toda a humanidade salva das águas, os pais da nova família humana. Noé é como que um novo Adão, com quem a vida humana recomeça. Na tradição cristã, Noé torna-se figura de Jesus; o dilúvio, esboço do baptismo que nos salva; a arca, onde sobrevivem homens e animais, imagem da “barca eclesial”.

O epílogo do dilúvio, com o sacrifício agradável a Deus oferecido por Noé, como veremos amanhã, encerra a perspectiva do aniquilamento da humanidade pecadora e abre a uma promessa de Deus sobre a estabilidade da ordem natural. O Deus de face irada dá lugar ao Deus princípio de vida: a graça sobrepõe-se ao juízo, a bênção suplanta a maldição.

Evangelho: Marcos 8, 14-21

Jesus pergunta aos discípulos: «Tendes o vosso coração endurecido?» (v. 17). O tema do coração endurecido, tão dramático e complexo nos Profetas e, de modo geral, no Antigo Testamento, aparece nos Evangelhos a propósito da compreensão e da aceitação do mistério do Reino proposto em parábolas (Mc 4, 10-12; Mt 13, 10-14; Lc 8, 9s.; cf. Jo 12, 37-41). O Reino era novidade com que Deus surpreendia a todos. Só os corações simples, abertos e disponíveis o podiam acolher. Por isso, era necessário não se deixar contaminar «com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes» (v. 15), isto é, com o orgulho e com a soberba dos fariseus e de Herodes. 

Os fariseus provavelmente esperavam um Messias triunfador que, com prodígios grandiosos, submetesse o mundo ao poder de Israel. Mas não era essa a lógica de Jesus. A salvação que nos oferece será realizada na partilha que multiplica o pão, e na carne «mastigada», que se torna fonte de vida eterna, isto é, na sua passagem pela morte. Será também esse o caminho dos discípulos e da Igreja, se quiserem ser fiéis aos ensinamentos e ao exemplo de Jesus.

O coração é o lugar onde se formam os pensamentos e se concebem as acções. Ao iniciar o relato do dilúvio, o autor sagrado avança logo a causa de tal desgraça: «O Senhor reconheceu que a maldade dos homens era grande na Terra, que todos os seus pensamentos e desejos tendiam sempre e unicamente para o mal.» (v. 5). Literalmente o texto de Gn 6, 5 diz: «Toda a formação dos pensamentos do seu coração era somente mal todo o dia».

A maldade do coração do homem provoca o desencanto e o sofrimento no coração de Deus: «O Senhor arrependeu-se de ter criado o homem sobre a Terra, e o seu coração sofreu amargamente.» (v. 6). O Senhor decide eliminar o homem, e todos os seres vivos, da face da terra. Mas o seu coração não Lhe permite executar completamente uma decisão tão radical e encontra logo um remédio para salvar a humanidade: «Noé, porém, era agradável aos olhos do Senhor» (v. 8). E Deus encarrega-o de construir a arca da salvação.

 

A história de Noé prefigura a história de Jesus e revela, desde o princípio, a táctica divina, que se compraz em usar instrumentos humildes e quase insignificantes, como Noé e a barca, para salvar a humanidade. Assim acontecerá com a eleição do povo de Israel, pequeno e fraco no meio das nações, mas escolhido por Deus para mediar a salvação do mundo. Quando Israel falha na sua vocação e missão, Deus abandona-o, reservando apenas uma pequena parte desse povo, o reino de Judá. Quando também Judá se torna infiel, Deus entrega-o ao saque dos Assírios e deixa-o ser levado cativo pelos Babilónios. Mas, ainda assim, o Senhor consegue encontrar no meio desse povo alguns justos, que serão o começo de um povo novo, humilde e berço da salvação. É dessas poucas pessoas que permaneceram fiéis que Deus fará nascer o seu Filho. E a táctica de Deus continua até ao fim. Quando, na paixão de Jesus, tudo se tornou mau, e o próprio Jesus está como que submerso pelo pecado de todos, o seu Coração permanece aquele «pequeno resto» fiel por meio do qual Deus salva o mundo. Esse Coração, morto e e trespassado na cruz, ressuscita ao terceiro dia, manifestando a nossa salvação: Jesus, o único justo, salva o mundo inteiro! É a táctica de Deus!


Essa mesma táctica se manifesta no evangelho. Aos inquietos discípulos com a falta de mantimentos, Jesus lembra a multiplicação dos pães: «Não vos lembrais de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil?» (vv. 18-19). Importante, importante não é ter muitas coisas, mas ter «o pão de Deus», isto é, Jesus!

Senhor Jesus, ao contemplar o teu Coração, manso e humilde, trespassado na cruz, compreendo a estratégia do Pai que se compraz em fazer grandes coisas, usando instrumentos simples e fracos. É o que já tinha verificado ao reler o Antigo Testamento, desde Noé a João Baptista, e ao pequeno grupo de pobres no meio quais quiseste nascer e crescer. É o que vejo também agora em Ti, servo pobre de Deus e dos homens, meu Salvador. É o que descubro na tua Igreja, ao longo de dois mil anos de história. Na verdade, todas as grandes obras, que efectivamente contribuem para o bem da humanidade, começam na humildade e na insignificância, aos olhos do mundo. Mas Tu tiras delas grandes frutos para todos, quando permanecemos unidos a Ti, único «pão descido do céu» para nossa salvação. Que eu esteja em Ti, e Tu em mim, sempre.

Fonte: resumo e adaptação local de um texto de “dehonianos.org/portal/liturgia

 

Segunda-feira – VI Semana –Tempo Comum – Anos Pares. 12.02.2018

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11Fev2018
| Escrito por Assis

 

Segunda-feira – VI Semana –Tempo Comum – Anos Pares. 12.02.2018

Primeira leitura: Tiago 1, 1-11

A carta que hoje começamos a ler, atribuía a Tiago, irmão do Senhor e bispo de Jerusalém, é dirigida às Doze tribos da diáspora, tal como a Primeira Carta de Pedro. A diáspora era formada pelos judeus que viviam fora da Palestina. Aqui o termo é usado metaforicamente, para indicar a Igreja, novo Israel, dispersa entre os povos.

A carta de Tiago, para além da introdução, apresenta-se como uma homilia onde o seu autor oferece normas práticas de vida cristã. É uma carta «católica» porque contém verdades universalmente válidas, isto é, aplicáveis à vida de todos os crentes.

Resumidamente, podemos indicar algumas: a devoção e a piedade só são verdadeiras quando se reflectem na vida dos crentes. As aparências de devoção não agradam a Deus. A verdadeira devoção não é simples aspiração da alma, nem palavreado fácil. São as obras que revelam a autenticidade da fé proclamada.

Para além de alertar a todos para a necessidade de uma fé que se traduza em obras, a carta de Tiago quer também responder a duas preocupações: por um lado, revelar aos pobres o valor da provação, das suas angústias; por outro lado, revelar aos ricos o perigo que as riquezas encerram. O clima de sabedoria vetero-testamentária é iluminado, ainda que não muito directamente, pela luz de Cristo.

Hoje escutamos a introdução e parte da exortação inicial, cujos temas serão retomados ao longo da carta: a providencialidade da provação, a necessidade de rezar para adquirir a sabedoria e saber orientar-se no meio das dificuldades da vida, o carácter ilusório das riquezas.

A leitura lembra-nos que as dificuldades e sofrimentos, põem à prova a nossa fé e revelam em quem pomos a nossa esperança: se em Deus ou em nós mesmos. O mesmo texto afirma que só a sabedoria, que vem de Deus, permite considerar as provações como perfeita alegria. A sabedoria do mundo considera-a loucura. Há que pedir a sabedoria da cruz, na certeza de que no-la dará. E essa certeza vem-nos da fé que não hesita e se manifesta nas obras.

Bento XVI, na encíclica Spe salvi, lembra-nos que o sofrimento é um lugar para aprender a esperança. Devemos certamente fazer tudo para diminuir o sofrimento; todavia «não é a fuga diante da dor que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e amadurecer nela, e encontrar sentido para ela na união com Cristo, que sofreu com infinito amor». O Papa refere os exemplos de Santa Josefina Bakhita e o do mártir vietnamita Paulo Le-Bao-Thin, verdadeiras testemunhas da esperança no meio dos seus sofrimentos (cf. nn. 36-39).

Evangelho: Marcos 8, 11-13

A perícopa que hoje escutamos situa-se na no contexto da «secção dos pães» (Mc 6, 30-8,26) e mais precisamente na reacção dos fariseus (8, 11-13) e dos discípulos (8, 14-21) à revelação cristológica. Os fariseus não reconhecem o valor do milagre da multiplicação dos pães realizado por Jesus. Daí a provocação: dá-nos um sinal do céu».

Jesus apercebe-se imediatamente da intenção dos fariseus e responde-lhes categoricamente: «sinal algum será concedido a esta geração» (v. 12). Não há prodígio nem sinal capaz de convencer quem não quer deixar-se convencer.

A expressão «esta geração» (v. 12), na literatura profética, indica o povo de Israel infiel à Aliança, que exige sempre de Deus novas manifestações do seu poder. A expressão aparece por vezes seguida de adjectivos como «adúltera e pecadora» (8, 38; Mt 12, 39.45;16,4) ou «infiel e perversa» (9, 19; cf. Mt 17, 17). Nesta perícopa a expressão «esta geração» parece indicar, não só os fariseus, mas também todos aqueles que procuram sempre novos sinais para acreditar.

O evangelho mostra-nos os fariseus que, em tom polémico, se dirigem a Jesus que tinha acabado de multiplicar os pães, «pedindo-lhe um sinal do céu» (v. 11). Trata-se de uma provocação. Jesus apercebe-se das suas intenções e recusa-lhes o sinal, porque não há sinal que convença quem está dominado por preconceitos, quem não se quer deixar convencer. Os fariseus dão continuidade à incredulidade e à dureza de coração do Povo de Deus tantas vezes verberada pelos profetas. Não há sinais nem provas do amor de Deus que os satisfaçam.

Qual é a nossa posição? Talvez também nós sejamos vítimas da miopia religiosa que afectava os fariseus. Jesus é o sinal dado aos homens para que acreditem. Como é a nossa fé, a nossa adesão, a nossa confiança em Jesus? Como reagimos perante os sofrimentos da vida?

Senhor Jesus, ensina-me a considerar perfeita alegria toda a provação, todo o sofrimento. Tu sabes que prefiro a tranquilidade, e que vejo as dificuldades como tropeços no caminho para Ti. Mas também elas são perfeita alegria porque, como ensina teu apóstolo Paulo, as provações da fé produzem a paciência e a paciência completa em nós a obra, para nos tornarmos perfeitos e íntegros, sem qualquer falta.

Senhor, faz-me compreender que é nas provações que produzes em mim a virtude, que não é derrota, mas progresso no amor; faz-me compreender que é nas provações que me unes à tua Paixão gloriosa e à tua vitória sobre o mal e sobre a morte.

Fonte: resumo e adaptação local de um texto de “dehonianos/portal/liturgia”

   

06º Domingo do Tempo Comum – Ano B 11 Fevereiro 2018

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10Fev2018
| Escrito por Assis

 

06º Domingo do Tempo Comum – Ano B

11 Fevereiro 2018

A liturgia do 6º Domingo do Tempo Comum apresenta-nos um Deus cheio de amor, de bondade e de ternura, que convida todos os homens e todas as mulheres a integrar a comunidade dos filhos amados de Deus. Ele não exclui ninguém nem aceita que, em seu nome, se inventem sistemas de discriminação ou de marginalização dos irmãos.

A primeira leitura (Lev 13, 1-2.44-46 prepara-nos para entender a novidade de Jesus, essa novidade que o Evangelho de hoje nos apresenta. Jesus virá demonstrar que Deus não marginaliza nem exclui ninguém e que todos os homens são chamados a integrar a família dos filhos de Deus.

O texto denuncia uma lógica humana, injusta, prepotente, criadora de exclusão e de marginalização.

O texto convida-nos a repensar as nossas atitudes e comportamentos face aos nossos irmãos. Não será possível que os nossos preconceitos estejam a criar marginalização e exclusão para os nossos irmãos?

A segunda leitura (1 Cor 10, 31-11,1),convida os cristãos a terem como prioridade a glória de Deus e o serviço dos irmãos. O exemplo supremo deve ser o de Cristo, que viveu na obediência incondicional aos projectos do Pai e fez da sua vida um dom de amor, ao serviço da libertação dos homens.

Paulo deixa claro que, para o cristão, o valor absoluto e ao qual tudo o resto se deve subordinar é o amor.

Paulo refere o exemplo de Cristo, a quem todo o cristão deve imitar. Cada cristão deve ser capaz de prescindir dos seus interesses e esquemas pessoais, a fim de dar prioridade aos projectos de Deus; cada cristão deve ser capaz de ultrapassar o egoísmo e o comodismo, a fim de fazer da sua própria vida um serviço e um dom de amor aos irmãos.

O Evangelho (Mc 1 ,40-45), diz-nos que, em Jesus, Deus desce ao encontro dos seus filhos vítimas da rejeição e da exclusão, compadece-Se da sua miséria, estende-lhes a mão com amor, liberta-os dos seus sofrimentos, convida-os a integrar a comunidade do “Reino”. Deus não pactua com a discriminação e denuncia como contrários aos seus projectos todos os mecanismos de opressão dos irmãos.

O texto termina com a indicação de que o leproso purificado “começou a apregoar e a divulgar o que acontecera”, apesar do silêncio que Jesus lhe impusera. Marcos quer, provavelmente, sugerir que quem experimenta o poder integrador e salvador de Jesus converte-se necessariamente em profeta e em testemunha do amor e da bondade de Deus.

Deus não exclui ninguém e não aceita que, em seu nome, se inventem sistemas de discriminação ou de marginalização dos irmãos. Às vezes há pessoas que inventam mecanismos de exclusão, de segregação, de sofrimento.

A atitude de Jesus em relação ao leproso é uma atitude de proximidade, de solidariedade, de aceitação. Jesus não está preocupado com o que é política ou religiosamente correcto, ou com a indignidade da pessoa, ou com o perigo que ela representa para uma certa ordem social… Ele apenas vê em cada pessoa um irmão que Deus ama e a quem é preciso estender a mão e amar, também. Como é que lidamos com os excluídos da sociedade ou da Igreja? Procuramos integrar e acolher (os estrangeiros, os marginais, os pecadores, os “diferentes”) ou ajudamos a perpetuar os mecanismos de exclusão e de discriminação?

O gesto de Jesus de estender a mão e tocar o leproso é um gesto provocador, que denuncia uma Lei iníqua, geradora de discriminação, de exclusão e de sofrimento. Hoje temos leis que são geradoras de marginalização e de sofrimento. Como Jesus, não podemos conformarmo-nos com essas leis e muito menos pautar por elas os nossos comportamentos para com os nossos irmãos.

O leproso, apesar da proibição de Jesus, “começou a apregoar e a divulgar o que acontecera”. Marcos sugere, desta forma, que o encontro com Jesus transforma de tal forma a vida do homem que ele não pode calar a alegria pela novidade que Cristo introduziu na sua vida e tem de dar testemunho. Somos capazes de testemunhar, no meio dos nossos irmãos, a libertação que Cristo nos trouxe.

Fonte: Resumo e adaptação local de um texto de "dehonianos.org/pprtal/liturgia"

 

 

Sábado – V Semana –Tempo Comum – Anos Pares 10 Fevereiro 2018

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09Fev2018
| Escrito por Assis

 

Sábado – V Semana –Tempo Comum – Anos Pares

10 Fevereiro 2018

Primeira leitura: 1 Reis 12, 26-32; 13, 33-34

Consumado o cisma político, Jeroboão reina sobre as 10 tribos do norte, enquanto Roboão reina sobre as tribos de Judá e de Benjamim. Mas o fosso entre o Reino do Norte e o Reino do Sul agrava-se com o cisma religioso, idealizado por Jeroboão para evitar as peregrinações a Jerusalém.

Essas peregrinações podiam levar o povo a voltar-se novamente para a casa de David e a dar maior poder económico ao Reino do Sul. Assim Jeroboão revitaliza o templo de Betel, onde Abraão construíra um altar ao Senhor, e onde Jacob tivera o sonho da escada que subia da terra ao céu, e o templo de Dan, cidade santuário desde o tempo dos Juízes.

Em cada um dos santuários, coloca um vitelo de ouro, inspirando-se numa antiga tradição segundo a qual essa imagem era pedestal da divindade invisível, do mesmo modo que a arca era o trono de Javé no templo de Jerusalém. Jeroboão coloca nesses santuários sacerdotes que não eram oriundos da tribo de Levi. Assim procura, não só congregar as tribos isoladas do Norte, mas também desviar os peregrinos de Jerusalém.

Para completar a sua obra, Jeroboão institui uma «festa dos Tabernáculos» para satisfazer a possível saudade do povo, que costumava peregrinar ao templo de Salomão, em Jerusalém, para a celebrar. Revela uma grande habilidade política para contrariar a forte atracção que exercia sobre o povo a cidade de David e o seu sumptuoso santuário. Mas também revela aquele egoísmo cego, que vicia desde o princípio o seu reino, conduzindo-o à destruição.

Evangelho: Marcos 8, 1-10

Toda esta secção parece orientada para realçar a finalidade da evangelização, incluindo o seu aspecto taumatúrgico, a saber: libertar o homem da alienação e de tudo o que ameaça a sua existência, não só no limite extremo entre a vida e a morte, mas também na sua acção de cada dia.

facilmente se pode ver uma alusão à refeição eucarística, tal como era celebrada pela comunidade judeo-helenista de Cesareia, em cujo seio nasceu o evangelho de Marcos.

O evangelista parece querer realçar a multiplicação dos pães como prefiguração da eucaristia cristã e das suas implicações a favor dos pagãos. De facto, anota: «alguns vieram de longe» (v. 3b). Além disso, a compaixão de Jesus é suscitada pela miséria física daquela gente que andava com Ele havia três dias. É este sentimento de compaixão que provoca o milagre. É esse mesmo sentimento que há-de levar à partilha na comunidade, em favor dos carenciados.

Jeroboão, preocupado consigo mesmo, e temendo a precariedade da sua posição, imagina uma série de intervenções que visam pôr o povo a seu favor, sem se importar que caia num pecado que lhe trará a destruição. Jeroboão vê o povo como um meio para fortalecer o seu poder real, sem se importar com a sorte do mesmo povo, porque o seu coração é perverso. Dos corações perversos nascem as «estruturas de pecado».

Jesus, pelo contrário está preocupado com o homem e com o seu verdadeiro bem. O seu olhar de compaixão torna-se gesto em favor da multidão e da sua verdadeira vida. É este olhar de Jesus que inaugura «a civilização do amor», «a cidade de Deus». O milagre que Jesus faz não é apenas sinal da presença do Reino, mas é também um sinal do seu olhar e da sua atitude fundamental em relação à humanidade, a misericórdia.

Jesus tem compaixão e alimenta abundantemente o povo: «Comeram até ficarem satisfeitos, e houve sete cestos de sobras. Ora, eram cerca de quatro mil» (vv. 8-9). Para além da fome física daquela gente, Jesus vê a fome da sua Palavra, a fome da verdadeira vida. E sacia duplamente a multidão: «Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede» (Jo 6, 35).

Cristo dá-Se a comer na Eucaristia, mas também se dá por meio do nosso amor, por meio do nosso serviço aos pequenos, àqueles que têm fome e sede, que estão doentes ou na prisão… É o mesmo Cristo que Se dá nestes dois “sacramentos” que reciprocamente se apelam (cf. Mt 25, 40).

Por isso, S. João Crisóstomo recordava aos cristãos do seu tempo a necessidade de prolongar a celebração eucarística na assistência aos pobres: «Queres honrar o Corpo de Cristo? Não permitas que seja objecto de desprezo nos Seus membros, isto é, nos pobres, privados de roupa para se vestirem… Aquele que disse “isto é o Meu Corpo” também disse “vistes-Me com fome e não Me destes de comer” e “todas as vezes que fizestes isto a um dos mais pequenos dos Meus irmãos, foi a Mim que o fizestes…» (S. João Crisóstomo, Homilias sobre S. Mateus 50, 2-4).

A nossa celebração eucarística abre-se às necessidades dos irmãos, abre-nos ao mundo que nos rodeia, leva-nos a olhar os outros com sentimentos semelhantes aos do Senhor e a agir como Ele agiu. O «Ide em paz» que o sacerdote nos dirige no fim da celebração eucarística equivale ao «Vai e faz tu também o mesmo», que o Senhor diz ao doutor da lei, depois de lhe contar parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 37). É assim que se colabora na construção da «civilização do amor».

Senhora, Mãe de Jesus e minha Mãe, quero saudar-te especialmente neste dia de sábado. Tu és modelo de confiança e de abandono. Tu acolheste a palavra de Deus sem Te preocupar contigo mesma nem com os teus projectos. Aceitaste pacificamente que a tua vida fosse perturbada pela «invasão» de Deus… até ao Calvário. Por isso é que Deus Te encheu de alegria e todas as gerações Te proclamam bem-aventurada. Alcança-me de Jesus uma confiança e um abandono semelhantes aos teus em todas as situações. Que, mais do que olhar para mim mesmo, eu saiba olhar para Jesus, teu filho, e para o projecto em que Ele me quer como colaborador. Que eu saiba fazer da minha vida uma eucaristia para louvor do Pai e serviço dos irmãos, particularmente dos mais necessitados. Amen.

Fonte: Resumo e adaptação de um texto de “dehonianos.org/portal/liturgia”

   

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